O SIMULACRO DO FUTURO - Miscelâneas rapsódicas
   
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Resposta a uma questão concernente à Ética Socrática/ Unesp

 1 . Qual a novidade proposta por Sócrates?

Resposta: Cabe salientar que não é por ser novo que passa por verdadeiro e insofismável.

Conforme excerto do texto: ´Sócrates irá dar grande atenção ao homem enquanto objeto de estudo, sobretudo no que diz respeito à Ética... O homem se torna objeto de investigação sob o ponto de vista ético...Sócrates não aceita por completo o modelo educativo dos textos atribuídos a Homero... Sócrates propõe um novo modelo, onde as ações moralmente boas seriam determinadas não por modelos já dados, mas, de certo modo, por paradigmas buscados pela razão. A razão de certo modo, poderia direcionar o homem para as boas ações...`

O problema, a meu ver, no texto é a falta da explicitação racional da razão socrática e da definição das coisas boas e justas fundadas pela própria razão; nesse sentido, a guinada socrática assemelha-se mais a uma determinação deificada do que da própria razão -- o que muda é um tipo de inserção da autonomia humana que não poderíamos e nem deveríamos confundir como racional,só por ser intelectiva -- leia-se emanada de uma escolha do pensar do homem e não da razão lógica.



Escrito por WILSON às 16h12
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Estou gravando alguns textos, poemas e pensamentos filosóficos. Quanto ao primeiro texto já tenho outro áudio, no qual elucido uma possível dúvida que pode surgir entre pensamento lógico e indução. 

Obs: O haicai Pomba não é meu. Quem declama é Kavi Mauna.    

# Não preparo um pré-texto. Vou falando conforme surge o pensamento, por isso as erratas que podem ser constantes.  

http://soundcloud.com/kavi-mauna/tracks



Escrito por WILSON às 15h08
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http://soundcloud.com/kavi-mauna/tracks



Escrito por WILSON às 14h56
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http://soundcloud.com/kavi-mauna/wilson-luques-fen-meno-poesia



Escrito por WILSON às 11h34
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Muitas vezes exageramos na questão da linguagem. Eu particularmente me interesso muito pela linguagem, mas às vezes exageramos no sentido de não retratar o mundo, os fatos do mundo etc; uma mesa é uma mesa desde que concordemos, porque se abastrairmos numa sucessão infinita tudo virará uma torre de babel. A questão é que por mais que tenhamos perspectivas, acabamos por fim compreendendo que um lápis é um lápis; claro que o lápis pode ter outros usos, mas não dá para entrar num redemoinho filosófico. Não se trata de dogmatismo ou ceticismo mas de clareza axiomática; e não me perguntem por quê; porque até a sua pergunta não terá sentido.



Escrito por WILSON às 18h08
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Daniel Piza

Algumas vezes cheguei a ler textos de Daniel Piza. Era jovem e cioso de um conhecimento antes do tempo. Certa vez encaminhei um e-mail a ele e ele retrucou e  eu lhe retruquei ; era referente à filosofia; depois calou-se como muitos fazem; a melhor forma de vencer uma discussão é o silêncio, se você é ou está no status de ouvidor. Daniel Piza escrevia sobre quase tudo. Eu não tinha a mesma linha de seu pensamento, mas respeitava. Apesar de respeitá-lo eu sentia algo que me não identificava com ele; o mesmo ocorre com outros jornalistas; há uma empáfia silenciosa, meio dândi que não me agrada neles. Não li seus livros. Folheei o livro de Machado. Daniel apensou uma xeox com algumas palavras em grego de Machado; mas Machado era um incipiente no grego; há certos atos falhos que nos informam a totalidade, dizia-nos Freud. É evidente que é interessante saber que Machado estava querendo aprender o grego; mas o problema é que informações são normalmente manipuladas e até amplificadas dependendo do interesse que a notícia pode vir despertar. Vejam; quase todo mundo oculta a não formação básica e primária de Machado de Assis, e também ocultam a passagem direta de Drummond direto à Faculdade de Farmácia, sem mostrar antes que ele fora expulso do colégio em Petrópolis... Por que, hein?  De fato, a biografia é uma das formas de reiventar um personagem para o bem ou para o mal, tudo dependendo da mera vontade ou não do seu Deus-biógrafo-mor...  



Escrito por WILSON às 17h39
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A nossa curiosidade

Recebi um e-mail fazendo uma ressalva ao me posicionamento quanto ao texto abaixo; talvez seja verdade que não nos interesse se Daniel Piza bebia, fumava ou coisas desse tipo; a resslava coloca-se nesse patamar, e eu acabo concordando quanto a isso. Sempre dizemos que a vida das pessoas não nos interessa. Não nos interessa saber se Bob Marley cheirava, ou que Jobs usou heroína, ou que Freud aviou cocaína a um próximo, ou que Baudelaire usou ópio ou coisa similar, ou que Pound era anti-semita, ou que Balzac tomava xícaras e xícaras de café, ou que Proust era um homossexual, ou que Poe vivia na sarjeta, ou que JK e Getúlio Vargas eram afeiçoados em demasia ao sexo oposto, que Borges talvez nunca tenha tido sexo ou mesmo Immanuel Kant, que Nietzsche foi parar num prostíbulo e contraiu sífilis, que Cioran tinha insônias em Bucareste, que Dostoievski e Machado de Assis sofriam de epilepsia, que ainda Machado de Assis era pobre, taciturno e tartamudeava e que suspeitou certa vez e foi motivo de suspeitas de adultério junto a Carolina. Tudo isso para dizer que essas coisas não nos interessam e que não deveriam interessar -- tampouco aos jornalistas e biógrafos que desavisadamente nos informaram; e tampouco interessa também saber quem mo escreveu ou como eu soube dessas coisas... Viu, seu curioso? 

# Agradeço o e-mail de quem muito admiro.



Escrito por WILSON às 17h14
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Já não se fazem jornalistas como antigamente

Quem acompanha os meus textos sabe que eu sempre recorro a essa temática da formação; talvez porque tenha me marcado negativamente deveras; mas escrevi alguns textos levado por uma reflexão que não é incomum no que concerne ao jornalismo pastiche e mimético que é praticado hoje em dia. Vocês podem perceber que existe uma cópia das notícias com algumas alterações aqui e acolá para não dizermos que se trata de plágio. Percebi isso quando da triste e lamentável morte de Daniel Piza no sábado na véspera do ano novo. Tudo o que um blog dizia o outro dizia ipisis litteris. Eu queria saber da vida do jornalista, do modus vivendi, do que antecedeu ao avc, se tinha vícios, se reclamava de alguns problemas; ou seja, informações jornalísticas que não obtive no momento nem no domingo quando receberia a Folha em casa; mas a Folha também não chegou. Isso significa dizer que temos noticiário em tempo real, mas não temos um jornalismo minucioso, detalhado com informações precisas. Hoje se você já leu a Folha, você já leu o Estadão, a Veja e outros diários; sem dizer ainda que o jornal virou mesmo o embrulhador de peixe velho, porque tudo já  estava na internet no dia anterior. Pelo que eu saiba, até hoje não fizeram a anamnese do Daniel Piza. Se ele estivesse vivo, eu juro que ele daria uma senhora bronca no patrão.



Escrito por WILSON às 13h08
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Meu périplo acadêmico 

Depois de me formar em jornalismo, continuei estudando como autodidata e esqueci dos bancos escolares; e para mim isso era para sempre; passara aquela veleidade de trabalhar num jornal. Gostava de frequentar livrarias e sebos. Fiquei muito triste com o desaparecimento da Brasiliense e de muitas outras livrarias ao longo dos anos como a Teixeira, Ediouro, Belas Artes, 5a Avenida, Duas Cidades e tantas outras para o surgimento das megastores como a Livraria Cultura que eu já frequentava e a Fnac. Os sebos de São Paulo mudam a todo instante. Antes se concentravam mais na região central, eram mais próximos dos Campos Elíseos; alguns migraram para a Liberdade. Foram dias e dias frequentando sebos e livrarias. Fui consulente assíduo do Sesi, Sesc, Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Mario de Andrade e tantos outros. Mas eu sempre gostei de comprar os livros ao invés de locá-los. Em 1987 fui cursar Administração na Universidade São Judas, mas desisti no último ano. Só fui retomar os bancos escolares em 1999 para fazer mestrado em Educação, mais por curiosidade e incentivo de meu amigo Camelo Ponte. Gostei, mas não fiquei mais que dois anos. Tive boas aulas nos Salesianos. O que mais curti foi a sua arquitetura e a sua história. Os Salesianos tem aquela pompa arquitetônica, sem falar na sua tradição - sobretudo do colégio. Por lá passarram Grande Otelo, inúmeros políticos, clérigos etc; a lista é grande. As aulas foram muito legais. Mas senti que eu não queria desenvolver nada. Eu queria mais curtir as aulas e menos desenvolver qualquer tese. Em 2001, participei de um grupo de estudo a distancia na USP. Lá concluí com os demais colegar a pós-graduação. Reuníamos na casa do Ponte, quase todo sábado, alguns dias de semana e alguns domingos. Líamos um material bem denso adredemente preparado com relatos, cartas etc atinentes a um tema muito em voga hoje que é a violência contra crianças e adolescentes. Fiz mais por ser a USP. E eu precisava de uma maneira ou outra do selo USP. Fiz mais para não me encherem o meu saco de USP. A todo momento me perguntavam se eu era formado na USP. E isso me descredenciava um pouco. As pessoas precisam do ISO. Mas isso me exortou a estudar na PUC. Lá sim foram aulas muito instigantes. Chego a dizer que foi o melhor curso que fiz na minha vida. A PUC tem grandes professores e são muito instigantes. Sem falar no corpo discente que é muito competente e competitivo também; mas não prossegui por inúmeros motivos; desde financeiro, passando por ordem estritamente subjetiva. De lá fui para o mosteiro de são Bento estudar os primeiros passos do grego. No começo não entendia nada. Mas insisti e me esforcei. Começamos mais ou menos com 20 alunos até chegarmos a quatro, cinco, seis, sete, oito, dois, um, variando. O problema para mim é que o professor viu em mim, talvez, alguém que não queria seguir a carreira acadêmica em grego como muitos que fizeram o curso com ele. Um exemplo é o Júlio que é um jovem de uma inteligência tamanha. Eu, às vezes, tinha uma certa dificuldade em acompanhar certas traduções; uma porque o professor se comunicava mais com os alunos no decorrer da semana; e quando eu chegava no curso tinha ficado para trás sobre algumas passagens que necessitavam das dicas do professor. Vejam a importância de um magister.  Percebi isso; mas mesmo assim continuei. Pretendo voltar um dia. Eu, na verdade, gosto mais de estudar a gramática grega; com os textos não me empolgo muito. Depois fui fazer latim e acumulei com outro curso de alemão. Vejam a bagunça que criei na cabeça; apensando a tudo isso os meus problemas pessoais que não eram menores. Das aulas de latim, lembro-me do professor Basseto. Professor aposentado da USP. Aprendíamos mais filologia e histórias magníficas que contava na sala, a ponto de não termos nada, ás vezes, de gramática; e isso fazia eu recorrer ao Napoleão de Almeida que até hoje recorro. É preciso reconhecer que essas línguas instrumentais são um outro tipo de línguas; dificilmente temos uma proficiência como no inglês, coisa que não tenho também; são línguas mais para pensar e entender. Há uma lentidão agradável a contrapelo dessa modernidade fast food. Não prossegui no alemão no mosteiro porque não houve alunos inscritos; quanto ao grego e ao latim, fui informado que foram incorporados ao curso de graduação de filosofia, que de uma certa maneira dá um certo status ao curso. Digam-me qual universidade de filosofia tem grego e latim em sua grade? E a Faculdade São Bento tem. Há uns colegas da PUC que lecionam lá. Digo colegas; não amigos nem inimigos; colegas da PUC que são mestres e doutores e pós-doutores hoje. Quase toda, para não dizer todas, universidade é um poço de vaidade; e aí ou você resiste ou ataca com vaidade - coisa que Nietzsche denominava de fraqueza - mas essa vaidade antes de ser perniciosa; e é; é ao mesmo tempo muito incentivadora, porque cria a competividade intelectual que se de um lado não é bom, por outro nos faz estudar mais e mais. O meu problema talvez seja a minha formação anárquica;  e isso de uma certa forma me faz um pouco reativo à submissão que é um ingrediente universal em toda universidade. Mas isso não significa que eu parei de estudar. Fiz um curso, como já relatei aqui de equivalência em filosofia pelo Claretiano; ou seja, abandonei o mosteiro de são bento e a Faculdade de São Bento para cursar o Claretiano a distância. Hoje, retomei o ensino a distância na UNESP pelo incentivo do Governo do Estado de São Paulo. Pretendo retomar ainda o stricto sensu em alguma universidade federal ou estadual. Mas não sei, com efeito, se vou conseguir elaborar uma tese. Gosto muito de pensar e anotar. Eu tenho uma relação estranha com a universidade de amor, ódio e desdém. Mas espero encontrar os meus pares. Estou sempre pensando e anotando e estudando filosofia, poesia, economia e inúmeros temas. Eu sei que tudo isso de uma maneira ou outra me leva numa espiral que eu efetivamente não sei aonde vai dar. E é isso que dá o sabor da minha caminhada. Sou como Ulisses que procura entre os escombros reencontrar o seu caminho, se é que tivemos um único um dia.               



Escrito por WILSON às 18h47
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Memórias da escola e da vida

Lembro-me de uma cena do meu primeiro dia de aula no Carvalho Senne. Não lembro propriamente da aula. Aliás, recordo-me de alguns momentos que me ligaram à escola num todo. Tenho lembranças de fatos e não propriamente das aulas. Se hoje escrevo aqui, creio que isso tem a ver com as aulas que tive, mas que não me recordo mais. Do meu primeiro dia de aula, e penso que essa cena está ligada a esse dia, recordo-me de uma flor meio avermelhada que tinha em profusão nos muros da escola. Era um dia de sol de 1967. Não lembro, no entanto, se era minha mãe ou a minha tia que me levara. Nem me lembro do trauma ou alegria do primeiro dia. Lembro sim de uma prova oral que fazíamos no final do ano e que tirei 98. As notas iam até 100 naquela época, mas depois mudou para 10, 9, 8, a, b, c, d, e... Fiquei em segundo lugar, só atrás do Carlos que vez em quando vejo aqui na vila ré. Pelo jeito o Carlos não prosseguiu nos estudos. Mas tinha caligrafia. O que mais lembro é dos meus colegas Zé Luiz, João Luiz e o Du, que fiquei sabendo que faleceu. Lembo vagamente de uma aula de matemática de produtos notáveis e da minha dificuldade em realizar certos problemas. Lembro-me do professor Oduvaldo de Biologia que era um pouco irônico comigo, porque a minha nota era 5 ou 4 sempre. E ele fazia um tipo de suspense e dizia: 4 com louvor e nós ríamos à beça. Ou me ameaçava com um inaudito dez e dizia 2,5 e eu ria mais ainda. Notem que eu não era diferente de muitos de agora. Lembro-me também de uma professora de biologia que brincava muito comigo e que me chamava de chanceller pela minha não adiposidade e eu lhe respondia sou o fino que satisfaz que era o bordão do cigarro e ela ria um riso lindo, porque era uma loirinha linda e novinha. De portugués lembro daquelas aulas enfadonhas da Teresa. A Teresa posava de séria, mas descobrimos que teve um caso com o professor de matemática e aí ela se pirulitou do colégio para o nosso alívio e alívio dela também. Tive aulas de inglês com um professor bem fresco que nos fazia dizer th (d). Nas aulas de música com a Eliana solfejávamos e admirávamos a belíssima professora. Fazíamos também um pouco de algazarra com sol, lá, si, dó ré....e ríamos a rodo. Nas aulas de francês eu me recordo de um painel com os diálogos. Decorei toda uma lição, que até hoje me facilita para a leitura do francês. Em química só jogava sete e meio. Hoje corro atrás. Não tínhamos filosofia. Mas tenho o livro Diálogos de Platão daquela época. Tenho saudade do futebol de campinho nos terrenos baldios próximos da escola. Das aulas de física eu não gostava porque eram depois das onze da noite. Era a chamada sexta aula. Saíamos onze e meia ou onze e quarenta. Escrevo isso por julgar muito pouco o que recordo da escola, porque foram onze anos contando com a minha reprovação no segundo colegial. Mas a escola nos marca de uma maneira ou outra. Não levo lembranças decisivas na minha formaçao. Nem posso dizer que esse ou aquele professor me marcou indelevelmente como muito se diz por aí. Tenho lembranças. Sei que aprendi muitas coisas e principalmente com a vida que é outra escola. Mas é pena que a vida nem os livros não nos dão nenhum certificado. É como dizia Schopenhauer : as pessoas estão mais interessadas naquilo que você representa, do que naquilo que você efetivamente é´. E convenhamos: não somos um mero certificado dependurado na parede da sala ou somos?       



Escrito por WILSON às 16h37
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 O MEU CURSO DE JORNALISMO VIRTUAL

http://www.umc.br/instituicao/7/a-universidade

Sou formado em jornalismo. Mas nunca atuei num jornal. Formei-me nem sei por que motivo. Como eu gostava de futebol, optei por jornalismo. Talvez para suprir o meu sonho de ser jogador de futebol. Mas dista tanto tempo que nem sei o motivo mesmo. Fiz jornalismo na umc. Uma porque não passei na usp. E eram essas as únicas opções para um capiau da vila ré como eu que só gostava do corinthians e de jogar bola. Eu não gostava nada nada de estudar. Eu lia, se lia, só o frontispício do jornal afixado na banca lá da vila granada. Mas nem sei como se deu o vestibular  na umc. Consta que fui classificado em trigésimo terceiro lugar. A umc é longe daqui, imagine nos anos 80. Precisamente no ano de 1980. E foram viagens naqueles trens abarrotados de estudantes que eu ia todo dia - mas nem ligava para as aulas, como já tive oportunidade de relatar aqui em outros posts. Eu ia lendo alguns livros que a Editora Brasiliense lançava. De modo que a minha faculdade foi a Brasiliense, as revistas, os jornais e não a umc. Eu lia no trem, indo para a universidade e voltando da universidade e depois em casa até uma ou duas da manhã e depois logo pela manhã voltava a ler nos ônibus lá pelos cinco ou seis da manhã. Li Kafka, Sartre, Simone de Beauvoir, Camus, a Folha de São Paulo, Veja e até bula de remédio. Foram momentos de muitas leituras. Principalmente literatura contemporânea da época, clássicos como Balzac, Tolstoi, Dostoievski etc e muita política. Em dois anos eu já discursava melhor que hoje - se querem saber. Ou seja, me lembro de um dia que me peguei lendo no fundo da sala de aula e um aluno me dizendo que a aula tinha acabado e que eu ia perder o trem. Lembro-me também que eu descia para tomar um café no intervalo e que subia rapidamente para continuar alguma leitura. Eu nem frequentava as aulas de redação nem nada. Não me recordo de nenhum professor nem de colegas. A não ser de alguns colegas que pegavam o trem comigo. Li quase tudo dos Primeiros Passos e uma mancheia de livros e jornais, principalmente a Folha de São Paulo. Lembro-me que ficava sabendo das provas no dia. Alguém me dizia assim: você estudou para a prova de sociologia? E eu redarguia: mas que sociologia? Ou: você preparou o trabalho de rádio? E eu respondia com outra pergunta: mas qual trabalho de rádio? Ou seja: não fazia absolutamente nada. Eu acho que nem caderno eu tinha. Eu tinha livros. Ah, isso  eu tinha. E não era um somente. Eram vários. Era uma biblioteca ambulante. Só sei que certa vez tive que fazer às pressas um programa de rádio. Lembro-me que estava na seguradora onde eu trabalhava. Era hora do almoço e me pus a inventar uns diálogos com um monte de LP que eu colecionava. Tinha de Djavan, Chico, Gil, Caetano, Alceu Valença. E eu inventava patrocinadores e colocava música. Inventava notícias: roubos, festas, assasssinatos e colocava música. Esse era o meu script, só para me livrar do trabalho final. Sei que cheguei na universidade e me indicaram o estúdio que eu nem sabia onde ficava. Houve um colega que tinha uma família suicida que me ajudou me dando os sinais da locução. Sei que fiz o trabalho e gostei da brincadeira. Nem sei como entreguei a fita. Era uma fita cassete. Dizem que o professor era da Jovem Pan. Chegando na Vila Ré, lá pelas onze horas, parei no bar do gérsão que era o meu point e mostrei para uns colegas que colocaram a fita no casset de um fusca. Recordo-me que os caras gostaram pra caramba. Talvez pela minha voz que é forte e que muitos já elogiaram e até hoje elogiam. Mas nunca atentei para isso. Podia ser um radialista como me dizem até hoje. Sei que estou formado por uma universidade que nunca me envolvi a contento. Fiz sim a Faculdade da Brasiliense. Recordo-me ainda que fui com o meu colega Geraldo fazer a minha colação. Lembro-me muito bem da assinatura e do orgulho da minha formação acadêmica. Após a minha formação, entrei num processo depressivo, porque queria trabalhar num grande jornal e continuava a trabalhar numa seguradora de pelegos para a época. Hoje, todo mundo é revolucionário e progressista! Arre! Dali em diante nunca mais parei de estudar. Ou seja, sempre fui um aluno virtual. Como se diz: estou lá, mas estou sempre por aqui, principalmente com os meus livros. Eu fui, com efeito, talvez, o primeiro aluno virtual que apareceu na história desse nosso Brasil; se é que me faço entender... Se eu tivesse entrado na usp, sinceramente, não sei o que seria de mim nem daquela minha parca biblioteca...



Escrito por WILSON às 13h49
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Não sei como as pessoas não conseguem se divertir com o Olavo de Carvalho. O brasileiro pensa ter senso de humor, mas, infelizmente, não tem. O Olavo de Carvalho vai na veia e no fígado dos chamados doutores acadêmicos. Por favor, tenhamos um pouco mais de galhardia com o riso. A nossa vocação é o riso e o bom humor. Isso é que dá o cara pedir as credenciais a um cara superior a ele.

http://www.youtube.com/watch?v=W09CPnwj-SQ&feature=related



Escrito por WILSON às 12h18
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Tenho passado os dias lendo jornais e lendo capítulos aleatórios de Istambul de Pamuk e retomando os estudos de algumas gramáticas greco-latinas. 

Hoje comprei um livro de crônicas de Otto Lara Resende e o último livro de Giannotti; devo lê-los daqui a pouco. 

Releio sempre também os meus dois livros; mas sempre me causa alguma insatisfação que não é a mesma.

Livros editados jamais deveriam ser relidos pelo autor.

Fiquei em dúvida em levar Hitchens, mas muito caro; preferi um all star que eu estava precisando; mas será o meu próximo livro de cabeceira.

Aqui na zona leste há um sebo que não perde nada para os grandes sebos do centro; aliás eu julgo-o até muito melhor; mas por enquanto não conto, porque deverei buscar mais alguns livros. 

Tenho postado algumas brincadeiras com Hitchens que era um ateu vigoroso como Dawkins; aliás deixei de comprar um Dawkins hoje também; a brincadeira não é contra Hitchens que me parece deveras sagaz e dos que gostarei com certeza; mas é porque não posso perder o efeito dos 140 caracteres do twitter. 

Às vezes brinco com os ateus não porque são ateus ou contra todo tipo de religião; mas é porque julgo-os um tipo de religiosos bastante dogmáticos; e isso para mim se torna até hilário.

Como os que acreditam em Deus esforçam-se com denodo em provar Deus, também os ateístas tentam em vão provar a sua inexistência, sem conseguir, todavia, prová-la pela razão.

Não falo de opiniões, mas argumentos que não são satisfatórios sob o ponto de vista estrito da razão.

Ou seja, o ateu é um tipo de fundamentalista, que não deixa de ser um espírito religioso também.       

Eu, particularmente, não me identifico com muitos que se dizem poetas, filósofos, escritores, conservadores, liberais etc; por exemplo: quando eu era jovem, com os meus vinte e poucos anos eu era um simpatizante da esquerda e detestava a direita; mas quando conheci alguns esquerdistas também me afastei porque os identifiquei com muitos da direita pelo modus operandi;

Ou seja, havia muito mais similaridade entre um esquerdita e um direitista do que um esquerdista com outro esquerdista; e aí eu perguntava: por que eles não estão juntos se pensam da mesma maneira e diferente de mim? 

Hoje em dia também penso que as coisas se dão assim; há pessoas que não são de esquerda e me agradam e pessoas de esquerda outras que me agradam da mesma maneira; entretanto há outros que para mim me são indiferentes.

Por isso penso que a classificação é muito redutora; nunca na verdade gostei dessas classificações superficiais.

Hoje, sou muito mais conservador que outrora, porque não bebo, não fumo, não uso drogas.

A minha visão era de uma lente de binóculos diferentes; antes eu estava na proa do navio observando as vagas por outro ângulo; hoje já vejo as ondas que me passaram e que insistem em me passar; é evidente que podemos sempre reolhar, mas os olhos são outros.

Mesmo quanto aos livros ou aos acontecimentos se dá o mesmo; não temo coisas que eu temia; como temo coisas que não temia; gosto de autores que me eram irrelevantes e nem conhecia; não gosto de autores que antes cultuava e que agora me são irrelevantes também.

Esse é o processo da vida; e por isso a vida é bela com conservadorismo, liberalismo, anarquismo ou não.   



Escrito por WILSON às 18h43
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Monólogo do Sr. Prufrock

Crianças brincam pelo quintal

Há um corre-corre danado

O mundo (o nosso mundo)

Para elas não existe

O que existe - se existe -

É o mundo das crianças que brincam pelo quintal

Lá fora também há um corre-corre danado

Mas não é o corre-corre das crianças que brincam pelo quintal

Lá fora são outras correrias

É um quintal inóspito para as crianças e para mim

Que estou na cama aqui deitado

Esse quintal um dia será delas

Como foi meu também outrora

É nele que essas crianças vão correr e brincar

Ou quem sabe o quintal brincar de brincar com elas.



Escrito por WILSON às 17h57
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