O SIMULACRO DO FUTURO - A MINHA CARNAVALIZAÇÃO
   
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos
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Ando meio sem tempo para postar, e também sem muito interesse de minha parte. Mas eu vim postar aqui mais uma ideia meia maluca de minha parte. A saber: ontem conversando com um colega físico, defendi que se houver um número finito, esse número será x + 1. Vejam, eu não afirmo que esse número seja um número finito, mas se houver um número finito será x +1. É como contra-argumentou o colega: ele disse que se trata de uma afirmação axiomática. E eu concordo. Na verdade, trata-se de um tipo de número algébrico, por isso a estranheza. Porque queremos números naturais e inteiros para nos aclarar o pensamento. Eu pretendo desenvolver mais as minhas ideias. Mas por enquanto é isso. Trata-se de uma discussão menos matemática do que filosófica.

Adendo: eu simplesmente poderia afirmar que x seria esse tal número finito. Simplesmente posto e colocado como uma incógnita. O que seria também possível. Mas eu usei de um outro estratagema: considerei que esse tal número x fosse o penúltimo número e daí inferi que o último número fosse x + 1. É evidente que teríamos que demarcar que x + 1 fosse finito e nada mais além dele. E aí teríamos uma sucessão que retrocederia assim:  [x + 1, x, x-1, x-2.... 0]. Vejam o impasse criado por esse tipo de numeração finita. O problema não está mais em saber qual é o último número, posto que já sabemos, mas sim em saber como se passa desse tipo de número híbrido para os números chamados naturais.      



Escrito por WILSON às 15h45
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CRÍTICA NA SEPARATA DO MEU LIVRO CONTOS DE ARRABALDE

http://200.189.113.123/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/veiculos_de_comunicacao/OES/OES0212101/OES0212101_27.PDF?PHPSESSID=38510facf9be5a027fc9484095cbda4d



Escrito por WILSON às 11h47
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datilografe memorandos

arquive pastas e duplicatas

reestude o orçamento do mês

confira os saldos da conta

pague em dia o seu condomínio

leia o jornal de domingo

procure um emprego nos classificados

reelabore o seu curriculum

tente aplicar na bolsa

faça uma caderneta de poupança

não fique parado no terminal da vida

enquanto o seu ônibus

ou mesmo 

a sua ambulância

não vem 



Escrito por WILSON às 11h21
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Traição livre

Der blinde Mann, der auf der Brücke steht,
grau wie ein Markstein namenloser Reiche,
er ist vielleicht das Ding, das immer gleiche,
um das von fern die Sternenstunde geht,
und der Gestirne stiller Mittelpunkt.
Denn alles um ihn irrt und rinnt und prunkt.

Er ist der unbewegliche Gerechte,
in viele wirre Wege hingestellt;
der dunkle Eingang in die Unterwelt
bei einem oberflächlichen Geschlechte.



RILKE, Rainer Maria. "Das Buch der Bilder II". Sämtliche Werke. Frankfurt am Main: Insel Verlag, 1955.

 

O homem cego repousa sobre a ponte

 - nação sem nome -

como um ponto cinza.

Ele é talvez a coisa sempre igual --

longínquo vai junto à hora estrelada;

e o rosto
fulcral ponto
sossegado;

pois tudo perto dele erra e esvai e escorre...
         É o rejustificado
             ele
             silêncio
             na obscurecida   entrada do submundo   

           superficial
           a uma raça em meio...



Escrito por WILSON às 18h55
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No próximo 22 de setembro, fará oito anos do lançamneto do meu primeiro livro. São 34 contos. Gosto ainda de alguns; de outros, não. Há erros de digitação e de diagramação. Mas o primeiro ninguém esquece. Depois lancei um segundo totalmente diferente. E agora nesse blog, escrevo essas coisas minimalistas. Andei muito afeito à filosofia. E as minhas ideias estão por aqui. Mas valeu a pena. Abaixo uma crítica ao livro. Aguardo a proposta de uma grande editora. Se não ocorrer vai ficando por aqui. Minhas preocupações atualmente são outras; bem outras. 

Na sociedade em que vivemos, quando um lampejo e consciência invade nossas mentes, deparamo-nos com o seguinte dilema: será que somos livres de fato, ou simplesmente achamos que somos livres? Criamos um mundo à nossa volta e a partir dele passamos a ver, viver e vivenciar as contradições do mundo moderno, seja através da mídia impressa, televisiva ou eletrônica. Quantas vezes temos nossa privacidade exposta, quantas vezes temos de nos submeter (contra nossa vontade) a promessas vagas sendo que já conhecemos o resultado dessas mesmas promessas do nosso vizinho, irmão entre outros.. É nessa posição crítica que se ambienta o livro "Contos de Arrabalde". E seu resultado não poderia ser melhor. Com uma boa dose de sarcasmo, esta obra em certos momentos faz-nos rir até mesmo de nossa própria miserabilidade. Não que sejamos deliberadamente miseráveis, mas as situações nas quais somos expostos dia a dia nos remetem ao nosso "Conto de Arrabalde" particular. É uma obra na qual o leitor no mínimo poderá se deliciar com o jogo de palavras e eventualmente interagir com alguns dos contos ao se perguntar: será que qualquer semelhança é mera coincidência?



Escrito por WILSON às 20h24
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Pensou: tenho ensino superior, mas falta fazer uma pós.

Fez a pós.

Depois, pensou de novo consigo: e se eu fizer um mestrado?

Depois de dois anos: defendeu tese com louvor.

Não contente, foi fazer doutorado na Alemanha. 

Está numa cela especial.

E já estuda para fazer o seu PhD em Oxford. 

Sempre acreditou que estudar lhe traria benesses.



Escrito por WILSON às 15h51
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Troia Investimentos e Valores

Acordou cedo: às 4h45.

Fez o desjejum usual.

Na Radial Leste, ficou ilhado por mais de dez horas.

Tentou contornar pela Salim Farah Maluf. Mas logo se perdeu. 

No seu mp4 tocava no último volume acelerou da banda Calypso.

De repente, ventos tonitruantes vindos da margem norte.

No Aricanduva uma nova enchente.

Finalmente, às ...., tinha chegado em seu escritório: Troia Investimentos e Valores.

Os cofres todos saqueados.

No final da tarde, foi fazer no botche do Hermes seu Happy Hour tradicional --  ali próximo da sete de abril.

No outro dia, eram já seis e vinte e cinco de la matina, e ainda não tinha voltado. 

Com o titã Têmis Nêmesis Adamastor em seu colo, há muito que Penélope já tinha jogado todas as suas rendas emendadas e remendadas pelas janelas.



Escrito por WILSON às 11h49
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Custa-me

Reelaborar teus beijos

 

Falta-me a tua carne acesa

 

Falta-me o teu lábio rubro

 

Falta-me a destreza

- em estando só -

De ter-te plena 



Escrito por WILSON às 11h28
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Wednesday, November 22, 2006

 

Rei Tântalo

Colocaram-me no meio desse caudaloso rio

Lábios secos

Sede e fome incontroláveis

Em teu corpo

Meu corpo perdido

Esfomeado

Rei Tântalo

Sou

Tu

Néct

         ares de ambrosias



Escrito por WILSON às 20h13
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A deusa Afrodite

Era uma linda mulher, mas cruel e caprichosa.

Foi casada com o serralheiro do bairro.

Namorou com o cara mais briguento de sua rua.

Saiu, às escondidas, com o vendedor do baú da felicidade do Jardim Silvia

 e com o maior beberrão de lá da sua periferia.

Certa feita, foi flagrada com um jovem menino, um tipo maricas.

Teve três filhos de pais desconhecidos.

Nas redondezas, chamavam-na de Afrodite, a deusa.  



Escrito por WILSON às 10h55
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 a moeda do rico  

 iates  altas mulheres 

 champanha  daslu 

côte d'azur ... 

do jornalista   off   notícias    notícias

notícias...

do acadêmico   títulos

títulos   títulos

títulos 

honoris causa

artigos in revistas

especializadas

do príncipe    poder

poder   poder

poder e poder...

do povo  ludus  panis

circus...

do poeta  louros    louros

dóxa    dóxa  dóxa   louros

dóxas   louros... 



Escrito por WILSON às 18h53
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A menina com a fita no cabelo

Armando ia comprar pipoca com seu Zildo.

Conversavam sobre o majestoso das quatro da tarde.

Seu Zildo era são-paulino, apesar de ter nascido em Minas.

Armando era corintiano ferrenho, e acreditava na vingança alvi-negra.

Mas não desconsiderava o chute potente de Pedro Virgílio Rocha.

Armando orgulhava-se da brasilidade de seu time.

Nem técnico aceitava como estrangeiro.

"Corinthians é raça" - diziam ...

'Raça negra...'

'Amarela...'

'Portenha...'

'Árabe...'

Italiana também...?

- Também...

- Por que não...?

Armando comprava, com seu parco dinheiro, amendoins torrados,
que seus sobrinhos adoravam.

E ainda empinava pipas e arraias...

Uma lâmina afiada escondia-se no rabo da barraca vermelha.

Era empinada com cordonê no estirante.

Um de seus sobrinhos, quase que era levado pelo vento,
quando se distraía.

O mato comia as valetas... as borboletas esvoaçavam pelo quintal...

Libélulas nos entretinham com seu vôo assoberbado...

Eu... olhava as donas de casa fraseando o domingo...

A casa ainda apresentava-se incólume ao tempo...

Naqueles domingos, sequer o meu sonho era soterrado...

E eu ainda amava a menina com a fita no cabelo...


wilson luques costa
sp.02.11.2001

 



Escrito por WILSON às 12h39
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Cidade caudalosa

De espanto circulo

Por ruas

Vicinais

Avenidas



Escrito por WILSON às 20h24
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Sebos

Mais do que ser apaixonado pelo conteúdo dos livros, eu fui e sou um apaixonado pelos livros. Eu tenho uma relação de amor com os livros. Quantas vezes eu me vejo olhando para um livro, segurando-o em minhas mãos, hesitando em largá-lo; quantas vezes também perdi algum compromisso só por estar enamorado com um livro. Eu tenho alguns livros em casa. Sobretudo em minha parca biblioteca. E um dos meus maiores prazeres é tocá-los, folheá-los e trocá-los de lugar na estante. Só na minha estante mesmo para vermos Heidegger ao lado de Machado; Hume ao lado de um autor desconhecido; Arendt ao lado de...  Há certos dias que na minha biblioteca eu penso comigo: esse autor hoje vai ficar ao lado desse; esse precisa de uma influência desse poeta, aqueloutro precisa deslocar-se para o fim daquela prateleira; e assim passo grande parte dos meus dias quando não estou lecionando. Sou um amante também de livrarias e sebos. Houve uma época em que eu ia todos os dias aos sebos. Havia dias de total plumbealidade porque passava o dia todo enfurnado num sebo em meio aos livros e traças. O sebo principalmente ensina-nos muito quanto a nossa vaidade, mais que a própria livraria que é mais mainstream; o sebo não, no sebo vemos e tocamos em autores que jamais conheceríamos numa megastore. Nos sebos, todos poetas são poetas; todos escritores, escritores. O sebo faz pela literatura- e por todos - aquilo que as megalivrarias só fazem para poucos. O sebo é um prêmio, independente de sua literatura, ao escritor ou poeta. Por isso a minha homenagem ao sebista. No sebo, como poderia nos dizer o estagirita Aristóteles, a história seria contada pelos verdadeiros historiadores; também chamados de poetas dos alpharrábios.     

http://www.sebodobac.com/detalhe.asp?produto_id=10332



Escrito por WILSON às 20h47
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A máquina de onagro 

Palavras são

vento

Quisera

fossem palavras

Lanço

palavras

ao vento

No mundo

em que me conflagro

Eu poeta

Abraço-me

à minha máquina

De

onagro



Escrito por WILSON às 11h31
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