Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, Portuguese, Livros, Livros, livros
Outro -



Histórico


Categorias
Todas as mensagens
 Evento


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 pulsarmarini
 ube
 jornal da poesia
 Fotolog de Wilson Luques Costa
 Acontecimentos
 Zona Branca
 RUI ALVES
 Jardim de Adônis
 PUB 66
 amologoinsisto
 Gabriel Perissé
 Érico Marin
 Paulinho Videira
 Eduardo Val Bueno
 TOM ZÉ


 
POTLATCH - onde há fumaça, há fogo - o simulacro do futuro


O GRANDE VLADO 

Se há um cara que eu não negaria um pedido, menos grana, evidentemente, porque não a tenho em profusão, seria o Vlado - do antigo Clube Caiubi, depois Vila Teodoro e agora Villagio Café http://www.villaggio.com.br/Home.php-- e eu acabo de receber um e-mail, solicitando um texto sobre literatura -- e para mim será um desafio e eu o aceitei e eu não sei o que vai sair. É só aguardar!



Escrito por wilson luques costa às 12h39
[] [envie esta mensagem] []



NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA

A cada dia, eu tenho me apaixonado pelo estudo do hebraico. Aliás, andei ligando para o Paulinho, a fim de dirirmir algumas dúvidas quanto à pronúncia. Como já o disse aqui, praticamente já domino o primeiro módulo, a ponto de conseguir dar o curso sem nenhum revés. Acho que até o final do ano já estarei dominando o que ainda me resta que são os pronomes, os numerais e os verbos -- pelos quais já dei uma passada. Mas, para mim, é uma alegria incomensurável aprender o hebraico, mesmo que seja de modo instrumental. O grego, o latim e o próprio hebraico são muito diferentes das chamadas línguas neolatinas ou mais precisamente o inglês que lhe pede uma performance colonialista. Vejo, entretanto, o aprendizado tanto do grego, latim e hebraico como uma volta, aos moldes do humanismo -- aos valores clássicos, onde a leveza sobrepõe-se ao movimento incessante dessas póles neomodernas.     

 



Escrito por wilson luques costa às 09h26
[] [envie esta mensagem] []



A FALSA DÓXA

Quem tem um vício, normalmente, não o reconhece como um vício. Vejam o caso do próprio viciado em bebida ou qualquer alucinógeno -- sempre nos diz que bebe, mas pára quando quiser -- pois domina o seu vício. E nesse sentido, mesmo sabendo que o seu vício já extrapolou a fronteira, ele não se importa e não percebe que está viciado. Mas os de fora: seus amigos, familiares, colegas de trabalho vivem comentando sobre o seu vício que vem atrapalhando a todos. É sabido que o viciado só se cura, se admitir que está viciado -- enquanto sustentar que bebe por mero prazer, será insuficiente qualquer conselho. O mesmo se dá em outras esferas no sentido ético-moral: nunca admitimos que estamos viciados em algo. Sentimos os nossos atos falhos, procuramos, vez ou outra, aceitar uma certa falha no caráter. Por um certo momento, tentamos nos justificar (ou à nossa consciência ou quando vamos dormir ou quando conversamos com uma amigo mais íntimo) - mas, no outro dia, a recidiva é a mesma -- até nos tornarmos um inveterado sem retorno -- até ficarmos sujeitos - com as mãos vazias - no trottoir ou calçada. Pois a falsa glória tem esse viés: ilude-nos -- sendo que estamos por ela já viciados para sempre. E o que é pior: ela vem pelas mãos de nossos ´melhores amigos´ - não inimigos -  pelo mesmo falso cálice de sempre. 



Escrito por wilson luques costa às 10h01
[] [envie esta mensagem] []



A BIENAL DO LIVRO

Eu estive, em 2002 -- pela Editora Scortecci e pela UBE -- na Bienal Internacional do Livro, lançando o meu segundo e até agora, talvez, para sempre, o meu último livro. Como já relatei aqui, foi uma experiência, para mim, nova e bacana. Foi lá que estive com o Jocenir, foi lá que conheci o grande cara e músico e poeta e escritor Chico Memória, foi lá que pude bater um grande papo com a grande poeta e na minha opinião uma das melhores poetas de nossa geração que é Maria Albafoi lá ainda que cumprimentei rapidamente, apesar dele não se recordar -- por intermédio do Jocenir -- o Mano Brown -- foi lá que conheci muito rapidamente e que fiquei assustado com a empáfia da filha de Cora Coralina -- foi lá, também, que recebi os meus poucos mas leais amigos -- foi lá que dei autógrafos, poucos na verdade, mas os dei -- que inventei máximas para fazer dedicatórias, que enjeitei vender os meus livros -- embora financiados por mim -- mas que encaminhei para uma senhora que me disse que era amiga do papa -- de modo que fiz uma dedicatória ao papa precedente -- foi lá que dei -- conforme relato abaixo - uma entrevista ao página aberta -- foi lá que me deslumbrei como todo foca literário se deslumbraria, e foi da experiência de lá -- que me faz a cada dia me afastar de qualquer tertúlia que poderia massagear um ego de um noviço como eu ou como você. 



Escrito por wilson luques costa às 10h38
[] [envie esta mensagem] []



MEMÓRIAS DA VILA RÉ 

Uma das figuras mais proeminentes e saudosas da Vila Ré -- e quando digo Vila Ré, situo, mais precisamente, a Rua Corim, onde eu e meus amigos moravam -- foi o pipoqueiro seu Zildo. Seu Zildo, aos olhos de minha lembrança momentânea, tinha um rosto angelical com um cabelo meio carapinha e um certo bigode bem cuidado. Ele, sobretudo nos domingos ensolarados, adentrava a rua Corim - de forma magistral - buzinando e anunciando os mais variados tipos de doces - que iam da famosa paçoquinha, passando pelo doce de abóbora e as suas não menos apetitosas pipocas. Recordo-me dele, como meus colegas, na certa, recordar-se-ão, de uma maneira bastante alegre -- seu Zildo nos deixava plenos os nossos domingos. Ele vinha sempre entre as três e quatro horas da tarde. As pessoas, todas na rua ainda sem o tapete do asfalto que veio um pouco depois. A terra era vermelha. Uma das minhas maiores paixões e até hoje ainda é era ver o arco-íris ou chover torrencialmente e depois ver despontar aquele sol que fazia a terra exalar uma bela fímbria de fumaça. E quando isso acontecia, e quando o seu Zildo despontava, era para nós a maior alegria do mundo. De fato, o nosso seu Zildo foi uma das pessoas mais fellinianas que eu conheci na vida.  

Dedico essa mera lembrança às minhas colegas de infância Marisa, Meire e Mirtes que me ajudaram a conceber esssa matéria de memória 



Escrito por wilson luques costa às 09h58
[] [envie esta mensagem] []



O PRECONCEITO POSTO ABAIXO SOB O ESTRITO PONTO DE VISTA LÓGICO

Hoje, na aula sobre lógica - na qual abordei os aspectos da dedução, indução, intuição e abdução - consideramos absurdo, sob o ponto de vista lógico, qualquer tipo de preconceito. Talvez alguém não possa compreender as razões pelas quais tudo isso se explicita, mas - se esse alguém tiver alguma dúvida - não será de todo difícil indicar-lhe um de meus tantos alunos de philosophia, que, na certa, lhe demonstrará - através da primeira figura de Aristóteles e do ponto de vista da indução - que o seu preconceito não se sustenta nem, muito menos, jamais, se sustentará.  



Escrito por wilson luques costa às 18h45
[] [envie esta mensagem] []



Ist tsaddîq `_adhônay!

Eu ia me inscrever no Mosteiro de São Bento, aliás tópos mais que aprazível para se ter os rudimentos de algumas línguas instrumentais, para cursar os dois módulos de hebraico bíblico -- mas não bateriam os horários. Num primeiro instante fiquei chateado, mas - como estou com outros projetos mais prementes -, resolvi abdicar com uma tristeza imensa. Eu supus a ajuda do Paulinho Videira, mas nos encontramos muito pouco e moramos a uma certa distância -- o que inviabilizaria esse meu projeto; então resolvi comprar o livro abaixo postado -- e não foi surpresa para mim saber que nesses treze dias consecutivos de estudos, já me encontro no seu módulo 2. Ist tsaddîq `_adhônay!



Escrito por wilson luques costa às 18h12
[] [envie esta mensagem] []



A INTUIÇÃO

No caso abaixo já comentado sobre a intuição, pretendo considerar também que além da dedução que é feita -- há o uso das induções já captadas pelo cérebro em nosso dia-a-dia. De modo que uma intuição certa, poderá ser desdobrada numa primeira figura aristotélica com o uso evidente das pemissas indutivas outrora captadas pelo mesmo cérebro.



Escrito por wilson luques costa às 17h58
[] [envie esta mensagem] []



O MEU PROCESSO CIVILIZATÓRIO

À medida que o tempo vai passando, a tendência é a depuração dos nossos gostos, tanto musicais como literários. É o caso por exemplo de lermos entrevistas de autores já consagrados ao dizerem que sempre releem os clássicos, ao ponto de - num ato de coragem, ao contrário daqueles que ainda não se estabeleceram, desdenharem autores do mesmo naipe que eles - mas também não menos consagrados. E isso acontece com todos nós de uma maneira geral. Eu mesmo já não tenho aquele ardor com certos cantores ou escritores -- mas não temos, por outro lado, a coragem de defenestrar os nossos discos e os nossos livros -- sempre na esperança de um revival que nem sempre ocorre. Eu nessa vida já gostei muito de Caetano, Gil e Chico e ainda gosto -- só que a intensidade mudou. Do Chico posso dizer que o disco de 84 é o que mais me toca o páthos. ´De que calada maneira você chega assim sorrindo...´---  do Gil não consigo agora eleger um de memória nem do próprio Caetano -- talvez seja o momento -- por isso os discos em seu silêncio. Dos livros, retorno sempre a Cioran, Schopenhauer e alguns de filosofia. Ultimamente tenho preferido perfilar por outras sendas, mas não posso negar que todos eles foram para mim um tipo de processo civilizatório.    



Escrito por wilson luques costa às 18h55
[] [envie esta mensagem] []



ULTRAPASSANDO O ODÔMETRO

Foi quando acelerei de vez e disse para mim mesmo: “agora eu vou atrás, agora ela me paga”. E quanto mais eu acelerava, menos translúcida ficava a sua direção. Mas na minha obsessão canibalesca eu a perseguia. Eu percebia que ela tentava se esquivar de todas as maneiras. Rente à curva, ela derrapou e quase que soçobrou na frente de um obelisco. E eu acelerava como um louco. Sim, eu estava ensandecido. Eu espumava pelos cantos da boca. Tive uma taquicardia e logo após uma bradicardia que me deixaram em cera. Pus um chiclete na boca e comecei a mastigar como um demente. Eu estava transtornado. E quanto mais eu acelerava, mais eu enlouquecia. O odômetro indicava cento e sessenta e eu achava pouco, muito pouco. Eu acelerava, mas a distância aumentava. Eu corria como um pateta. Pensei em ir a pé. Resolvi gritar. Gritava o seu nome em vão. Desci e segui na estrada a pé. Pus um outro chiclete na boca e comecei a mastigar como um demente. E quanto mais eu andava, mais eu enlouquecia. Eu espumava pelos cantos da boca. Foi quando eu disse para mim mesmo: “ agora ela me paga...agora ela me paga”, mas a sua direção ficava cada vez menos translúcida. Ao longe uma placa indicava: ´Cuidado na derrapagem: loucura...!



Escrito por wilson luques costa às 12h29
[] [envie esta mensagem] []



MEMÓRIAS DA VILA RÉ

Thursday, October 12, 2006

A CASA SOTERRADA -

in memoriam de minha avó Maria Mercedes, de meu querido e amado tio Nelson Luques Serrano e da minha tão amada tia Sueli Luques Reis que perdemos nesse último abril aos cinquenta anos...
Abril é o mais cruel dos meses, como diria o poeta Eliot...


ainda posso vê-los daqui...
ainda vejo uma penumbra fina...
quiçá duas...
três...
quatro...
cinco...
ainda posso vê-los daqui...
francisco dá ordens a mercedes....
mercedes retruca e não se faz solícita...
pega do qüarador e distrai-se com uma dança flamenca...
ainda posso vê-los daqui...
o garoto...
um serelepe...
assim lhe chama o seu avô...
esguicha água matizada com limão de cheiro...
o avô lhe punge com vergalhões de maldade...
pirracento...
agourento...
pachola...
vagabaundo...
estúrdio...
anacoreta de uma figa...
basbaque...
penduricalho de trem...
ainda posso vê-los daqui...
o radinho colado ao ouvido...
corinthians 2 x 0 palmeiras ...
essa está no bolso...
vê se não fica passando com esses pés sujos sobre o tapete...
só eu trabalho nessa casa...
oh, que vida que eu levo...
por que já não dá logo o endereço lá de cima...?
esse só vive no bar...
ah! bebeu novamente...?
juro...
juro...
esse neto não é meu...
precisa ter pedigree...
progênie...
etnia...
oh...
eu passei a roupa agora...
oh, santo antonio...
me livra...
me livra...
oh, meu santo antonio...
vem...
vamos jogar tômbola...
é fim de ano...
chama o toninho e a judite...
vamos bater lata...
armando...
acenda a fogueira...
seu avô trouxe pinhão lá da light...
vê se não vai beber de novo...
vem vamos bater lata...
sobre a televisão a foto de minha avó e a equipe campeã do
primeiro turno de 1969...
no guarda-comida as fotos de avós, tios, primos...
olha, mãe...
quem é esse de blusa vermelha...?
nossa, como eu estou ridícula...
nesse dia eu toquei castanhola...
deixa eu ver essa aqui...
pára, menino...
tio, faz cortante para mim...
tá na hora de trabalhar, menino...
eu com treze anos já trabalhava...
vai querer ser o quê na vida...?
pensa que vai viver de bilhar como aquele seu tio...?
o rádio está ligado...
o locutor não se cansa de irradiar...
a máquina de lavar ainda está travada....
já é domingo...
ninguém vem visitar...
a pereira intenta uma flor...
as corruíras assoviam um assovio desafinado...
a jabuticaba impõe o seu olhar de coruja...
amoras fendem seus lábios encarnados...
esboçam um sorriso...
agora já é quarta-feira de novo...
as cadeiras perfiladas na cozinha...
a anciã está ausente...
os ponteiros do relógio caminham resolutos...
dependurado na parede o quadro com a família...
o patriarca segura uma taça de champanha...
o cheiro de mofo exala pela cozinha...
uma traça risca uma foto de ponta a ponta...
já é domingo de novo...
ninguém vem visitar...
a pereira intenta uma flor...
as corruíras assoviam um assovio desafinado...
a jabuticaba impõe o seu olhar de coruja...
amoras fendem o seu sorriso...
uma linfa vermelha, um aljôfar de lágrima, escorre sobre a casa...
ninguém mais vem visitar...
a casa está soterrada....
mas ainda posso vê-los daqui...


sp.07.12.2001
Escrito por wilson luques costa às 11h39


Escrito por wilson luques costa às 18h58
[] [envie esta mensagem] []



A INCIPIÊNCIA DE UM INSIPIENTE COMO EU

Estou na fase de adequação com o alfabeto hebraico. Já leio, como aquelas crianças, algumas palavras. Tenho seguido somente na gramática. Mas como o hebraico usa as consoantes para determinar artigo, conjunção e pronomes etc -- torna-se, ainda, um pouco difícil sem ter a totalidade do alfabeto na cabeça. Mas pelo que tenho estudado, não vejo muita dificuldade. Assim que eu me familiarizar com as consoantes e vogais tudo será mais fácil. É óbvio que se trata do hebraico bíblico e tudo é muito incipiente para um insipiente como eu.



Escrito por wilson luques costa às 16h42
[] [envie esta mensagem] []



O pior dos males

é você se transformar

naquilo que você detesta.



Escrito por wilson luques costa às 10h40
[] [envie esta mensagem] []



A INTUIÇÃO E A SUA RELAÇÃO COM O SILOGISMO CLÁSSICO

Imaginemos que você está dirigindo um carro e de repente se depara com uma viela escura e numa fração de segundos  a sua intuição o faz retornar e não seguir adiante. Esse seria um caso, a meu ver, de intuição. E suponha agora que aquele lugar era realmente perigoso. Pronto, a sua intuição o salvou. Nesse caso, julgo que a sua intuição não passou de um silogismo clássico que celeremente foi mediado pela sua mente. Pois vejamos para a primeira premissa: Todo lugar escuro é perigoso -- para a segunda premissa: Aqui é um lugar escuro, portanto aqui é um lugar perigoso



Escrito por wilson luques costa às 09h28
[] [envie esta mensagem] []



MEMÓRIAS DA VILA RÉ

Eu não gosto muito de cinema. E não sei por que motivo. Ontem mesmo assisti a um filme bem legal. Mas é raro eu postar-me para assistir a um filme. O filme tem que ser muito bom ou me agradar com as suas imagens. De documentário, eu não perco um se eu tiver oportunidade. Ontem mesmo assisti a um filme que mostra uma família negra da Geórgia, cuja mãe é drogada e que as três filhas lindas são retiradas de um pai que faz as vezes de um mecânico, alías seu sonho -- e também de motorista de uma advogada que procura um amor esconso e que é empenhada pelas suas amigas, as quais sempre fracassam em lhe descolar um cara maneiro -- sendo que o seu amor seria esse mesmo motorista que lhe leva pra lá e pra cá em suas audiências -- mas como diz uma máxima: ´às vezes não é possível enxergar o próprio nariz´-- e isso tudo por conta de certos, ainda, preconceitos profissionais -- já que ela é advogada. Mas no fim dá tudo certo. O problema é que quando vi, já estava torcendo para a advogada linda ficar com o pai das três meninas. Eu ia falar sobre o cinema Saturno da Vila Granada

 - que julgávamos pertencer em nossa memória à Vila Ré e enveredei pelo filme de ontem. Mas a concepção que temos de bairro não seria, a meu ver, a linha limítrofe dos mapas, mas, sim, a linha que divisamos em nossas vivências. Há, por exemplo, tópoi vila reenses que não reconheço em meu habitat. Por exemplo: a cisvilaré -- onde se situa a igreja santo antonio, que apesar de minha crisma ter se dado por lá, já não me é assim tão afeita. Todavia o Carvalho Senne, colégio estadual no qual fiz todos os meus estudos, que fica situado na vila granada -- já me é caro. Aliás, tudo isso parece aquela idéia europeizante de nascer num lugar e estudar no outro. Como poderíámos dizer: nasceu na vila ré, mas fez todos os seus estudos fora. Leia-se para fora: vila granada! Pessoal, lamento! Mas acho que o cinema saturno ficará para outro dia! Porque hoje estou em busca do meu velocino de ouro! Bye!



Escrito por wilson luques costa às 10h49
[] [envie esta mensagem] []



MEMÓRIAS DA VILA RÉ

Agora pela manhã, andei conversando com um professor acerca das memórias de nossas infâncias. E é evidente que depuramos, quando rememoramos, tudo o que não foi suficientemente bom. Andei pesquisando no google coisas da Vila Ré, e há pouca informação. Mas num site todos fazem um tipo de rememoração saudosa. Eu também me recordo do seu Otacílio

que nos ameaçava em nos deixar careca, caso fôssemos desobedientes. Mas tínhamos os cabelos cortados ao modo de agora -- tipo exército americano com aquele topetinho. Hoje é até comum e está na moda, mas eu detestava. Minha mãe hoje me diz: filho, você chorava tanto na época e os garotos até pedem para os pais lhes cortarem desse jeito. O dia da minha maior felicidade foi quando me desvencilhei dos cortes toscos do seu Otacílio e fui cortar num cabeleireiro. Aliás, o Néris, que eu adorava como figura humana, cortou-me num estilo bem pra frentex. Mudou o meu visual. Repartiu o meu cabelo ao meio, que me deu um maior realce junto a algumas meninas. Coisa que foi crescendo, ao ponto de eu me encantar com o deslumbre até então encoberto. Comecei a concorrer de perto com alguns colegas. Descolei uma namorada bem requisitada, depois outras paralelamente, o que me fez um pouco narcísico e garanhão. Conto tudo isso para lembrar de um das facetas da Vila Ré e de minha adolescência. Lembra-me também que eu gostava de ficar lá no Néris quase o dia inteiro contando coisas de boy -- eu e os meus colegas: ´que ganhamos aquela mina no saveg, que o outro tomou uma dispensada, que fomos na toco e impressionamos umas outras minas lá do tatuapé´ - que para nós era o maior feito. Lembro de uma vez que ganhei uma mina na toco que era linda demais e ainda que estava de míni-saia. Os caras pararam na minha. E nem eu acreditava. Mas era uma mina pro dono do baile. Mas não sei o que aconteceu. É que eu era mesmo desinibido e ia pra frente. Depois percebi que essa é uma idéia capitalista: há que investir nas commodities. Ou: quem não arrisca não petisca.   



Escrito por wilson luques costa às 09h48
[] [envie esta mensagem] []



MAIS POEMAS DA NICK DIRETOS DA FRANÇA

         quand je  parle des couleurs

               tu m’habit de l’ombre

                   et jauni par la  douleur

                        je me trouve dans le vide

                            D’un  noir  des plus profonds

                  Enfin  je me trouve  en face du maitre

                                          du                        

                                        monde

                           et moi en   désire  effacées

                                je navigue sur des  

                                vallées de pierre

                                  sculpté par mes larmes

                                   tu qui as dessiné mon negre visage

                                    sur  le blanc 

                                     ou je me

                                     sans perdu                                                                          



Escrito por wilson luques costa às 07h46
[] [envie esta mensagem] []



O HEBRAICO

Tenho seguido as aulas de hebraico num livro para iniciantes. Não tenho a pretensão de dominar completamente a língua, mas o fato de termos alguns instrumentais como o grego, alemão, latim, nos é suficiente para compreender alguns aspectos filosóficos. A estrutura, a princípio, do hebraico parece-me bem lógica. O difícil é desenhar as letras do alphabeto -- mas a compreensão de sua gramática, como já havia dito antes, no que tange os nossos parcos conhecimentos, não se me assemelha tão difícil assim. Como quase todas as línguas, há as exceções diante de uma tônica, no caso, por exemplo, que estudei ontem, para o artigo e o vav conjuntivo -- ou a consoante quando vai para o final da frase. Mas o gostoso de tudo é a descoberta. É como no amor: primeiro a paixão, o querer ficar horas namorando -- o lado lúdico da coisas -- depois, o dia-a-dia -- como me tem ocorrido mais precisamente com o alemão, grego e latim. Tudo no desejo de um órganon que na vida possa me facilitar.     



Escrito por wilson luques costa às 07h27
[] [envie esta mensagem] []



A INTUIÇÃO

A intuição, para mim, seria uma conexão rápida e imediata de nosso cérebro de um silogismo da figura 1 -- se a intuição estiver correta.



Escrito por wilson luques costa às 13h51
[] [envie esta mensagem] []



ESTUDOS PARTICULARES DE PHILOSOPHIA - O problema das 4 figuras - muito além -- mas muito além - das Flipsflaps

Eu, particularmente, sou crítico à defesa tão somente formal das 4 figuras da lógica. A meu modo, eu só consideraria a mais próxima de ser válida a primeira figura. As demais não, porque avançam contra a idéia de indução. Nas figuras 2,3 e 4 é notória a inversão que se dá em uma das duas premissas. Sei que dirão que a lógica é extremamente formal. Mas eu tenho direito de não concordar. Por exemplo, para a primeira figura Todo homem é mortal, seria possível eu me aproximar dessa verdade -- embora também discorde quanto ao todo -- posto que nem todos os homens que vivem sejam mortais -- mas em estado latente de morte. Mas as demais não seria possível, p.ex., aceitar que Todo Sócrates é homem`. Não tenho muito tempo aqui para me estender. Mas para quem está a par desse assunto, já nota o que pretendo dizer. E outra, não vou deixar nada aqui de bandeja. Aliás, posso escrever que camelo é borboleta e joão é camelo, portanto, joão é borboleta. Nada me impede. Mas o que isso teria a ver com as nossas vidas? Simplesmente formal! E me diriam: e se fosse verdade? Mas quando seria verdade?     



Escrito por wilson luques costa às 13h44
[] [envie esta mensagem] []



O talento de Nelson Romano muito além das Flipsflaps

Eu tenho o prazer de lecionar filosofia para um aluno fora de série. Por isso, jamais digam que tudo está perdido. Além de conhecer japonês e se interessar pela moda clássica, faz também as suas composições. Abaixo, uma pequena amostra do amigo Nelson Romano. Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pensa essa nossa vã philoshofia.



Escrito por wilson luques costa às 13h27
[] [envie esta mensagem] []



ÓRGANON

שָׁלוֹם

Eu estava me programando para fazer hebraico, mas por certas contingências não seria possível ainda este ano. Como não estou atrelado a qualquer curso, nesse ano de 2008, resolvi estudar hebraico por conta própria. Resultado: não largo da gramática hebraica de jeito nenhum. Estou aprendendo bem. Já consigo ler algumas palavras como ´av/ben/qôl/´îsh/shem/hi/hu/shalom/torah/mosheh... Evidentemente que tudo grafado em hebraico. Aliás, tenho gostado muito de sua gramática com as suas 22 consoantes e as suas vocalizações. Julgo, também, nesse primeiro momento, mais acessível que o grego. É como dizem: ´depois da oitava, tudo fica mais fácil. 

# Algumas acentuações não foram colocadas porque não encontrei os devidos acentos no meu teclado.



Escrito por wilson luques costa às 20h10
[] [envie esta mensagem] []



O SAMBA DA DONA ZICA

Todo samba tem uma preta

E se tem samba a preta está

Mas se não estiver na Mangueira

Onde Dona Zica estará?

Quem poderá responder?

Foi passear! Foi passear! Foi passear! 



Escrito por wilson luques costa às 19h58
[] [envie esta mensagem] []



Mais poemas da NICK

 Cálidas, mortas

    Vidas secas

    Folhas nuas

    Cansadas de suor 

    Brota, crua

    Em semente,

    Germinada de dor.

    De uma terra, fértil. 

    Troncos torcidos

    De cascas ocas

    Árvore cálida

    Terna de sabedoria. 

    Rasga a terra fria

    Úmida,e como rio

    Corre em pétalas doces.

    Serenas 

    E minha alma

    Se esvai em ti

    Estação perene

    De  flor em flor.... 



Escrito por wilson luques costa às 11h16
[] [envie esta mensagem] []



CANTANDO NO BANHEIRO

Eu, vira e mexe, sobretudo quando vou tomar banho, tenho o costume de ficar cantando aleatoriamente, distorcendo melodias, cantando hino ao corinthians etc. Faço desde brega, hip hop, rap ( rap tenho o costume de fazer com a Raquel, quando estamos andando pelo centro abraçadinhos e ela é muito engraçada -- ou eu ou ela começa uma letra e às vezes saem umas coisas bem hilárias. Ou seja: sai um monte de baboseira, mas nos divertimos bastante. Mas tudo cai pro ralo do esquecimento. Mas tem muita coisa que é bem melhor do que se ouve por aí. E às vezes eu digo para Raquel, essa é chiclete, se gravarmos ficamos ricos. Mas também engendro muitas melodias de samba. Mas não gravo. Às vezes, penso assim: vou elaborar uma letra melhor. Mas como não toco nenhum instrumento, esqueço e também acabo por esquecer a melodia, que me parecia num primeiro instante muito fácil de recordar. Faço letras bem simples. Na semana retrasada surgiu uma sobre D.Zica. ´Onde estará D. Zica?/Onde D.Zica estará? Quem poderá responder? - ´Foi pasear! Foi passear! Foi passear!/ -- E por aí vai. Essa letra passei para o meu cocunhado que foi colocando as notas no cavaquinho. Há uma outra assim também que passei para o meu cocunhado: ´O samba saiu lá do morro/ Desceu a ladeira/ Foi para a avenida/ E o povo abraçou/ Quem abraçou o samba/ O samba abraçou/ Quem abraçou o samba/ O samba abraçou´. O engraçado é que - eu assitindo a uma entrevista do Cartola - ele responde ao jornalista sobre D.Zica: ´O negócio da Zica é passear´. E olha que eu nem sabia.              



Escrito por wilson luques costa às 10h52
[] [envie esta mensagem] []



A GUARDA COMPARTILHADA

- Oi, filhão... Papai tá bem... E o filhão... Papai dentro de quinze dias passa aí sim, filhão...Mamãe quer falar comigo? Tá bom, filhão...Papai ama você, filhão...-Sim, eu estou aqui na livraria... Comprei aquela revista que você gosta... Vou deixar em cima da cama... Fala de uns assuntos legais...Daqueles que vêm nos interessando ultimamente... Não...não... Não é guarda compartilhada... Não são esses modismos... É... eu entendo...entendo...mas é um outro tipo... Não... não é desse tipo que você está pensando... Olha...você pensa do jeito que você quiser... Eu entendo... mas não é isso que eu estou dizendo... Porra...parece que não me entende... Eu quero que a sua amiga se foda... Que se foda você também...você não está entendendo nada do que estou falando... Eu já falei para você...Porra, será que eu vou ter que dar um berro daqui... Você é uma...é você...você sua vaca...é...então...me espera para você ver...sua vagabunda.... Pim!!! Pim!!! Pim!!! Pim!!!!!!!    



Escrito por wilson luques costa às 12h41
[] [envie esta mensagem] []



Eu tenho uma colega que mora na França. E ela - além de filha de uma das minhas melhores amigas que se foi em 2007 - é poeta de alma. Como poderíamos dizer: não é poeta que faz versos, é poeta, se poderíamos dizer assim, de alma mutilada. Tive em 2000 um rápido contato com ela, mas a amizade nos vincará para sempre. Seu marido francês é colecionador de livros e já estive com ele aqui em sampa, levando-o a sebos e lhe mostrando um pouco dessa metrópole desazada. Na época tive que forjar uma língua para nos comunicarmos, posto que tenho dificuldade em me exprimir em qualquer língua -- uma pelo solilóquio; outra, porque sou mais leitor mesmo -- mas deu tudo certo, até pelo seu esforço em tentar me compreender. Nesses dias, mantivemos um contato por e-mail, e aqui publico um poema da NICK , devidamente autorizado pela amiga-poeta.

 

Sur la couleur dans ciel perdu

roulent les vagues

D’un vent aussi calme 

Un visage  suive  son voyage

Sur le vent mort que la frappe 

elle coche  ses douleurs

sereinement sur des reflex  d’un miroir cassé  
 

Et entre ses

petit morceaux

  ses sens  brisés 

forme les images  d’un caléidoscope

D’une joie jamais vécu      



Escrito por wilson luques costa às 12h03
[] [envie esta mensagem] []



CORRESPONDÊNCIAS

Olá, Wilson,

bom, posso te falar sim um pouco do trabalho do Cláudio e do meu próprio. O livro se chama "Aristóteles Mimético" (editora Discurso, 2004, Cláudio William Veloso) e consiste em uma releitura do conceito de Mimesis na obra de Aristóteles.

Para o Cláudio, esse conceito se diz em três sentidos (eu estou brincando aqui um pouco com o estilo de Aristóteles): identidade (ou ser), emulação (ou tentar ser) e simulação (ou aparecer). O Cláudio analisa textualmente cada passagem em que apareceu o radical "mimo" não só em Aristóteles, mas em todo o legado grego e chega a esses três sentidos principais. Isso implica em uma releitura de toda a obra de Aristóteles e, para ele, resolve muitas contradições aparentes pois o conceito de Mimesis não estaria mais somente reduzido à poética, mas em diálogo com os demais conceitos e modalidades do corpus.

Resumidamente, a minha tese seguirá isso como metodologia, concluindo que as leituras de J. J. Veiga sempre se basearam na emulação (ou seja, uma obra que tenta copiar a sociedade brasileira da ditadura), enquanto eu considero que o mais importante ali é a simulação (na verdade é um pouco mais complexo que isso, mas em linhas gerais é bem por aí).

No doutorado, pretendo unir essa releitura com a de Paul Ricoeur e a minha própria e repensar a literatura atual e a literatura como um todo.

Acho que vale ler o livro do Cláudio porque ele faz uma leitura impressionante de Aristóteles. Para mim foi um trabalho de meses, porque o livro tem mais de 700 páginas e usa desde o grego até o italiano, além de inúmeros filósofos e conceitos filósoficos. Mas vale muito a pena. Em anexo, envio um artigo do Cláudio sobre Platão para te enturmar um pouco.

Você é professor de filosofia em faculdade ou colégio? Se for em faculdade, qual é o assunto?


Abraços,
Paulo.

Olá Paulo,
Mais uma vez, muito agradecido pelo retorno. Procurarei conhecer os textos do Cláudio William Veloso. E espero, também, que você seja bem sucedido em sua empreitada. Quanto a lecionar, eu leciono filosofia no estado. Ingressei nesse ano de 2008. Não procurei ainda Universidades. Não concluí o meu mestrado na PUC-SP, embora me tenha sido assaz dinâmico. Quando eu fazia cursos livres de grego e latim no mosteiro de São Bento, houve uma oportunidade para eu lecionar os rudimentos dos latim numa faculdade em Osasco -- entretanto eram as duas últimas aulas e eu estava passando por uma certa dificuldade com o meu numerário, só para ficarmos mais estreito a você , e aí tive que declinar, posto que o custo/benefício seria negativo. Também não tenho encaminhado CV -- depois que ingressei no estado. Mas, apesar das dificuldades que se colocam, acho muito gratificante. O governo de São Paulo subsidia bolsas de mestrado e doutorado, mas eu estou no período probatório e nesse ano não está contemplando quem ainda não é efetivo. Vou aguardar. Torço por você. Eu estou tranqüilo quanto a isso tudo. Passou aquele entusiasmo de mestrado, doutorado, pós-doutorado. As coisas vão acontecendo paulatinamente. Mas eu estou sempre estudando alguma coisa. Ontem mesmo comprei uma gramática sobre hebraico, e já me iniciei nessa rinha árdua. E é isso que me dá prazer. Hoje e ontem já andei estudando álef, gîmel etc e à noite darei continuidade. E estou gostando. Tudo tem o seu tempo.
 
Um abraço mais uma vez carinhoso do wilson luques costa
E escreva quando puder...    


 



Escrito por wilson luques costa às 13h56
[] [envie esta mensagem] []



Ontem, no programa Provocações, o jornalista convidado foi o seu Fernando Jorge, biógrafo e pesquisador assaz simpático e bom de papo, o qual me fez o panegírico que cito aqui nesse blog. Fiquei aguardando, mas o sono bateu e não deu para assistir ao programa, que pretendo assistir, se possível, na internet. Sei que falando assim, as pessoas devem pensar que é cabotinismo e vaidade de minha parte -- mas no blog, hoje, é possível documentarmos tudo a nosso respeito. Isso não é no intuito de posteridade. Nada disso. Pode até ser, se tiver valor. (Mas para nós mesmos que vamos fazendo uma peneira daquilo que falamos). Sinceramente, não sei se o seu Fernando hoje confirmaria o que me falou-, mas que me falou que eu era um gênio, falou -, talvez até por uma emoção momentânea. Mas não escreveu. Escreveu outras dedicatórias, aliás uma já postada aqui que recopio. As demais vou publicar noutro dia.

 



Programa número 376

Fernando Jorge provoca polêmica e admiração.
Olhem só o que um jornalista escreveu sobre nosso convidado: “sua língua ferina faz alvoroçar os inimigos. Não deixa o tempo esfarelar as páginas amarelas de sua consciência. Sua linguagem virulenta e ácida, temperada com fina ironia e humor sarcástico de boca maldita, continua a provocar tremor nas bases de quem topar pelo seu caminho”.

Nosso convidado arrasa a Academia Brasileira de Letras, respondendo à pergunta: "Como deveria ser a Academia num país que não lê?"
Fernando Jorge escreveu dezenas de livros, entre eles "Cale a Boca, jornalista!", contundente e minucioso relato sobre as perseguições sofridas por jornalistas brasileiros desde o império até o período da ditadura militar.

Fernando Jorge é um contador de histórias.
Relata como conheceu os planos de Jânio Quadros para as Güianas. Confira!
E preparem-se para seguinte afirmação: "Se não fosse o Brasil, Barack Obama não teria nascido." Imperdível!!


Convidados:

Fernando Jorge
jornalista

   



Escrito por wilson luques costa às 09h20
[] [envie esta mensagem] []



A MARCA DO JACARÉ E O CONSUMO CONSPÍCUO

No texto que deixei postado no blogue do Antonio Cicero, seria antes necessário ler a matéria postada do Demétrio. Discute-se muito a idéia de preconceito, mas esse é um assunto perigoso. Mas o problema é que há os críticos da renda mínima, das quotas etc. E até seria louvável uma discussão menos arcana e mais aberta: todo mundo frente a frente -- mas o problema é que não foi o indíviduo preconceituado que se autoconceituou de pobre, branco, verde, azul . E eu vejo as pessoas advogando as diferenças e eu pelo meu lado também advogo -- mas o problema é que se você não usa a ´marquinha do jacaré na camisa´ -- o outro -- que sabe que a marca dá status -- vai criar um preconceito contra você. Por isso o mesmo style e até mesmo pano etc -- mas preços com uma exorbitânica e diferença jamais vistas. E esse preço é o preço que se paga para se diferenciar. Ou seja: o indivíduo da marca jacaré sabe muito bem porque usa o jacarezinho -- já o outro, usa qualquer camiseta, porque de uma certa forma é-lhe a única acessível -- e nem sabe que o jacaré existe -- por isso não seria razoável aceitar a idéia de grupos que se estabelecem para obter benesses -- e se se agrupam, é porque os diferentes os diferenciaram assim. Portanto a idéia de raça, natureza etc, nasce antes no olhar de quem vê e aponta e não propriamente na idéia de quem sofre.



Escrito por wilson luques costa às 18h15
[] [envie esta mensagem] []



ARTHUR SCHOPENHAUER

Sobre a erudição e os eruditos

´...A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração freqüenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade...`

 

´Para a imensa maioria dos eruditos, sua ciência é um meio e não um fim. Desse modo, nunca chegarão a realizar nada de grandioso, porque para tanto seria preciso que tivessem o saber como meta, e que todo o resto, mesmo sua própria existência, fosse apenas um meio. Pois tudo o que se realiza em função de outra coisa é feito apenas de maneira parcial, e a verdadeira excelência só pode ser alcançada, em obras de todos os gêneros, quando elas foram produzidas em função de si mesmas e não como meios para fins ulteriores. Da mesma maneira, só chegará a elaborar novas e grandes concepções fundamentais aquele que tenha suas próprias idéias com o objetivo direto de seus estudos, sem se importar com as idéias dos outros. Entretanto os eruditos, em sua maioria, estudam exclusivamente com o objetivo de um dia poderem ensinar e escrever. Assim, sua cabeça é semelhante a um estômago e a um instestino dos quais a comida sai sem ser digerida. Justamente por isso, seu ensino e seus escritos têm pouca utilidade. Não é possível alimentar os outros com restos não digeridos, mas só com o leite que se formou a partir do próprio sangue.´

 

´Assim os que exercem uma ciência ou uma arte por amor a ela, por alegria, per il loro diletto, são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vistas ao que que ganham, porque seu objeto dileto é o dinheiro que têm a receber. Esse desdém se baseia na sua convicção desprezível de que ninguém se dedicaria seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome ou por uma aridez semelhante. O público possui o mesmo espírito e, por conseguinte, a mesma opinião: daí provém seu respeito habitual pelas ´pessoas da área´ e sua desconfiança em relação aos diletantes. Na verdade, para o diletante, ao contrário, o assunto é o fim, e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor, con amore. É sempre de tais pessoas, e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas.´    



Escrito por wilson luques costa às 17h05
[] [envie esta mensagem] []



Witt

2.012   In der Logik ist nichts zufällig: Wenn das Ding im Sachverhalt vorkommen kann, so muB die Möglichkeit des Sachverhaltes im Ding bereits präjudiziert sein.

 



Escrito por wilson luques costa às 14h23
[] [envie esta mensagem] []



POSTADO NO BLOG DO ANTONIO CICERO

PREZADO ANTONIO CICERO,

Leio muito rapidamente o texto postado aqui. Mas pelo que já vi do sociólogo, não me parece algo legal não. Sabe aquelas coisas freudianas de ato falho... Pois é! Não sei nem se é disso o que o sociólogo fala -- mas o problema de caracterizar está no outro. O pobre sente a sua necessidade, até diz que é pobre -- mas aí haveria uma diferença no seu conceito de pobreza comparado com o conceito do rico-burguês que o observa com todas as categorizações possíveis -- no que denota a estratificação social. E assim poderíamos dizer sobre tudo que tange o preconceito. Só para citar um exemplo: o pobre vê-se sem dinheiro apenas -- mas o rico o vê como periférico, burro, analfabeto, sujo, inferior etc. Estou dando o exemplo da pobreza, só para estabelecermos ´etwa denkbar´ acerca de tantas outras atitudes que permeiam sobretudo e notadamente ainda a nossa sociedade brasileira.
grato
wilson luques
   



Escrito por wilson luques costa às 14h02
[] [envie esta mensagem] []



Nesses dias venho me empenhando na leitura bilíngue do Tractatus. Como já disse aqui nesse blog, não tenho tido dificuldade na sua leitura. Agora nem checo quase a tradução em português. E isso que é gostoso: quando nos vemos avançando numa tal tarefa. Chego a elaborar até uma tradução que se distingue da que está no livro. São aforismos também, e todos pertinentes ao campo filosófico. Quanto ao sistema do Witt, eu não me interesso muito, nem sei do que ele pretende falar. Mas vou tentar fazer algumas aulas sobre ele em algum lugar. Mas continuo achando que Witt não disse absolutamente nada que pudesse revolucionar a filosofia. E vou mais além, me desculpem: não fez mais do que fiz no PZ! Ah, isso não! E assino embaixo. E desafio aquele que discorda para um debate.  



Escrito por wilson luques costa às 13h36
[] [envie esta mensagem] []



PÁGINA ABERTA - CANAL 14

Em 2002, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, eu, Jocenir e tantos outros escritores desconhecidos do Brasil, demos depoimentos sobre literatura. O que eu posso dizer é que o meu foi provavelmente descartado. Liguei no 220 e fui. A jornalista queria uma coisa clean, mas não adiantou. Fui falando como se estivesse no botche do Gérsão. Sem preparar nada. Li uns trechos dos Granizos. Ela se assutou quando me perguntou: `então o senhor é um escritor brasileiro?` -- no que eu repondi: ´não, eu sou um escritor universal` É mole? Eu sou maluco mesmo. Depois me arrependi, mas já era tarde! rs... E o pior ou melhor é que me formei em jornalismo por lá em 1983. O tempo passa! 

´A Associação de Cultura Latina do Brasil (ACLB), entidade internacional que reúne artistas, escritores e pesquisadores de países de língua latina, promove anualmente um evento para destacar as pessoas e entidades que contribuíram com a cultura latina. Em novembro, no auditório da OAB/SP, 17ª seção, a ACLB entregou  à TV UMC, da Universidade de Mogi das Cruzes, o prêmio de TV do Ano 2001. O reconhecimento foi pelo programa literário Página Aberta, produzido pela TV UMC em parceria com a União Brasileira dos Escritores (UBE). O programa entrevista autores brasileiros, estimula a leitura e vai ao ar pela tevê comunitária de São Paulo e em tevês universitárias.´



Escrito por wilson luques costa às 17h05
[] [envie esta mensagem] []



CORRESPONDÊNCIAS
 
Olá Prezado Paulo,
 
Eu que agradeço pelo retorno e pelas suas palavras. Eu, até 2 anos atrás, estava muito empenhado nisso tudo. Mas me desgastei bastante. Hoje estou querendo a minha paz interior. Cansei de dar murro em ponta de faca. Você me parece ser um ser humano muito bom, e é disso que o mundo está precisando. Eu, particularmente, frustrei-me muito com a ambiência acadêmica plena de rasgos narcísicos. Mas se não for lá, onde iremos repercutir as nossas idéias? A idéia de paradoxo é uma idéia bem mais ampla que o PIN. Você tem razão que o PIN advém do PI -- mas ninguém ousou tal derivação. É claro que podemos apor simplesmente -a = -a -- como já se faz com o PI. Mas o propósito é justamente colocar o equilíbrio de forças embasado numa certa derivação lógica -- você deve ter percebido que o PI coloca-se sempre como uma estratégia da razão, que invariavelmente tende a um escopo político ou não e com um certo matiz. Quanto a saber sobre o zero na grécia, ´há um livro sobre a história do zero.´ Mas a idéia não é refutar Aristóteles ou Parmênides -- mas sim dizer aos que acreditam na matemática como fundamento racional único -- e não é só isso também...`


Escrito por wilson luques costa às 16h48
[] [envie esta mensagem] []



CORRESPONDÊNCIAS COM PAULO GRAVINA - MESTRANDO EM LITERATURA/PUC-RJ

Olá, Wilson,

obrigado pela resposta! O seu paradoxo do zero é bem interessante e parece evidentemente verdadeiro, já o princípio da identidade negativa parece implícito no próprio princípio de identidade. Bom, também sou estudante e não sei se posso te ajudar muito. Mas de certa forma entendo a indicação do professor da PUC-SP para o doutorado, porque imagino que fazer uma ressalva no princípio de identidade seja muito mais complexo, em termos de estudo e de desdobramentos, do que o que está proposto no seu e-mail. Falo isso sem querer desmerecer a sua descoberta, mas cito, apenas a título de exemplo, a tese de doutorado de Cláudio William Veloso sobre a Mímesis (publicado pela editora Discurso sob o título "Aristóteles Mimético") que é monumental e uma das coisas mais geniais que li nos últimos tempos. Você teria que começar pesquisando o estado da questão do PI (eu não saberia por onde começar...) e responder a todos os autores que trataram do assunto.

Também não quero desestimulá-lo, acho que é um trabalho que vale a pena e trará bons resultados. Para fazê-lo no exterior (como você sugeriu) eu recomendo que você visite o site da Capes (
www.capes.gov.br), que oferece bolsas de doutorado pleno, sobretudo para as áreas de ciências exatas. O problema é que os prazos de inscrição costumam ir até março, mas dê uma olhada lá se tem alguma oportunidade no momento, ou, talvez, tente no ano que vem. A Comissão Fulbright (www.fulbright.org.br) oferece oportunidades semelhantes. Você também pode tentar se inscrever diretamente nas universidades americanas (procure em "International Applications") ou européias, que, em geral, oferecem bolsas de isenção.

Sei que as coisas estão difíceis no Brasil e que vai ser difícil conseguir alguém para orientar o seu projeto, mas ainda há alguns bons professores de filosofia e matemática pingados por aí. Lembre-se que mesmo as idéias mais geniais demoraram anos para serem reconhecidas e divulgadas e muitos pensadores ficaram séculos esquecidos.

Eu sou leitor do Olavo de Carvalho e acho várias idéias e análises dele geniais, embora quase sempre cercadas de um mar de brigas que nem começo a entender. O Antonio Cícero eu conheço só dos textos que escreveu sobre poesia, mas nada me marcou realmente. Não vejo como nenhum dos dois pode te ajudar, exceto talvez divulgando suas idéias.

Espero ter ajudado. Boa sorte com o seu projeto e mande notícias mais detalhadas depois.


Abraços,
Paulo.



Escrito por wilson luques costa às 10h19
[] [envie esta mensagem] []



O DIA QUE FUI CHAMADO DE GÊNIO

Vocês notarão que sempre volto a um tema no blog, uma porque as pessoas têm uma certa desídia em pesquisar as datas, e outra porque o blog é o meu jornal nacional, a minha folha de são paulo, o meu estadão, o meu bild qualquer coisa. E eu como editor desse jornal, não faço outra coisa do que mimetizar o que os próprios jornais fazem -- escrever o que me interessa -- e o que me interessa -- afora todo o narcisismo - sou eu mesmo. Uma porque sou pessoa totalmente desinteressante para sair num desses cadernos culturais. Então, hoje, eu como editor -- aliás -- ao contrário de muitos que se chamam de jornalistas sem ao menos ter sentado num banquinho de comunicação social -- e não vou falar aqui -- porque posso sofrer um processo -- mas entrem no wikipedia e vejam os jornalistas e depois digam-me se eles têm a exigida habilitação -- portanto isso significa dizer que os éticos e propugnadores da ética e formadores de opinião não dão o devido exemplo. Mas não era isso que eu estva falando não...! E o que era? Ah! Era sobre a minha profissão como editor aqui desse blog. E como sou muito autocentrado, escolhi para o lead de hoje O DIA QUE FUI CHAMADO DE GÊNIO. Bem, eu sei que isso irrita deveras as pessoas -- e querem saber de uma coisa -- nem inteligente eu sou, muito menos gênio -- mas o fato é que se não me falha a tal memória - num determinado dia de 2004/5 -- por aí -- eu estava lá na FNAc -- lá na parte das revistas, quando, de repente, avistei o senhor Ferando Jorge -- senhor assaz rato de bibliotecas e sebos -- tópos oportuno onde pude conhecê-lo -- e ele me perguntou o que eu estava fazendo -- e folheando uma revista -- e eu lhe disse que eu estava estudando grego e perdendo um mestrado em philosophia na puc -- quando me falou de um colega seu que estudava grego e disse-me ainda que achava a sonoridade muito bonita -- quando que de repente pediu-me para falar uma frase -- no que informei que o grego era mais instrumental -- mas como tinha umas frases já feitas, eu as balbuciei -- e ele me falou que eu tinha uma dicção muito boa -- e aí perguntou-me mais -- e eu lhe disse que vinha desenvolvendo uns estudos e lhe falei se eu podia em dois minutos ali lhe demonstrar -- no que anuiu de imediato -- só pedindo para irmos na parte dos fundos e de fora da livraria que dá para a Al. Santos. Ali mesmo comecei a falar do Paradoxo do Zero, quando repentinamente ele me falou: ´eu já entendi, com aquela voz dele bem postada, você garoto é um gênio, e começou a se curvar em minha direção -- e disse-me assim -- eu me curvo à sua inteligência -- aí nessa cabeça ..não sei não... deve ter uns neurônios a mais ... se você morasse na europa você teria uma estátua ... mas no Brasil é assim mesmo ... e eu lhe disse: muito obrigado seu Fernando... que é isso... e eu com aquela blusa e aquele jeans e continuava ... e você humilde assim... muito obrigado seu Fernando... Depois foi falando de gênios mesmo da humanidade que não tiveram o reconhecimebto em seu tempo... Pediu-me para lhe mandar o material, coisa que fiz na mesma semana ... disse-me depois que o texto saiu no painel do leitor da revista imprensa -- mas nunca mais tive um contato pessoal -- a não ser um último na livraria duas cidades... Saí de lá e encontrei-me depois com a Raquel perto do Masp... e disse-lhe assim: sabe, Raquel, eu encontrei com um jornalista e falei do PZ e ele começou a se curvar diante de mim e começou a falar que eu era um gênio... nossa, eu estou até assustado... E ela quieta me olhando... De lá seguimos para a rua Augusta para encontrarmos uma colega poeta que lá nos aguardava.     



Escrito por wilson luques costa às 12h16
[] [