O SIMULACRO DO FUTURO - A MINHA CARNAVALIZAÇÃO
   
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos
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O BEIJO DA DEUSA NÉCTAR

Os meus lábios adoça

com o néctar que escorre

de teus lábios

(carne viva

incandescente brasa

um avatar

a legítima filha de Eros

diva)...

Beijando-me, sufocas-me sem ar...

Desfaleces inteira...

Não me privas

de contigo ter nos céus

ou no mar

este sonho perpétuo...

Não te esquivas...

Beija-me antes nos lábios que te tocam

como se fosses tu a Deusa do Olimpo

que célere desceu para as agruras

da terra...

Não me fujas, me resgata do Reno o ouro escondido

E para o Olimpo

Leda

subindo vai

sem amargura...



Escrito por wilson luques costa às 16h02
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A DEUS (a) JUNO

Como se diz

também não fui feliz

quando Juno chamou-me

pro seu leito

e como se fosse loba

mostrou-me os seus peitos

Da segunda vez

eu disse

agora é a minha vez

mas me dissaudi de todo aparato

que para mim de fato

já não me interessava

porque com meus ais

eu pensava comigo

não  nunca  jamais

foi quando pensei e repensei

é melhor tê-la em meus sonhos

do que andar entre as suas tetas

com meus lábios bisonhos

Daquele dia em diante

fiquei distante

resolvendo aqui ou acolá

nunca mais procurá-la 



Escrito por wilson luques costa às 15h48
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CURTAS

As minhas aulas foram proteladas em face da Gripe Suína.

E eu tenho me empenhado em fazer algumas leituras.

Estou lendo Kawabata: O País das Neves.

Estou estudando também os rudimentos do alemão.

Ontem fui com a Raquel até a Livraria Cultura.

Folheei alguns livros.

Lá na filosofia, peguei Aristóteles bilíngue e fiquei testando o meu parco grego.

Até que o texto me é bem próximo.

Tradução de Giovanne Reali e organização de Marcelo Perine, que foi meu professor no mestrado de filosofia na pucsp.

É pena que estou sem muito grana. 

Estou retomando também o velho hábito de ler e escrever em meio aos intervalos.

Por exemplo, enquanto aguardo a Raquel no seu cabeleireiro durante um período de seis horas, estudo alemão, descanso, leio Kawabata, descanso, leio Hatoum, descanso, leio Lacan, descanso.

Por isso, a minha mochila quase estourando, porque entupida de livros, que nem sempre leio, mas os carrego.

Eu era muito mais criativo na angústia e dificuldade.

Quando tudo está azul, eu perco o poder da criação.

É mesmo um processo meio heideggeriano de angústia que me acompanha.  



Escrito por wilson luques costa às 11h24
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Retorno a Ítaca

Eu além de lecionar no Ensino Médio para os jovens de 14 até 17 ou 18 anos, leciono, também para os adultos, filosofia. E cada um tem uma característica. Só que no chamado EJA - Educação para Jovens e Adultos as aulas são semestrais. E por conta disso, tive que atribuir uma aula em outro colégio -- porque onde estou lotado não formou uma sala. E o legal é que darei aula no colégio onde fiz a minha formação. Eu sei que as coisas mudaram. Mas nós guardamos certas recordações em relação à nossa infância. Eu lembro que fui um aluno razoável. Aliás, acho que dei um pouco de trabalho também. Mas nunca me destaquei muito. A não ser no primeiro ano, quando fui o segundo aluno da sala, ao ponto de ganhar um livro com dedicatória de minha primeira professora Neuza Ramos. Livro, aliás, que guardo com muito carinho em minha biblioteca. É incrível como é esse o nosso mundo. Sinto-me como aquele que saiu da sua caverna de Platão, retornando a sua Ítaca, mas não para iluminar ninguém, outrossim para iluminar as suas saudades.



Escrito por wilson luques costa às 11h10
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Sunday, December 03, 2006

 

FELINO
Altivo o felino olha-me
E pede-me que lhe faça fosquinha
Ao seu comando obedeço
No leito
Rogo a deus que nos proteja
(a mim e a ele - gato de sete vidas)
É na sua graciosidade e no seu silêncio
Que eu o observo
                       [invejante
Da prodigalidade de quem não necessita
Da invenção de deuses



Escrito por wilson luques costa às 11h08
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Wednesday, December 06, 2006 

De areté
Essas virtudes nós não praticamos:
Não praticamos os bons modos
(nem
A bela lealdade - nós - também -
de nenhuma maneira - praticamos)...

O tempo todo nós fomos reféns
Do ódio e da gula --
nos aburguesamos
Diante destes dois maldosos cáftens
Que nos coisificaram...
Nós amamos
- isto sim - o dinheiro malfadado...

Amamos estes que o erário fraudaram
Sem nenhum pudor --
que eram muito dados
À maldade, à lisonja e a outras benesses
Benfazejas a seus egos...
Restaram
Dor e pó nestes jogos de interesses...


Escrito por wilson luques costa às 10h58
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O GATO

Ter a elegância de caminhar sobre estilhaços
Ter a malícia de deitar-se sobre os ombros nus
De madames e meretrizes

Ter a cupidez de farejar
Recônditas catacumbas

A ter o teu pêlo de amianto ensina-me ó gato
Para que eu possa ter [também

                                    [um dia

                                    ascendências
Sobre as minhas próprias mortes



Escrito por wilson luques costa às 19h44
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VALE A PENA NÃO LER DE  NOVO

 27/07/2008

O DIA QUE FUI CHAMADO DE GÊNIO

Vocês notarão que sempre volto a um tema no blog, uma porque as pessoas têm uma certa desídia em pesquisar as datas, e outra porque o blog é o meu jornal nacional, a minha folha de são paulo, o meu estadão, o meu bild qualquer coisa. E eu como editor desse jornal, não faço outra coisa do que mimetizar o que os próprios jornais fazem -- escrever o que me interessa -- e o que me interessa -- afora todo o narcisismo - sou eu mesmo. Uma porque sou pessoa totalmente desinteressante para sair num desses cadernos culturais. Então, hoje, eu como editor -- aliás -- ao contrário de muitos que se chamam de jornalistas (DESCONSIDERAR TAL ASSERTIVA) sem ao menos ter sentado num banquinho de comunicação social -- e não vou falar aqui -- porque posso sofrer um processo -- mas entrem no wikipedia e vejam os jornalistas e depois digam-me se eles têm a exigida habilitação -- portanto isso significa dizer que os éticos e propugnadores da ética e formadores de opinião não dão o devido exemplo. Mas não era isso que eu estva falando não...! E o que era? Ah! Era sobre a minha profissão como editor aqui desse blog. E como sou muito autocentrado, escolhi para o lead de hoje O DIA (EM) QUE FUI CHAMADO DE GÊNIO. Bem, eu sei que isso irrita deveras as pessoas -- e querem saber de uma coisa -- nem inteligente eu sou, muito menos gênio -- mas o fato é que se não me falha a tal memória - num determinado dia de 2004/5 -- por aí -- eu estava lá na FNAc -- lá na parte das revistas, quando, de repente, avistei o senhor Fernando Jorge -- senhor assaz rato de bibliotecas e sebos -- tópos oportuno onde pude conhecê-lo -- e ele me perguntou o que eu estava fazendo -- e folheando uma revista -- e eu lhe disse que eu estava estudando grego e perdendo um mestrado em philosophia na puc -- quando me falou de um colega seu que estudava grego e disse-me ainda que achava a sonoridade muito bonita -- quando - de repente - pediu-me para falar uma frase -- no que informei que o grego era mais instrumental -- mas como tinha umas frases já feitas, eu as balbuciei -- e ele me falou que eu tinha uma dicção muito boa -- e aí perguntou-me mais -- e eu lhe disse que vinha desenvolvendo uns estudos e lhe falei se eu podia em dois minutos ali lhe demonstrar -- no que anuiu de imediato -- só pedindo para irmos na parte dos fundos e de fora da livraria que dá para a Al. Santos. Ali mesmo comecei a falar do Paradoxo do Zero, quando repentinamente ele me falou: ´eu já entendi (com aquela voz dele bem postada) você,garoto, é um gênio, e começou a se curvar em minha direção -- e disse-me assim -- eu me curvo à sua inteligência -- aí nessa cabeça ..não sei não... deve ter uns neurônios a mais (na verdade é a menos) ... se você morasse na europa você teria uma estátua rsss ... mas no Brasil é assim mesmo ... e eu lhe disse: muito obrigado seu Fernando... que é isso... e eu com aquela blusa e aquele jeans e ele continuava ... e você humilde assim... muito obrigado seu Fernando... Depois foi falando de gênios reais da humanidade que não tiveram o reconhecimebto em seu tempo... Pediu-me para lhe mandar o material, coisa que fiz na mesma semana ... disse-me depois que o texto saiu no painel do leitor da revista imprensa -- mas nunca mais tive um contato pessoal -- a não ser um último na livraria duas cidades... Saí de lá e encontrei-me depois com a Raquel perto do Masp... e disse-lhe assim: sabe, Raquel, eu encontrei com um jornalista e falei do PZ e ele começou a se curvar diante de mim e começou a falar que eu era um gênio... nossa, eu estou até assustado... E ela quieta me olhando... De lá seguimos para a rua Augusta para encontrarmos uma colega poeta que lá nos aguardava...



Escrito por wilson luques costa às 17h34
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A minha mais que insuficiente didascália

Acabei por quebrar os  meus óculos.

E hoje em dia perto dos cinquenta torna-se quase missão impossível qualquer tipo de leitura.

Mas tenho guardado uns de 25 ou 30 anos atrás que me servem como apêndices.

Mas não consigo ler direito, porque o grau mudou e muito.

Imagine então tentar ler um texto bilíngue de Kant no intuito de aprender esse alemão que me foge como azougue.

Os óculos são ridículos.

Mas na época era moda.

E nós para impressionarmos as meninas da Toco, usávamos mesmo sem a sua necessidade, e esse foi o meu caso.

Agora que preciso não me servem.

Fico forçando a visão e depois fico com dores incríveis.

Mas essa é a minha tauromaquia, dominar esse touro kantiano pelos chifres.

O saldo é muito parco, mas saímos com Erfahrung, Metaphysic, auch, besonder, ist, nicht, nun, nur, Wissenchaft, demselb, gar -- e o grande jogo é como acomodá-los no jogo sintático kantiano.

Jogo ultimamente zwar um verdadeiro puzzle ou jigsaw como diria o poeta.



Escrito por wilson luques costa às 12h15
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A VONTADE DA CAUSA EFICIENTE

A minha ideia acerca de a verdade estar concentrada na volição da causa eficiente, pode muito bem também aplicar-se à noção de beleza.

Nesse sentido, outorgo ao artífice, fazedor, demiurgo etc o poder da verdade, beleza etc, instaurado no objeto (poema e/ou obra de arte etc).

Ou seja: a verdade ou beleza ou qualquer outra característica instaurada no objeto em sua primeiridade é a vontade da causa eficiente e não da antítese do sujeito em relação com o objeto (poema e/ou obra de arte).

Por isso, a verdade do objeto no objeto e a beleza do poema no poema e não na interpretação idealista do sujeito cognoscente.

O que o objeto (poema e/ou obra de arte) pode suscitar é uma outra forma de beleza ou verdade, mas não a primeiridade da vontade da causa eficiente.

Por isso, o poema belo em si e a verdade, verdade em si, porque aposta pela vontade da causa eficiente.

Mas isso não significa dizer que tal beleza e tal verdade devam superestruturar nossas vivências.

O que pretendo dizer é que há uma verdade em si, bem como uma beleza em si resultantes da causa eficiente.

Já as suas derivaçaões denomino de interação dialética.

Por isso o poeta ser possuidor da chave da beleza do poema e o filósofo do próprio conceito.

Por isso a necessidade do jogo poético e filosófico.

Porque sem esse jogo o mundo, na certa, estancaria.

O poeta e o filósofo seriam, portanto, os criadores de conceitos e reconceituações dos própiros conceitos, bem como da própria poesia.

E a função do leitor seria justamente essa: encontrar essa chave micha ou trocá-la por uma outra melhor.



Escrito por wilson luques costa às 11h44
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A BELEZA ESTÁ NA CRIAÇÃO DA CAUSA EFICIENTE.

(TODO POEMA É BELO EM SI)

Na poesia - antes de tudo - é preciso saber jogar o jogo antes de julgar 

Já é até histórico o embate sobre o que é ou não é poesia.

Agora mesmo, depois de ler um capítulo sobre a biografia de Lacan, eu li parte do capítulo de Massaud Moisés sobre o que é poesia.

É um livro que deve ser lido por todos que se interessam por poética e literatura, há, evidentemente, tantos outros.

E esse assunto parece que não terá fim mesmo.

E a cada criação ou movimento, o conceito poesia ao invés de fechar-se, amplia-se.

E os poetas, parece-me, estão aí para isso mesmo: criar e recriar.

O problema maior, eu penso, encerra-se naquele aspecto romântico que temos de poesia.

Ou seja: encararmos - como o ´senso comum´ encara a poesia; como uma coisa lírica, emocional. 

Isso seria uma influência - eu não sei se nefasta ou benfazeja - menos concretista do que romântica.

Mas que de uma maneira ou outra nos atrela a uma cegueira de uma forma inexorável a um posicionamento.

Sempre queremos ver ou obter na poesia uma sensação ´pathológica´ - a afecção lírica ou emocional.

E assim esquecemo-nos que poesia é também linguagem, codificação, recodificação e aquilo que denomino de projeto poético, como aventei nos casos de Francisco Alvim e Bonvicino e tantos outros.

E se não entendermos assim (não compreendermos a intenção do poeta) tudo será em vão.

Ou seja: é necessário compreender a distinção que há também entre poesia e belo e vice-versa. 

Alguma poesia pode ser até bela, mas não necessariamente.

A poesia, portanto, poderia ser também a criação de uma linguagem a contrapelo da ´prorsa´.

Na poesia, nesse sentido, instaura-se a volição do poeta, quando dá dinâmica à sua própria sintaxe, ritmo etc.

Já na prosa haveria um ritmos  e/ou um regramento pré- estabelecido.

Na poesia, o ritmos  e o regramento são estabelecidos pelo poeta.

Seria como um jogo no qual o poeta como causa eficiente apõe as suas intenções (tese).

Melhor, a poesia como um gioco dialético.

E a sua síntese seria, por fim, o espanto estético ou não, que jamais se obteria se não fosse preciso sempre jogar. 

Por isso sempre o lance do jogo poético, cujo mandante é sempre o poeta...  



Escrito por wilson luques costa às 12h01
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A ARTE DA POLÍTICA

Sou mesmo um obsoleto ou um extemporâneo?

O futuro vai ou não vai nos dizer? Façam as suas apostas!

Aprende: jamais deves cobrar nada daquele que não tem nada a te oferecer

Quase todos os psiquiatras tendem a achar que devemos ter pequenos projetos de vida. E eu concordo. Isso vai de Frankl a tantos outros. E eu, na verdade, nunca fui muito de ter projetos. Muito menos projetos de cultura. Tudo o que fiz, aconteceu por mera coincidência. Nada foi projetado. Falo isso das coisas mais comezinhas aos grandes projetos. É evidente que a algumas coisas eu aspirei. Mas não aspirei de verdade nunca a ser um professor. Muito menos de filosofia. Não aspirei a coordenar oficinas literárias nem a participar de saraus literários. As coisas aconteceram comigo mais por inspiração da natureza do que pela minha própria aspiração. Escrevi dois livros, porque de repente comecei a escrever. Coisa que eu fazia muito raramente. Fui estudar os rudimentos de grego, latim e agora um pouco de hebraico nem sei por quê. O grego fui por conta do curso de mestrado em filosofia -- porque havia um pessoal que conhecia algumas coisas. Mas o mestrado eu fui fazer, porque fui exortado a fazê-lo. E é por isso que já deixei dois pelo meio do caminho. Hoje em dia, eu estou aprendendo a melhor lidar com essas coisas. Eu nunca fui muito bom político. Mas não é que eu não seja. Eu sei fazer, se quiser, e até muito bem feito. Mas eu tenho algo que me condena. É verdade, eu sou muito solitário e/ou individualista também. Embora seja demasiadamente humano. Sou solidário etcetal. Mas não me apego muito aos relacionamentos. Ou seja: eu sou um pouco desconfiado. Gosto da amizade verdadeira. Sincera. Por isso me esquivo sempre. Eu, por exemplo, fico batendo lata aqui sozinho e não procuro me enturmar na literatura com ninguém. Por isso, nem sempre sou convidado para as coisas. É claro que há um pessoal com um repertório vasto por aí. Pessoal já afamado. Mas eu não sei por que não me atraio muito por essas coisas. Aliás, é difícil mesmo definir o que é um intelectual. Eu mesmo não me considero. E falo do fundo do coração. Mas eu me pergunto: poxa! será que o pouco que conheço não me credencia para nada? Eu vejo um pessoal por aí exibindo as suas guelras mais pelo marketing do que pelo próprio conhecimento. Não que eu seja melhor. Não... Não acho... Mas desenvolvi a ideia de paradoxo do zero, de princípio da identidade negativa, fiz críticas consistentes a Descartes -- e é uma crítica bem embasada. Esforço-me no aprendizado tosco do grego, latim, alemão e hebraico e nada? É como diria o poeta de Stratford-on-Avon: há algo de podre realmente nesse reino sujo da dinamarca. E eu, creiam-me, juro que não sou o único culpado. Desculpem-me: eu iria falar de minhas férias que hoje já se foram e enverdei mais uma vez  por essa outra senda chata. Vocês viram como me faltam projetos? Até para escrever... É mole? E olha que é...           



Escrito por wilson luques costa às 17h28
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Dos amores que tive

Oh, não!

Eu não tive amores tão perpétuos!

No entanto,

tive amores tão aziagos...

Amores bem sutis...

Amores fátuos...

Amores bem temidos

                           semivagos...

Eu só tive na vida árido amor...

Falso amor de cilada e tolo engodo

           Amor de puro acaso e muita dor e amor

                     que só medrou no puro lodo...

Tive amor que ficou por uns instantes

                  Foi o que mais me feriu e ficou distante e o

                    que me fez saudade e me matou...

Tive amor que se foi

                            e não mais voltou

que se perdeu na vaga noite escura

onde nem eu

                 você                      

                     nada perdura...



Escrito por wilson luques costa às 16h26
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Na minha Babel de Alexandria 

Tentei, logo pela manhã, mexer em meus papeis. Mas logo desisti. Há poemas lidos em saraus com anotações minhas. Encontrei um tipo de teatro que escrevi faz algum tempo que denominei de O SEQUESTRO DE VIP PARMÊNIDES. Fiz a sua releitura em 20 minutos se muito. Não sei se vou trabalhar esse texto melhor ou deixar como está. As coisas quando passam vão perdendo a sua força. E aquilo que denominamos de clássico é justamente isso: a sua força que não cede ao tempo. Com isso não quero dizer que o texto perdeu a sua força. Não! Não digo isso. Eu tenho sempre uma visão quanto à diagramação do livro, no caso em tela do livro. Eu tenho uma ideia que conforme a sua diagramação o texto acaba se incorporando. E foi nessas papeladas que encontrei um jornalzinho da Assocação dos Pós-Granduandos da PUC/SP. Isso foi em agosto de 2002, quando eu cursava mestrado em filosofia. Atendi a uma solicitação do meu amigo. Foi o lançamento de uma chapa. Mas está aí o registro. Eu sempre procurei ficar longe do Poder. Embora o Poder tenha me perseguido com uma certa contumácia. Eu só peço para que ele não insista, porque, se um dia me der na telha, eu posso tomar de vez o timão dessa barcaça.   



Escrito por wilson luques costa às 11h33
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A CIDADE DOENTE

Folheia livros, enquanto espera na sala.

Lê algo sobre a Escola de Frankfurt.

Benjamin parece-lhe contemporâneo.

A mulher de toca de lã espera pela enésima aplicação química.

Seus cabelos ralos denotam um certo déjà vu.

Há um ar rarefeito de esperança.

O médico, um jovem médico, como aprendeu a lidar com todas essas coisas de morte?

Ele lhe olha e pisca o sobrolho. 

Comunicam-se por pantomimas.

Procura entender o que quer lhe dizer aquele esgar esquerdo silencioso.

As falas são evasivas. 

Paira o silêncio sobre as suas cabeças. 

Olham-se.

Folheia mais um livro.

A sua visão que cede. 

Mamãe lhe dá mais um biscoito.

Não o de Madeleine.

Mas tenta afixar em sua memória aquele momento.

Papai olha-o calado.

Comenta sobre o jogo no Beira-Rio.

Mas nada. 

Os corredores já quase vazios.

De repente, tudo escurece. 

É inverno em sampa.

Uma fila de faróis serpenteia pela cidade. 

Motoristas ouvem mp3 mp4 mp8.

Dirijem-se para casa.

Pulam como dementes em suas senzalas macanizadas.

A veia da cidade pulsa.

E como não haveria de pulsar?    



Escrito por wilson luques costa às 19h39
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MISSIVAS EM COFRE BEM TRANCADO E O MEU MUITO OBRIGADO

Acerca, principalmente, sobre meus estudos filosóficos 

Quem sobreviver verá

No domingo, eu escrevi um texto sobre a carência afetiva dos poetas, escritores e tantos outros.

E eu não me eximi.

Porquanto guardo e-mails elogiosos a meu respeito.

É porque ainda sofro daquela patologia Nitzscheana.

Não obstante, abandonar há algum tempo certas veleidades.

Mas não consigo me desfazer de certos registros.

Então isso significa dizer que necessito melhorar muito ainda.

Eu queria fazer uma ressalva ao que eu disse: eu não coloco todo mundo no mesmo balaio.

Há pessoas que são extremamente talentosas e precisam ser incentivadas ou divulgadas.

E eu aqui abro um parentêses para o grande talento do Nelson Romano.

Esse vou elogiá-lo até vocês me dizerem chega.

Porque é talento na certa.

Por falar nessas vaidades toscas que ainda me habitam, seguem abaixo alguns comentários aos meus estudos e a meu repeito.

Desta vez vou ocultar os nomes.

Mas o mais importante não é mesmo o conteúdo?

Peço, mais uma vez, desculpa pela minha indelicadeza e falta de humildade.

Mas é que no Brasil a memória é curta (demais).

   

´Nunca tive o menor respeito para com intelectuais. Na verdade sempre os desprezei. Minhas discussões com os USPianos que conheci, terminam sempre de maneira abrupta, onde volta e meia eu os mando enfiar a arrogância deles no cu. Tudo o que eles tanto enaltecem em si próprios na verdade pertencem não a eles. Mas sim a Nietzsche, Kant, Karl... enfim, a pensadores do passado. Todos mortos. Não que eu não goste dos mortos. Pelo contrário. Por muito tempo, eu só conversei de verdade com eles. A Jeniffer sabe. E sabe muito bem também o que mudou. E porque mudou. E porque não dizer, qual a causa primeira dessa mudança. Os USPianos ainda não se deram conta de que o que eles tanto prezam, pode ser conseguido por um mané como eu pelo custo de 3,00$ de multa na biblioteca municipal de Sto. André. Ou na biblioteca Vegueiro. Cada uma com seu charme. E qual a minha surpresa, quando encontro alguém, com o mesmo desprezo pela universidade quanto eu. E ainda por cima, um filósofo. A mim, ele apresentou o que ele mesmo batizou (!!!) de Paradoxo do Zero. Um sistema lógico que não faz nada além de derrubar toda a matemática de Peano. Só isso. Na verdade, eu incluiria aí também entre os derrubados, Gödel, Russel, Poincaré, Cantor, os Bourbakis... e mais um sem número de matemáticos e lógicos que constroem axiomas e proposições considerando o zero.´

 

OS LIVROS LEGAIS DOS INSUBORDINÁVEIS

´Todo o começo literário é sempre difícil e trabalhoso, por isso talvez, eu não tenha vastos conhecimentos sobre a literatura, meus livros preferidos, sempre foram os de história e os de filosofia e para relaxar, livros de teologia e de esoterismo ocultista, como por exemplo os manuscritos do mar morto e os apócrifos, os manuscritos de NaggiHammad, o evangelho de Judas e outros tantos textos do gnosticismo copta, como a Pistis Sofia, o livro da fiel sabedoria divina, os propósitos de minhas leituras são meras tentativas de se alcançar algo transcendente as normas acadêmicas vigentes, nunca fui um bom "problematizador" filosófico, sempre me fiz prisioneiro dos meus achismos e crenças pessoais, mas que não refletem qualquer ligação com as instituições de plantão, sejam milenares e ou, centenárias, sempre tive problemas com grandes romances, confesso, que me tornei leitor apenas de Machado, Augusto dos Anjos, e outros renegados, leio textos de jornalistas polêmicos, como o sr Olavo de Carvalho e Arnaldo Jabour, mas tenho grande apreço pelos trabalhos literários e filosóficos deste cara, o Wilson Luques Costa com os seus contos em dois livros legais; Contos de Arrabalde e Os granizos dos Deuses simplesmente paradoxais e surpreendentes, fora, suas teorias filosóficas arrebatadoras em direção contrária as da Academia, tão afirmadora dos Eurocentrismos e Americanismos, uma vivacidade muito expressiva e isto causa medo dele( o Wilson é Filósofo)...´

´Acho os seus estudos interessantes e valiosos´  

 

´Ora, a quantidade é um domínio em particular, e portanto as regras da aritmética só equivalem indiretamente e imperfeitamente às da lógica geral. Daí os paradoxos que você tão certeiramente assinala.´

 

 

´achei muito intrigantes e originais as suas ponderações sobre o princípio de identidade e o paradoxo do zero. ´



Escrito por wilson luques costa às 17h34
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AMICUS PLATO, SED MAGIS AMICA VERITAS

Li, ontem, quase todos os poemas que constam no livro OS CEM MELHORES POEMAS BRASILEIROS DO SÉCULO.

E lá tem vários poetas: dos mais conhecidos aos menos conhecidos dos leitores.

Eu, para falar a verdade, acho complicada essa coisa de cânone. 

Vai de Drummond, Murilo Mendes, Augusto dos Anjos, Haroldo de Campos, Adélia Prado e tantos outros mais e menos contemporâneos.

Eu não acho nenhum primor em todos.

Há poemas bons e razoáveis.

Mas não me tocam profundamente.

Gosto mais dos escolhidos de Augusto dos Anjos -- que para mim talvez seja o maior poeta que tivemos nessa terra brasilis. 

Há outros legais como um soneto pornográfico de Glauco Matoso.

Já tantos outros não gostei muito. 

Mas cânone é cânone.

Quem o fez foi Ítalo Moriconi.

E, na verdade, verdade, cada um pode fazer o seu.

E ele fez o dele, com o beneplácito da OBJETIVA.

Se fosse eu, eu não faria daquele jeito.

Mas não deixam de ser poemas e poetas.

Naquilo que cada um entende como poema e poeta.

Pronto, já destilei o meu fel azedo do dia.

Agora, boa poesia para todos vocês.

Que cada um ache a sua poesia de valor, porque eu vou procurar pela minha.   



Escrito por wilson luques costa às 12h57
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LITERATURA DE CORDEL

DIA 21 DE JULHO DE 2009

DAS 20H00 ÀS 21H30

ESPAÇO CULTURAL DA LOJA

CANDEEIRO ARTE E DECORAÇÃO

AV. DR. ASSIS RIBEIRO, 4024 - ENGENHEIRO GOULART

ENTRADA GRATUITA

EDUARDO VALBUENO - CORDELISTA METROPOLITANO



Escrito por wilson luques costa às 12h31
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Ontem, logo depois que escrevi sobre o jornalzinho e da publicação de meu conto, recebi em casa o mesmo jornalzinho com o meu conto publicado numa das suas 4 páginas. Abaixo o frontispício do jornal O  FORASTEIRO. 



Escrito por wilson luques costa às 12h27
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CANTO VI

oh, proserpina...você que gosta tanto das excentricidades

de outras cidades e de outros países...

por que não se detém um pouco nesse que lhe dirige

umas tolas palavras... todos me acham excêntrico, esquisito, louco...

é por que consigo admitir-me insano e mentecapto...

eu vivo da minha loucura... quero empanturrar-me da minha própria loucura...

ah, mas você não é louca... é verdade... você possui todos os sinais da sanidade

e do perfeito equilíbrio...

sim...

admito que você seja retílinea em seus pensamentos.

ah, sim... você é pragmática... bem... você sabe que eu

não sei muito bem o que vem a ser pragmatismo...

só sei que a loucura é a sanidade dos deuses...

com a loucura fomos longe demais...

com a nossa loucura construímos esse nosso hospício...

           [essa babel de pisa

vivemos nos equilibrando esperando que algum deus nos resgate

                 dessa des

                               gravidade...

fazemos o trajeto contrário...

fazemos a recherche de nosso ponto de equilíbrio...

               somos uns prousts loucos em busca

                                 de nossos futuros...     



Escrito por wilson luques costa às 12h05
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Nessas circunstâncias, a verdadeira atividade literária não pode ter a pretensão de desenrolar-se dentro de molduras literárias - isso, pelo contrário, é a expressão usual de sua infertilidade. A atuação literária significativa só pode instituir-se em rigorosa alternância de agir e escrever; tem de cultivar as formas modestas, que correspondem melhor a sua influência em comunidades ativas que o pretensioso gesto universal do livro, em folhas volantes, brochuras, artigos de jornal e cartazes. Só essa linguagem de prontidão mostra-se atuante à altura do momento. As opiniões, para o aparelho gigante da vida social, são o que é o óleo para as máquinas; ninguém se posta diante de uma turbina e a irriga com óleo de máquina. Borrifa-se um pouco em rebites e juntas ocultos, que é preciso conhecer. (WB) 

  Minha literatura a contrapelo

Ontem o Eduardo, daqui dessas paragens, que eu alcunhei de Cordelista Metropolitano, ligou-me para convidar-me para um sarau em Engenheiro Goulart.

O que eu gosto dele, do Eduardo, é que ele faz.

E faz cordeis sobre trens e até sobre m. jackson. 

Eu lhe disse que possivelmente iria, após um compromisso que tenho.

Haverá poucas pessoas -- no máximo vinte.

Ele sempre me convida.

A mim e ao Marra.

Da última vez, o Marra não gostou, porque as pessoas não gostaram do seu conto, que aliás é excelente.

E em cima disso eu fiz um conto.

O Eduardo é um batalhador e é um jovem que prima pelo aprendizado e pela pesquisa.

Ele também tem um jornalzinho de anúncios que circula por aqui na zona leste: ermelino, v.cisper, ponte rasa etc.

Faz anúncios de padarias, borracharias, mecânicas etc -- e ele falou-me que nesse jornalzinho foi publicado um conto meu.

E eu estou muito grato pela sua deferência.

E é isso que é legal.

Beber ou comer pela reborda.

Literatura para mim é isso. 

Não tem essa de cult e outras igrejinhas.

Quero mais é ficar perto do meu povo.

Quero mais é dar uma congestão na cabeça do borracheiro daqui dessa esquina.

Já jogar confetes não é para o meu corso.

Wilson Luques Costa nasceu no bairro da Vila Ré em 15 de fevereiro de 1960 -, sendo natural de São Paulo – SP. Fez seus estudos primário e secundário na escola pública de São Paulo: ‘E.E.P.S.G. Profa. Maria de Carvalho Senne’. Graduação em jornalismo. Pós-graduação, com especialização de longa duração, pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Dois livros publicados: ‘Contos de Arrabalde’ e ‘Os Granizos dos Deuses’. Foi mestrando em Filosofia pelo Programa de Estudos Pós-graduados da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No mosteiro de São Bento cursou grego ático e latim. Desde 2005, vem escrevendo seus textos nos blogues O Simulacro do Futuro e Potlatch ou O Desperdício da Virtude. Vive e reside em São Paulo, onde atualmente é professor de filosofia do ensino médio.



Escrito por wilson luques costa às 11h17
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QUINTO CANTO OU CAPÍTULO

ah, eu detesto papeis, você sabia...

os papeis poluem as cidades e a nossa mente.

maldito aquele que descobriu o primeiro pergaminho...

por que essa lufa-lufa essa azáfama

nesse lusco-fusco... se queremos deixar os nossos registros por que não fazemos

como os tiranossauros: enfiemos os pés na lama e pronto.

estes pés que atolamos em nosso próprio abismo...

agora traga-me café e açúcar mascavo.

obrigado... também penso que eu deveria cobrar

pela minha companhia... talvez cinco mil dólares...

mais que este café requentado que você me trouxa agora.

quanto você acha que eu deveria cobrar

da loja do sr. szafir, onde compramos aquele colchão...

você começa a perceber a nossa importância nesse ciclo...

a indústria do tabaco depende dessa minha letargia

que você tanto abomina... a indústria do café

depende da minha ociosidade que você tanto critica...

a indústria açucareira também depende de minha madriice...

só este sol que carboniza as artérias de meu cérebro

é que não me cobra sequer um rate...

sim, eu gosto dessa moda de estrangeirismo...

nós mesmos somos estrangeiros nesses nossos corpos

debeis... 



Escrito por wilson luques costa às 10h54
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QUARTO CANTO OU CAPÍTULO

mande-me um beijo... proserpina mais um... outro...

eu quero milhões de beijos...

quero milhões de beijos seus...

por que você se intimida com este meu ´approach´...

venha, e me ame com todo o seu cinismo...

que me importa que você me traia.

eu nasci para ser traído... no escritório fui traído...

na escola fui traído... fui traído pelos meus amigos...

eu lhe concedo a traição... traia-me até se exaurir. até

não suportar mais. traia-me à exaustão. também se quiser

cuspa na minha cara... vou pendurar uma placa: ´amiga, cuspa na minha cara e traia-me quantas vezes

quiser´... eu permito-lhe a abjeção e os atos torpes

e pueris... tudo eu lhe concedo... permito-lhe as suas perfídias

e os seus logros... mande-me logo uma lanterna: sou como diógenes.

no entanto falta-me aquele barril. faça um simulacro de nossa paixão

e pegue aquele cinzeiro ali. este cigarro mentolado será

que afetará a nossa camada de ozônio... você não percebe

que a sua chatice está afetando

a minha camada de ozônio... você sabia que possuímos

uma aura que se danifica com as nossas implicâncias...

que me importa que seja segunda-feira, nove e trinta da manhã, quando nos casamos,

você me disse que repeitaria todos os meus desígnios, eu que não tenho desígnios ou projetos...

que mal há em ficar aqui estirado na calçada,

vendo esta turba ignara passando apressada... 



Escrito por wilson luques costa às 10h42
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A COISA MAIS ABOMINÁVEL É TRANSFORMAMO-NOS NAQUILO QUE ABOMINAMOS

Faça, Faça e Faça - E a posteridade na certa lhe responderá com a perpetuidade ou com o ostracismo que todos merecemos

Eu sei: poeta, contista, escritor, sobretudo novatos (como eu) são carentes. 

Por isso necessitam do apoio dos outros mais renomados.

E eu também sou ou fui assim.

Mas vendo tudo isso de longe, parece ser mesmo uma coisa bem chata, para não dizer o pé no saco.

É como se a pessoa não tivesse a sua própria certeza e advogasse a todo instante o beneplácito alheio.

Sim, meu amigo, você é excelente!

Sim, meu companheiro, você é um grande poeta!

Nossa, que coisa linda que você escreveu!

Esse então é demais!

Parece aquele filho solicitando à mãe: mãe, você me ama?

Amo, filhinho do meu coração!

Isso denota de uma certa maneira o quanto estamos solitários nesse mundo.

É a própria cobra beijando o próprio rabo...

E isso é uma rosca sem fim.

O próprio Drummond tem um poema que já fala desse seu cansaço...

Pede para não lhe convidarem para mais nada e não encaminharem livros e coisa e tal...

O que penso é o seguinte: se o que você faz é coisa de valor, de nada vai adiantar o encômio ou a rejeição...

O que é bom vai na certa ficar...

Será que vai?

Eu mesmo não acredito muito nisso...

Só alguns poetas ficam...

Só alguns escritores ficam...

Agora, o pesquisador verdadeiro vai fuçar tudo... vai rastrear tudo...

Então isso significa dizer que fazer um certo sucesso agora, não lhe garantirá a eternidade...

Aliás, e é essa pergunta que nos fica: por que tanta ânsia pela eternidade, de ser lembrado sem que saibamos por que estamos sendo lembrados...

Por exemplo: o que sente Descartes ou Derrida agora nesse exato momento?

Quanto a eles, nada; mas alguém poderá dizer que nos deliciamos com os seus pensamentos deixados à posteridade...

Então tudo isso siginifica dizer que o significado do que você faz não está em suas mãos, mas sim nas mãos do outro, certo...

Se efetivamente estiver...

Por issso carpe diem porque ele, acredite, nunca mais retornará...

 E tenho dito...



Escrito por wilson luques costa às 13h14
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Assim inicio o meu segundo livro Os Granizos dos Deuses

Trata-se abaixo do primeiro capítulo.

O livro possui poucas páginas; isso contando com o outro texto que é o Esboço da Loucura.

Usei as letras em caixa baixa e transgredi todo tipo de pontuação como dois pontos, exclamação etc.

Eu mesmo quando o releio, fico na dúvida se Plutão está perguntando ou respondendo ou exclamando ou nenhum dos três.

Como já afirmei aqui, trata-se da busca da oralidade e do fluxo de consciência.

Fui levado pelo não enredo.

Mas pelo enredo do que me assomava na hora de escrever.

É óbvio que eu já tinha lido Foucault, Hilst, Haroldo, Céline, Cioran, Nietzsche, Schopenhauer, Valéry, T S Eliot, Pound e tantos outros...

Foi quando disse para mim mesmo: sim, posso fazer pior...

 

´oh, proserpina, gosto de ver o sol surgir no oriente e não

me venha com as suas ideias de

velocidade. não, não.. eu quero ficar

aqui plantado vendo a terra fazer a sua translação. como

eu vou fazer para me sustentar... você sabia que a 

palavra trabalho vem de tripaliare que significa instru-

mento de tortura. sim eu me nego a fazer o seu

negócio. como eu vou ganhar as minhas moedas...

a minha moeda é a generosidade.

eu efetivamente não nasci para ficar teclando

uma máquina inventada no século passado, nem

pilotando um fogão ou dirigindo um aspirador

de última geração.

por que você não admite que me quer ver

bem longe de você... por que eu lhe causo tanto asco as-

sim... por que nós não nos suportamos... foi para isso

que inventaram o trabalho

esse calabouço com cartão de ponto

e intervalos dominicais... ´

Esse é o segundo capítulo ou canto, porquanto foi classificado como poesia e insanidade.

´ora... ora, proserpina

pare com essa esquizofrenia barata...

você sabe que o trabalho não é necessário

e que não enobrece o homem...

eu particularmente inverteria esse bordão obsoleto

que diz que o trabalho enobrece o homem...

veja.. trabalhamos há sessenta e três anos e o que vemos..

vemos essa nossa nobre mendicância... saia

agora da minha frente pois você está tirando a minha

luminosidade... não proserpina, eu não saberia explicar

o que é a arte...

são tantos ensaios e discussões... a morte eu também não

sei explicar. por que você insiste nessa ideia nefasta

de me alocar numa corretora de valores...

você sempre me diz que é pra ganhar dinheiro. que ganhar dinheiro

na vida é tudo. que dinheiro que dinheiro que dinheiro

que isaurinha casou por dinheiro... oh, vá plantar batatas

com o seu dinheiro... deixe que a natureza desabe

sobre mim. que venha a chuva que venha a tempestade

Abaixo o terceiro capítulo.

E eu ainda me inscrevi ao Jabuti.

Mas vocês acham que eles (os jurados) perderiam o seu sagrado tempo com uma subliteratura dessas?

não, proserpina, eu não sei explicar o que é literatura.

pare com essa obsessão de explicar as coisas.

as coisas são por que são...

eu não quero fazer absolutamente nada...

eu sou o primeiro homem desse planeta

que admite que não quer fazer nada...

por que você se surpreende quando digo

que quero ficar dormindo até as onze e que não tenho

nenhum desejo de me levantar...

sim, quero que você me sustente

quero café na minha cama...

quero geleia com torradas...

quero almoçar nos melhores

restaurantes... eu mereço... eu mereço tudo isso...

eu não quero título algum. eu sou um pós-graduado

na universidade da letargia e da ociosidade.

sim, grite ao mundo que eu sou um vagabundo,

que eu não faço nada

que eu não mereço a sua compaixão...

mas não se esqueça dos brioches com a manteiga...

por favor... 



Escrito por wilson luques costa às 15h32
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Waly Salomão: o Glauber jupitereano de nossa poesia

 

Dos poetas brasileiros, um dos quais gosto é Waly Salomão. Gosto porque sinto a sua alma quando escreve. Waly traz toda a sua oralidade para a sua poesia. Ou seja: WALY é um aedo heleno. Saloirmoon, como muitos o chamavam, era de uma energia avassaladora. A sua poesia é um grito ecoado das profundezas do Παρθενών de Jequié. Em sua poesia ele mistura máximas latinas à coisa mais terracota da Bahia. Em sua  poesia há o achincalhamento às baixesas dos mais reles gossips da baixa do sapateiro de sua bahia ao encômio mais luzidio a uma ave pantaneira, passando pelo duty free ou pelos funâmbulos circenses. Ou seja: a sua poesia é a sua própria vida; ou seria a sua vida a própria poesia?     

 

O que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.
Por certo,
               um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)

Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
                e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
                aleatória.

Hoje...

Pegue uma fatia de Theodor Adorno 
Adicione uma posta de Paul Celan 
Limpe antes os laivos de forno crematório 
Até torná-la magra-enigmática 
Cozinhe em banho-maria 
Fogo bem baixo 
E depois leve ao Departamento de Letras
Para o douto Professor dourar.

"De tanto ver triunfar nulidades, nutro grandes esperanças". 



Escrito por wilson luques costa às 19h23
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Tudo que escrevo é literatura, só não é literatura quando tento fazer literatura. 

A minha literatura de cada dia.

Dizem que a arte imita a vida. Todavia, o que venho pretendendo por aqui é ver se a minha vida imita a arte. E a grande dificuldade é, ao mesmo tempo, saber como concebê-la a cada dia. A cada dia procuro escrever uma página da minha vida ou da vida literaturae. 



Escrito por wilson luques costa às 18h52
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Veron e a poesia

Um outro aspecto que deixei de anotar sobre a poesia, ainda relacionado ao espanto, é o próprio espanto quando um texto nos desconcerta, concerta ou desconserta e conserta após lê-lo. É como se disséssemos: por que não fiu eu quem fiz um texto assim? É a admiração de ver tudo aquilo harmonizado de uma tal maneira - mesmo se tratando de um texto, digamos assim - maudit - que nos tira de uma certa pasmaceira. É o fato de não poder eludir um panegírico. Seria como ver/Veron jogar - e mesmo sendo brasileiro dizer-lhe: tu és um p. de um craque meu chapa. Tuas meias caídas - quase mancas - as tuas enfiadas de bola, o teu modo guerreiro de ser. Sabes, Veron, tu és o poeta da bola. Oh, como eu queria jogar como tu ou como você! Mas no Brasil...! Não importa...!   



Escrito por wilson luques costa às 10h43
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Jogar o jogo sem spleen

Quase todos os ensaios concernentes à arte e sobretudo à poesia tendem a considerá-las como um mero jogo sem interesse.

E eu acho isso muito insuficiente.

É evidente que sempre há o cotejamento com um mundo capitalista, socialista, escravagista -- ou o que quer que seja.

E eu não penso assim.

Eu, nesse exato momento em que teclo essas mal traçadas, também não sei o que direi daqui a dois segundos.

Todavia tenho uma certeza intuitiva em mim que poesia não seria só isso.

É verdade: eu já não tenho me espantado tanto com as chamadas obras de arte.

Uma porque, como já escrevi por aqui certa vez, a vida vai nos antecipando a arte.

E a beleza da arte seria, a meu ver, exatamente isso: a antecipação pela arte da vida.

Por isso é que à medida que vamos nos tornando mais conhecedores da vida, vamos desconsiderando o valor supremo da arte.

E é mesmo curioso falar sobre isso, porque, por exemplo, nós poderíamos nos perguntar: mas o que a vida poderia nos antecipar sobre as músicas de Beethoven, Bach, e tantos outros?

Ou melhor: o que a vida poderia nos antecipar sobre a pintura de Van Gogh, Rafael ou mesmo Picasso?

Ou melhor ainda: o que a vida poderia nos antecipar sobre Shakespeare ou Dostoievski?

É claro que estamos falando de vários tipos sensoriais e cada qual nesse caso teria a sua especificidade.

Quanto à poesia e literatura, parece-me se justificar melhor esse meu argumento.

Porque poderemos conhecer em carne e osso Raskholnikov ou Iago.

Mas no que tange à música e/ou à pintura seria mais um tipo de embotamento dos sentidos, leia-se, auditivo e/ou visual.

Mas que está de uma certa maneira atrelado a um desinteresse em nossa vivacidade.

E a palavra vivacidade como um neologismo estaria muito bem aplicada ao que pretendo dizer.

Porque a morte da arte no indivíduo seria a própria morte do espanto, que, de uma maneira ou outra, movê-lo-ia não no sentido de um mero jogo, mas no sentido de jogar sempre, mais, e melhor...

Porque, do contrário, como nos diria Beckett(?): seria o início ou a fim da partida...   



Escrito por wilson luques costa às 10h31
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CURTAS

Ontem e hoje pela manhã andei lendo Dois Irmãos de Hatoum. Hatoum escreve bem. Embora eu não tenha mais paciência para certas filigranas. E a culpa é minha. Quero ir logo para as vias de fato. Mas já estou terminando o segundo capítulo. Farei uso do famoso marcador de páginas. São poucos na verdade os livros que me seduzem como outrora já me seduziram. Ontem mesmo li à noite um ensaio de Adorno sobre o romance. E até anotei uma frase, no próprio livro, que achei interessante. Não obstante, Adorno ter uma escrita propositadamente travada, como assinala o seu tradutor do alemão.

Li também ontem, ou melhor, reli, uma dissertação sobre Torquato Neto. Há falas e informações muito legais sobre ele. Comprei esse livro num sebo, há muito tempo. Talvez Torquato tenha se tornado esse ícone pela sua morte, e é isso que é também aventado no livro. Li em meio à algazarra de nossos dinâmicos sobrinhos: meu e da Raquel. Li enquanto passava o desenho animado. Em meio ao caos eu ainda consigo me concentrar, mas não como antes. Ou os livros perderam o interesse ou eu me desinteressei. Agora é preciso saber por quê?

Se é uma coisa abomiável que faço, é sublinhar, grafar, todos os meus livros. Depois fica aquele sacrilégio lê-los novamente, porque o que era interessante já não o é mais numa segunda leitura, sem citar a impossiblidade de grafá-los de novo, o que me dá uma comichão terrível.

Os dois livros que eu publiquei estão também todos rasurados. Os motivos vocês já estão cansados de saber: no que eu poderia denominar de pequena autopunição. Além desse despropósito, tenho também a pequena mania de datá-los com a subsequente e inconsequente aposição de meu digníssimo nome. É mole? E olha que é...



Escrito por wilson luques costa às 14h33
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REFLEXÕES DE UM HOMEM DOENTE

O homem sadio inveja a saúde

do homem doente

mas o homem doente

não inveja a doença

do homem sadio



Escrito por wilson luques costa às 16h35
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paráfrase/παράνοια

tenho todos os

sentimentos de culpa 

do mundo

e minhas mãos  

cabeça  

estão prenhes de culpa

tenho todos os sentimentos

de culpa do mundo

embora saiba daqui deste lado

                                               [que eu não seja

                                                                        o único

                                                                        culpado 



Escrito por wilson luques costa às 15h53
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DROPS NO CAFÉ

Finalmente, no sábado, sob o meu edredon, terminei o livro que eu vinha arrastando em minha leitura: Perturbação.

É lógico que isso só me foi possível após ter feito inúmeras tentativas de abandono.

Mas que culminou com o seu desfecho num sábado chuvoso.

Há certos tipos de leitura que tem muito a ver com a temperatura da alma, quanto da própria natureza.

E sábado estava propício para ler Perturbação.

Antes vinha lendo-o aos poucos e quando me dava na veneta.

Fiz uso - de coisa impensável para mim - do marcador de páginas. 

Penso que o marcador de páginas foi inventado para se ler livros chatos e mal concebidos. 

Mas é um estratagema que funciona não para bons leitores, mas para quem faz da leitura a sua profissão, como os críticos literários.

E eu abusei desse expediente para tentar ler Bernhard.

Sinceramente, não gostei do livro até muito além da sua metade.

Fui lendo-o aos poucos e com doses homeopáticas, sem que me tenha cobrado muito por isso.

Depois da ducentésima página, na fala do príncipe, até que o livro ganha um certo glamour, que na minha humilde opinião não tem.

As orelhas de livros fazem lembrar muito as críticas de cinema dos jornais: falam além ou aquém da conta.

Por isso que é necessário você enfiar o nariz no livro para ter o seu próprio odor original.

À noite, peguei de novo Viagem ao fim da noite de Céline.

Mas com esse nem com marcador de páginas segui.

E ontem o devolvi incontinenti à sua jaula, até que um dia novamente me pegue.

Acho Viagem ao fim da noite, embora num livro de feição bonita, um livro muito chato e monótono.

Um livro que a cada capítulo não tem nada a nos contar.

E se foi esse o propósito do autor...

Céline está de parabéns...

Viagem ao fim da noite é com efeito um eterno pesadelo, principalmente para quem não tem muito tempo a perder...

E peço, com o meu coração contrito em minhas mãos, as minhas mais sinceras desculpas ao mestre Destousches...   

Mas que jamais darei a cesar o que é de CAESAR...

Ah, isso não darei...! 



Escrito por wilson luques costa às 10h50
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DROPS NO CAFÉ

A minha mais recente taxonomia poética

Hoje, ainda no café, fiquei elaborando um tipo de taxonomia poética.

Ou seja: comecei a classificar e a fazer uma distinção entre poeta puro e poeta cerebral.

O que seria o poeta puro?

O poeta puro seria aquele que só vive em função de sua poesia.

Por exemplo, pouco se lhe importam outros fazeres.

Ele vive em função de seu fazer poético.

Não lhe aprazem muito menos outros afazeres, porque tudo poderia lhe contaminar o estro poético.

Nem mesmo tradução de outros grandes poetas lhe apraz.

Já o poeta cerebral seria o antípoda do poeta puro.

Embora lhe ocorra o fazer poético, mas esse fazer não lhe é axial.

Interessa-se mais pela tradução e pelo estudo da poética e não pela sua poesia.

E é no interstício desses seus afazeres, que ele vez em quando elabora os seus poemas.

Nesse sentido poderíamos classificar como poetas puros (poetas dos fazeres), poetas como Manuel Bandeira, Torquato Neto, Waly Salomão e o próprio Manoel de Barros.

Já como poetas cerebrais (poetas dos afazeres), poderíamos destacar Nelson Ascher e tantos outros que não me assomam à memória agora. 

Outros há ainda que não se situam nem numa linha nem outra.

E o perigo é que essa linha tênue um dia logo poderá se romper, sem que ele (o poeta?) tenha tempo suficiente para fazer, afazer ou - se ainda houver tempo- se refazer desse seu tão inesperado e perene fracasso...



Escrito por wilson luques costa às 12h48
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ROBERTO CARLOS, VOCÊ É O MEU REI, CARA

Lady Laura, abraça-me forte, Lady Laura

Hoje, logo pela manhã, tomando o meu café com torrada, fiquei rememorando o show de Roberto Carlos, que passou ontem na Globo.

E aí pensei comigo, relembrando algumas canções: é isso que é clássico.

E ontem conversei com a minha cunhada e com a Raquel sobre isso.

Na medida em que vamos envelhecendo, vamos cada vez mais gostando de Roberto Carlos. 

Pelo menos é o que que acontece conosco, comigo.

Aliás, até os nossos sobrinhos cantaram e dançaram RC.

Confesso a vocês que chorei muito ontem.

Chorei quando Roberto cantou ´Meu querido, meu velho, meu amigo... e Lady Laura...

Lembrei-me dos meus pais que amo muito muito muito....

Só mesmo Roberto Carlos para cantar músicas que homenageiam os  nossos pais ou nossos amigos...

Lembrei-me ontem do meu amigo Nicola e do meu amigo Geraldo...

Pouco nos encontramos, mas são meus amigos de fé e camaradas...

E é tão bom quando sabemos que gostamos de nossos amigos e que os nossos amigos gostam da gente...

Não dá para explicar a amizade.

O Nicola é um dos melhores corações que vi na vida...

E não digo só por mim, não...

Mas já o vi tratar de um senhor quase abandonado pela família quando estava em fase terminal...

Já o vi levar uma cesta básica a uma família necessitada sem mesmo ele ter um p.... no bolso...

É como diria Roberto: ´ o amigo certo das horas incertas´...

Já o Geraldo é amizade que vem da infância e que foi construída pela empatia...

É um cara que tem tudo na vida: sucesso - porque é um grande médico, um grande professor, e um dos maiores músicos, que essa mediocridade brasileira ainda não reconheceu - porque tem uma família e filho maravilhosos e é bem sucedido em tudo que faz, porque é de uma inteligência abissal...

E me liga, porque não quer nada de mim, quer apenas a minha companhia como amigo ...

E isso para mim é impagável...

É impagável mesmo...Amigos...  



Escrito por wilson luques costa às 12h11
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DROPS NO CAFÉ

Se há um poeta que gosto, esse poeta é José Paulo Paes.

Aliás, gosto de sua introdução à poesia de Kaváfis, e principalmente de seu livro Odes Mínimas, que já perdi inúmeras vezes a oportunidade de comprar.

É verdade que José Paulo Paes tem poemas que fora de seu corpus poético poderiam mesmo nada siginificar.

E então volta-me a ideia de projeto.

Poesia é também projeto.

Eu tenho um outro livro seu com certos florilégios.

E gosto de alguns poemas.

Mas de Odes mínimas gostei muito.

E o que mais me encanta nesses poemas é a sua simplicidade. 

É verdade, só nos tornamos grandes poetas, quando nos tornamos simples.

Mas a simplicidade ao contrário do que muitos imaginam exige um caminho ínvio e quase sem fim.

Poucos, no Brasil, eu julgo, são aqueles que atingiram essa simplicidade.

E Paes, a meu ver, com Odes mínima, atingiu o seu clímax.

Talvez poderíamos aí incluir Drummond, Manuel Bandeira e Ferreira Gullar com o seu livro Muitas Vozes, que é de uma singularidade e beleza também extremadas. 

Por isso, desconfiai de toda poesia hermética e difícil -- porque onde não houver simplicidade, muito menos haver poderá poesia.

E querem saber de uma coisa: eu mesmo estou longe de tornar-me simples; eu acho que eu tenho me tornado complexo até em demasia. 

E tenho dito!



Escrito por wilson luques costa às 12h48
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A poesia onomatopaica contemporânea

Acerca da poesia onomatopaica contemporânea, eu havia desistido de escrever, porém julguei que poderia acrescer mais algumas características:

# é uma poesia também diplomática, no sentido de arregimentar um sem número de mestres e doutores para convalidar o que a sua própria poesia não convalida de per si;

# sendo que é arregimentada, não deixa de ser arregimentadora também;

# possui um cabedal de tentáculos infiltrados na mídia e universidades;

# julga fazer algo de revolucionário, quando apenas mimetiza pelo arremedo coisas que já foram feitas, mas não percebidas pela mídia;

# os seus poetas são um tipo de dândis semiburgueses, embora não tenham em sua cepa certas aristocracias genéticas;

# isolam, quando podem isolar;

# fingim desconhecer quando é oportuno desconhecer;

# aliam-se, sempre e quando, a qualquer movimento -- quando necessário for;

# para esses poetas, vale mais a fama do que as suas próprias poesias; 

Quem se ajustar ao perfil descrito, que se considere o mais novo poeta onomatopaico-diplomático.

Humanize, se tempo houver, os rios, floras, montes se ainda rios, floras e montes um dia houver.  

 

Obs: Deixei de falar o mais fundamental de tudo: que esse tipo de metaforização seria um tipo de sofisma poético, porque passa num primeiro momento uma beleza aparente. Entretanto, é de uma facilidade e superficialidade extremadas. Brinquem, os senhores, com a humanização da physis e verão no que dá. Tentem, senhoras e senhores...  E verão que poderão surgir certas kalias como aquelas dos denominados poetas onomatopaicos superficiais.  



Escrito por wilson luques costa às 12h22
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A poesia contemporânea onomatopaica

Estou sem tempo agora para postar.

Mas falarei de um tipo de poesia contemporânea que é bastante descritiva, epígona de Cabral, e que faz usos constantes de metáforas e onomatopeias.

Há um tipo de figura de linguagem (é isso?) inventada -- que eu denominaria de antionomatopaica, porque tenta humanizar rios, animais, a flora, a fauna.

Exemplo:

O rio lambeu as guelras do kilimanjaro

e o vento sussurrou em córdoba

quando a estrela dormia sozinha. 

É evidente que tentei fazer um arremedo de poesia só para exemplificar e dar gancho ao que pretendo amanhã, se possível, discorrer. 



Escrito por wilson luques costa às 18h25
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DROPS NO CAFÉ

Talvez eu seja um pouco tendencioso em minha análise, mas não queria sê-lo.

Mas tenho uma propensão àquilo que Bakhtin denominava de literatura centrífuga.

E isso talvez seja decorrente das influências que sofri em minhas leituras.

Posso explicar: gosto mais de T S Eliot do que de Camões.

Gosto, por exemplo, mais de Pound - mesmo sem o ler em sua magnanimidade - do que de Dickens que pouco li.

Gosto mais da ousadia, perhaps, do que das suas próprias obras.

Gosto mais do autor-persongem que inventa, reinventa, do que da sua própria literatura.

Gosto de Joyce, por exemplo, mas não consigo ler Ulisses (mas quem disse mesmo que Ulisses é obra para ser lida?).

Eu, por exemplo, gosto de Mallarmé, mas não gosto de son coup de dés.

Por exemplo, gosto de Valéry, mas não gosto ou acho muito cansativo ler Cemitério Marinho em sua totalidade.

Por exemplo, gosto de Camus, mas não consigo mais lê-lo nem O Estrangeiro ou qualquer outro livro seu. 

Gosto, por exemplo, de quase todos autores centrífugos.

Gosto mais pela invenção do que pelas suas próprias obras. 

Gosto daquilo que é centrífugo.

Aliás a fuga sempre mais me apeteceu.

Não obstante ter venerado por anos a fio essa minha tão tão tão centrípeta ´vidinha´.



Escrito por wilson luques costa às 11h06
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DROPS NO CAFÉ

A poesia da linguagem

Por mais que intentemos falar sobre a poesia contemporânea, torna-se difícil elaborar uma crítica isenta de preconceitos.

Podemos errar ao tentar cotejar esse com outro poeta.

Mas o que se pode notar nesses tempos coevos é um tipo de poesia órfã da semiótica.

Ou seja: nem todos os poetas, evidentemente, mas muitos tentam trabalhar a desestruturação do verso e reverberar o significado esconso divorciado numa primeira leitura do seu significante.

E isso implica dizer que existe um tipo de esconde-esconde nessa poesia.

E é interessante e de uma certa utilidade também notar esse processo pelos seus lados semiótico e filosófico.

Entretanto quem perde um pouco, a meu ver, é a poesia.

A poesia tornou-se, hoje em dia, um tipo de linguagem.

E cabe aquela expressão: ´decifra-me ou te devoro.`

Nesse aspecto, acho salutar a sua construção.

Todavia a parte emocional e significativa perde no seu todo.

Um exemplo claro, a meu ver, é o tipo de poesia de Régis Bonvicino -- que só conheço pelos livros e de ouvir falar.

Eu tenho o seu livro CÉU- ECLIPSE e não gosto -- porém vejo um projeto de poesia.

É uma poesia de flagrantes, mas flagrantes que se homiziam numa linguagem cifrada e hermética -- e é nisso que , a meu ver, o poeta põe todas as suas fichas.

Há um outro poeta também, Francisco Alvim, que parece ter um projeto poético nessa linha que procurei descrever acima.

Francisco Alvim no livro de poemas Elefante, ó que grande contradição, tem poemas que são verdadeiras interjeições ou frases desatreladas de conversas cotidianas.

Se fôssemos ler esses poemas sem uma leitura de projeto, acharíamos tudo isso uma pequena fancaria.

Mas o que enobrece o livro e a sua proposta é a contradição e a coerência havidas.

Por isso hesitarmos em dizer que não gostamos desse tipo de poesia.

Elas, ambas as poesias, de Bonvicino e Alvim, poderiam nos impactar mais pela proposta do que pela poesia em si. 

Seria, como diria Kuhn, uma mudança de paradigma?

Mas será que nós, humildes leitores, estaríamos, na verdade, preparados para essas mudanças (de) propostas?

Para isso seria mais justo, julgo, as suas poesias ou o futuro um dia nos dizer.

Wilson Luques Costa é jornalista 



Escrito por wilson luques costa às 11h53
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Por que gosto de Haroldo de Campos

Gosto de Haroldo de Campos porque não pergunto por que gosto de Beethoven, Cartola, Nelson Cavaquinho ou Bach.

Gosto de Haroldo de Campos porque não pergunto por que gosto de Picasso ou Beckett.

Gosto de Haroldo de Campos pelo simples prazer de gostar.

Gosto pelo espanto que me cria e recria.

Quando se gosta, não se pergunta porque se gosta.

Gosta-se e pronta.

Já o odiar sempre haverá uma razão para odiar ou relegar.  



Escrito por wilson luques costa às 11h21
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DROPS NO CAFÉ

A ESCOLHA DA POESIA

Hoje, pode-se dizer que a poesia sofreu um tipo de entropia.

Ou seja; todo mundo escreve poesia.

E isso é natural. 

É fato também que ser poeta é um destino ou uma profissão?

Eu ainda acredito naquela res ingênua que poesia é menos profissão do que vocação.

É evidente que certas profissões facilitam o estabelecimento de um corpus poético.

É o caso, por exemplo, da profissão de jornalista ou de alguém que trabalha na mídia.

Já uma dona de casa terá um problema maior para se estabelecer como poeta, com raríssimas exceções, como no caso de Adélia Prado.

Na mídia a coisa torna-se mais favorável pela sua própria ambiência: a sala de redação que já vem expirando ou vai expirar, os contatos após o expediente nos bares, botecos, cervejarias; tudo isso proporciona facilitações à instauração da poesia.

A amizade também é um componente favorável.

Há trocas de encômios com um certo interesse.

Mas não se iludam, sempre com um interesse particular.

Já quem não faz parte de grupos, com raríssimas exceções, fica muito mais tempo à margem desse processo.

E os motivos são inúmeros que não cabem relatá-los por ora aqui.

Na verdade, a poesia esteve sempre ligada há um certo tipo de poder.

E não é raro um jornalista escrever versos por escrever só para ungir-se ao promontório poético.

Aliás, não custa nada mesmo.

O que custa escrever três ou quatro linhas quaisquer?

Só o fato de eu ser um biógrafo de renome ou´m escritor de contos ou romances já me possibilita mais uma nomeação: de poeta.

Como que poeta fosse mais um apêndice de qualquer profissão.

Sobretudo uma profissão relacionada à mídia de um modo geral.

E é aí que penso que quem escolhe o poeta é a poesia, ao contrário da maioria que tem escolhido a poesia para se tornarem poetas.

É lógico que o último seria muito mais fácil: basta escrever um verso qualquer e fazer parte de um grupo ou grupelho de não poesia, desde que regado à cerveja, encômios e outros birinaites. 



Escrito por wilson luques costa às 07h58
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DROPS NO CAFÉ

João Cabral de Melo Neto

Um outro autor canônico e consagrado é o pernambucano João Cabral de Melo Neto.

E, perdoem-me, devo confessar que não me apraz a sua poesia.

Apraz-me menos que Drummond, muito menos.

E aí é apenas uma questão de gosto pessoal.

Sei que muitos me dirão que não amadureci intectualmente para ler Cabral.

Se for assim, desculpem-me mais uma vez.

Como dizem: é uma poesia seca, descritiva.

Há um ou outro poema que me toca.

Mas é uma poesia que me exige um esforço além da minha capacidade.

Percebo algumas assonâncias internas.

Ou seja: as rimas rimam no interior do verso e do poema como um etna a explodir.

E talvez seja essa sonoridade arcânica que me provoca um pouco.

Morte e Vida Severina pouco li.

Mas não me apetece.

São raros os poemas que de fato me agradam.

Eu sempre quando saio, ou ando pela minha casa, mesmo para ir de um quarto a outro ou outro cômodo tenho a mania de carregar livros e Cabral não me fica muito nas mãos nem muito menos a sua poesia que pode ser grandiosa sim para a minha tão pequena outra estatura.  



Escrito por wilson luques costa às 07h35
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DROPS NO CAFÉ

DRUMMOND

Eu não queria iniciar esse meu ´drops´ de um modo canônico.

Mas hoje vasculhando a minha reles biblioteca peguei um livro com um florilégio de Drummond.

E nesse livro há o mel do melhor, por assim dizer, de Drummond.

Já quero deixar claro que gosto muito de Drummond.

E quando não me apeteço com nada para ler, na certa Drummond ser-me-á digerível.

Depois desse introito, eu gostaria de comentar sobre o que já conversei com algumas pessoas.

E o que conversei ou ponderei?

Ponderei que Drummond enquanto poeta por se firmar era para mim mais poeta do que depois poeta consagrado.

E o que quero dizer com isso?

Quero dizer que Drummond enquanto poeta até famoso -- mas ainda incipiente -- escrevia com a alma de poeta e não com a autocensura.

Ele já fazia um meio-fio entre a prosa e a poesia.

Drummond para mim era um poeta glauberiano no sentido de captar fotogramas com o seu olhar incisivo.

Cada verso-fotograma numa velocidade aposta pelo poema tornava-se um verdadeiro filme que nos tocava as mais recônditas entranhas.

Vejam por exemplo Uma cidadezinha qualquer e tantos outros. 

Um outro leitmotiv para Drummond era a sua saudade Itabirana que também nos desconcertava.

O que chocava também eram as possíveis ausências de pontuação que numa prosa mais prosaica seriam inconcebíveis mas que enobreciam o poema e nos causavam ou causam espanto, sem falar das ausências de integrais ou certas justaposições.

Na verdade, muitos de seus poemas seriam minicontos inferiores, coisa que na poesia se engrandeceu.

Até nos parece que Drummond não sabia fazer um conto e esse não fazer é que gerava a sua grande poesia.

Já depois dos cinquenta, mesmo fazendo versos metrificados, eu acho que a sua poesia perdeu a força Drummondiana e virou um fazer (poiein) normal.

Vejam por exemplo a tão decantada A máquina do Mundo e tantos outros arremedos de poemas.

Isso se explica porque já se tornara um poeta consagrado.

E pelo que deixava transparecer, escrevia com a mão do manejo e não com a da alma até então dilacerada de poeta.

Escrevia para poetas.

E esse é o pior do males que um poeta grandioso pode fazer.  

E é quando que deixamos de escrever para nós, é que deixamos, infortunamente, de ser poetas.

E Drummond, a meu ver, cometeu esse crime: cometeu o crime da lesapoesia, quando deixou de fazer a grande poesia para si...  



Escrito por wilson luques costa às 18h58
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DROPS NO CAFÉ

A poesia é

a prótese da alma 

do poeta



Escrito por wilson luques costa às 11h50
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DROPS NO CAFÉ 

O que me irrita na poesia 

O que mais me irrita na poesia, não são os poemas.

O que mais me irrita no fazer poético, não são os poetas com as suas idiossincrasias.

O que mais me irrita na poesia é a poesia replicar pela poesia o jogo escuso dos jogos políticos.

O que mais me irrita na poesia é a canonização de poetas.

O que mais me irrita na poesia, é a troca de favores incessantes, a perfídia, o jogo baixo, o conluio.

O que mais me irrita na poesia é a eterna troca de favores para obter mais lá na frente mais favores.

O que mais me irrita na poesia não é propriamente a poesia nem os poetas.

O que mais irrita na poesia é quando os poetas deixam, com o seu jogo sujo, de verdade, de ser poetas.  

 

Wilson Luques Costa é jornalista formado. Pós-graduado em Psicologia pela USP. Foi mestrando em filosofia pela PUC-SP. Fez cursos livres e instrumentais de grego, latim, alemão e hebraico. Tem textos publicados em blogues, na revista de literatura e arte Coyote e no Jornal O Escritor.



Escrito por wilson luques costa às 11h10
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DROPS NO CAFÉ

Primeiro de tudo, gostaria de falar que adoro poesia. Mas acho que há poucos poemas de valor no mundo. Mesmo nos grandes poetas, nós não encontramos grandes poesias. O que eu entendo como grande poesia? Entendo a poesia que nos marca indelevelmente, independentemente da escola. É óbvio que para entendermos um poema, muitas vezes, faz-se necessário entrar na proposta do poeta: compreender a sua intenção, o seu projeto de poesia. Isso porque, como as mulheres se vestem para as mulheres, muito poetas, aliás a maioria dos poetas, escreve para poetas. O que denota que há, na verdade, um diálogo velado entre eles. Por isso, é preciso compreender que um poema ao ser lido, precisa ser lido em vários sentidos, ou pelo menos dois: no idealismo do leitor com seu histórico de conhecimento e sensibilidade e no objetivismo do autor, com seus projetos, sensações, sensiblizações e impressões. Por isso, também, não haverá um julgamento isento de gosto particular. Lerei com os meus olhos de leitor. Se possível, poderei compreender também a intenção do autor, sua vivência, dores, como no caso específico do poeta Rodrigo Leão citado abaixo, posto que seus poemas eram muito atinentes aos seus aspectos psíquicos, envolvendo uma gama de particularidades como remédios que tomava, visões que possivelmente lhe afloravam etc. Outros há, que possuem uma relação de saudade, ítaca perdida, com algum tópos. Outros com uma visão mais crítica, com um olhar sociológico e de denúncia. Há os poetas espontâneos, verdadeiros flaneurs, outros mais cerebrais e técnicos. Há outros extermamente técnicos que procurarm demonstrar não uma certa nostalgia, mas o próprio domínio da técnica, o que acaba por vezes destruindo o verdadeiro poeta que nele reside. Há outros que sofrem influência e querem influenciar com a sua poesia e demonstrar que leem certos poetas. Por fim, tentarei fazer essas ilações. Direi também porque não gosto ou gosto do poema etc. Esta coluna Drops no Café terá também a participação da professora mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP Maria Aparecida de Macedo.             



Escrito por wilson luques costa às 10h29
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DROPS NO CAFÉ

Eu, normalmente, não gosto de falar da poesia de outros poetas, porque pode magoar. Os que citei aqui sempre foram para fazer um certo encômio. Mas vou fazer aqui a partir de hoje alguns breves comentários de alguns poetas. Uma coisa muito subjetiva. Pequenos drops literários. E aí poderá vir o mel ou o fel. Mas tenho que ser justo comigo. Vou comentar como se estivesse num café conversando com um amigo. Por isso terei que ser sincero e justo comigo.



Escrito por wilson luques costa às 10h11
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Rodrigo de Souza Leão

Li nos blogs na semana passada que faleceu o poeta e escritor Rodrigo de Souza Leão.

Eu não o conhecia; como não conheço quase ninguém na intimidade na literatura.

Era jovem. 

Eu andei lendo alguns poemas seus.

E são bem herméticos.

Surtomania


1
pânico
no circo
alado
das têmporas

endorfinas
macaqueando
a goiabada
pineal

volts
em volta
eletrodos
todos

de branco
culpados
culpas
pecados

haldol
no leite
ralo
do tempo

clitóris
de plástico
na sopa
de adrenalina

2

nodoas
nuas
cristalizadas
na nuca
nunca
injete
tudo

3

camisa
sem mãos
sem mangas
nos olhos
apenas
antolhos

na janela
áurea
de peristilos

punção
de morte
fode

4

peixes
fisgando
anzóis
comicham
no corpo
baleias
de chupeta

5

na veia
sossegada
o leão
caminha
inválido
de juba
cortada
cuspindo
vida
curta
em curto
circuito
fechado
faixas
vendas
ferem
as paredes
sem degraus
as pilastras
sem grade
degrade
degradado
de sol
de lua
chuva
desbotada
eletrochoque natural

enguias
guiam
os volts

na cabeça
dos
cegos
de
si

 

Frutos talvez de algumas internações, pelo que sei, por hospitais psiquiátricos.

Ontem mesmo, eu chegei a ler os seus textos publicados na revista Coyote número oito, na qual saí também, como já informei várias vezes nesse blog, com fragmentos de meus textos intitulados O SIMULACRO DO FUTURO e ainda inéditos em livro.

De qualquer modo, parecem, mesmo não querendo, textos similares.

Eu não havia notado, e ontem notei melhor, que o conselho editorial da Coyote, e sobretudo na figura do poeta Ademir Assunção, foi muito generoso comigo, porquanto mo deram quatro des suas sagradas ou (profanas ?) páginas, o que não é pouco.

E não é pouco mesmo.

E é por isso que eu sempre serei grato ao Ademir Assunção e ao Conselho Editorial da Revista.

Aliás, o Ademir Assunção tem um dos poemas mais lindos e jamais feitos e que sempre declamo no banheiro e que pretendo declamá-lo, se me for concedido o direito, num dia desses em qualquer sarau. 

 

´Aprenda a costurar as suas próprias roupas

Quando as flores forem poucas

Quando a brisa do inverno varrer a sua casa

Aprenda a voar com suas próprias asas

Em caso de cansaço sente-se

Como um tigre imóvel ao relento

Atento ao soprar do vento

Atento

Pode ser aconteça

Uma flor de lótus floresça na lama dos seus olhos  ´ 

 

Poeta (TIGRE) Leão, rezo por você daqui, camarada. 

´E louco é quem nos diz e não é feliz...

Não é feliz...´

 

 # Essa letra cantada por Edvaldo Santana é o suprasuprasupradetudo.

# Esse poema é, na verdade, uma síntese de dois poemas do Ademir Assunção.

# Não sei quem teve a proeza de recriá-los dessa forma, se foi o próprio Ademir ou o Edvaldo Santana.

# E isso significa dizer que quem o fez , foi poeta duas vez(es).

E tenho dito.  



Escrito por wilson luques costa às 09h18
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Wednesday, December 06, 2006

 

O COYOTE CANIS
 
depois que o fogo
derreter o gelo
depois que os gêiseres
elaborarem
uma nova primavera
depois que passar
a plena escuridão
o meu uivo ecoará sozinho
o meu grito ecoará no mundo
sou o derradeiro
e solitário
coyote
canis
o último lobo
dos mais fundos dos desertos
geena...


Escrito por wilson luques costa às 10h41
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Nídia perguntou-me ontem 

sobre a vida;

eu respondi:

da vida não é nem coisa que se pergunta,

cala, esquece, olvida,

anda, vai e deixa de ser curiosa;

mas por que perguntar

e perguntar

(assim eu retruquei-lhe) 

sobre a morte

ou sobre a vida?

Tanto perguntar põe-nos

aflitos e um tanto sem norte.

Se tu nem sabes de onde tu vieste,

por que queres saber o que tu és

ou o que tu foste? 

Não pesa saber o quão pouco que na vida fizeste?  

Peguei um livro e falei-lhe: não, eu não sou

Kant nem Sócrates, se queres saber...



Escrito por wilson luques costa às 10h23
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A minha eterna revisão de meus textos. 

Roteiro para uma leitura 

Agora, logo pela manhã, depois do desjejum, andei fazendo mais algumas anotações no meu segundo livro OS GRANIZOS DOS DEUSES.

Clique para ampliar a capa

É incrível como esse livro - e o outro também - me incomoda esteticamente.

E o pior é que eu o preparei adredemente daquela forma, tentando buscar através da escrita o resgate da oralidade primária.

Tudo isso foi feito por conta de inúmeras leituras que eu vinha fazendo na época.

Foi tipo de um projeto com um certo tipo de entropia.

Eu buscava nesses dois textos tratar um pouco do tema da loucura e esquizofrenia.

O que é louco?

O que é esquizofrênico?

Eu queria de uma certa forma quebrar regras, seguir o fluxo da consciência, não equalizar nem equacionar nada.

Deixar as imagens, metáforas, seguirem à deriva.

E o saldo é o livro já publicado.

Mas o estranho é que os saltos incomodam-me deveras.

É como se eu tivesse enamorado por Schönberg  e Webern ou Stravinsky e agora detestá-los. 

Foi uma intenção de escrita dodecafônica.

Mas a minha crítica e autocrítica são veramente mais para o clássico.

Há uma espécie de superego clássico comigo, no qual escoro-me para criticar-me, vez em quando.

E eu, numa quase contrição, como alguém que tivesse cometido um pecado, fico me esconjurando depois da pedra grafada.

Abaixo vão algumas anotações que ressalvei hoje em meu livro.

Um tipo de receituário para a sua leitura.

É querendo explicar o inexplicável.

É uma tentativa de salvaguarda.

É incrível como esse livro me desassossega.

Deveras, ou ele será um grande fracasso, ou será, com efeito, um marco na nossa literatura mundial.

Comigo é assim: eu não tenho, de fato, as meias medidas.

 

Acendam os seus farois: estou indo à alta velocidade

pela contramão da história

e ainda por cima

creiam 

sozinho.

 

Que as traças me roam.

 

# Rediagramar sem os capítulos. Cada capítulo ulterior estará separado do anterior por um pequeno espaço. Trata-se de um fluxo de consciência. O personagem é levado a pensar pelo seu fluxo de consciência. É o id que narra. Por isso os saltos, porque quem narra é o lado não censurado do personagem.

 

# É como se assomasse à nossa mente uma gama de imagens e de pensamentos sem a devida filtragem do chamado superego.

 

# Trata-se na verdade de um monólogo. A figura fatasmática de Proserpina

 é o leitmotiv de Plutão, que parece ser acometido de uma tal esquizofrenia.

 

# É como se o superego de Plutão tivesse se dissipado e rompido as comportas das etiquetas sociais e burguesas. Rompe-se junto às comportas todo tipo de sintaxe que também aprisiona.

 

# Nesse texto, intentei publicar o não depurado. Na literatura trata-se sempre de fazer vir a lume a coisa trabalhada e depurada. Eu procedi com o inverso, trabalhei com o caos.

 

# Há ao mesmo tempo a intenção de mostrar que há também um tipo de verdade e lucidez em toda forma de loucura e entropia.

 

# Notar o senso crítico e abalizado de Plutão. Enquanto o texto escrito tende a uma oralidade - um tipo de resgate pela escrita da oralidade - o conteúdo, por outro lado, tem uma noção plena da realidade, apontando os seus disparates.

 

# Plutão parece um desequilibrado, sobretudo pelo seus discurso tortuoso; todavia a loucura está no bojo da sociedade criticada por Plutão, com seus esgarçamentos e conflitos que vão da gula à inveja a uma infindável de outras traições e maquinações...   

         



Escrito por wilson luques costa às 12h25
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O viandante

Hoje dali do edifício itália, uma amiga conta-lhe de suas andanças e das andanças de seus pais, avós.

Instiga-o a fazer uma aposta: correr mares, rios e conhecer outras espanhas.

Ele, silente, degusta o seu vinho do porto e pensa em camões.

Pensa também às vezes em cortar o oceano ou riscar o sertão de ponta a ponta, mas dissuade-se lendo máximas de wilde, estórias de conrad ou contos de guimarães...

sampa - wilson luques costa



Escrito por wilson luques costa às 22h55
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neste deserto

de mim 

eu sem você  você sem mim

não somos nós

eu sem você  sou sem mim 

sem você em mim

sou este deserto de mim

eu sem você

você sem mim



Escrito por wilson luques costa às 22h49
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26/05/2008

O MEU GATO DIONÍSIO E A CONTENDA DE DAVOS 

 

o meu gato dionísio

talvez desconheça

a frase ícone-simbólica

de c.peirce

o meu ignoto

gato dionísio

ignore

talvez/também

a periclitante e polêmica

contenda de davos

que quase colocou

em xeque

os postulados

metafísicos

de

heidegger e cassirer

é cínico e discreto

esse  meu gato dionísio

porém

sabe falar das nossas mortes

como ninguém

e exibir todo o seu instinto

de animal felino

para a exuberante

divina e galante

gata madalena 

 

wilson luques costa

sampa/2002/século xxi 

 



Escrito por wilson luques costa às 11h36
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Voltando ao Paradoxo do Zero (Para bom entendedor, meia palavra basta.)

O que pretendo dizer é que o Princípio da Identidade não pode ser tomado como princípio universal, enquanto não se resolver essa aporia.

Portanto, desconsidere, destarte, quaisquer ensaios que se apoiam no princípio da identidade como fundamento universal e necessário, porque está sub judice filosófico em frente ao que denominei de o Paradoxo do Zero.  



Escrito por wilson luques costa às 11h31
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REVISTA COYOTE 19

Está rodando na praça mais uma edição da revista COYOTE.

Dizem as más línguas que se trata de uma, senão a melhor, das melhores revistas literárias do Brasil.

E por que não dizer desse mundo globalizado?

E não é por me gabar não, mas eu estou escondidinho na de número oito lá -- com Bukowski e Cia -- com um texto bem maluco.

E não adianta me tirar não, porque a revista já rodou todo o continente.

E agora vai ser difícil recolher todos os números com a flecha já lançada.

Quem quiser é só conferir abaixo.

Só tem cara que faz literatura com o próprio sangue, como diria aquele louco e mais que filósofo Nietzsche.

Você pode até não gostar.

E nós perguntamos: e daí? 

Literatura não veio para conformar mas sim para incomodar.

Ou hodie seria o contrário?

Ou como diria também aquele outro louco poeta : ´para desafinar o coro dos descontentes.´

 

 

 



Escrito por wilson luques costa às 10h58
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Discurso de Corintiano

Minha terra tem desemprego 

falação  hipocrisia  deputados 

senadores  vereadores e mais corruptos

Tem um povo que acredita

em tudo que se diz

Tem rumores 

E às vezes até ramones & mad / donna

made in usa que prostrados aplaudimos

Minha terra tem tantas coisas...

Tem também são paulo,

palmeiras, inter,

vasco e  botafogo...

É uma várzea...

Enfim...!   

# Devidamente revisado a cada edição



Escrito por wilson luques costa às 10h34
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31/10/2005 19:30

O homem contemporâneo

Nasceu para consumir e desperdiçar.

E o maior desperdício

Que ele tem feito

É o desperdício da virtude.



Escrito por wilson luques costa às 20h56
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VALE A PENA NÃO LER DE NOVO

´Assim os que exercem uma ciência ou uma arte por amor a ela, por alegria, per il loro diletto, são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vistas ao que que ganham, porque seu objeto dileto é o dinheiro que têm a receber. Esse desdém se baseia na sua convicção desprezível de que ninguém se dedicaria seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome ou por uma aridez semelhante. O público possui o mesmo espírito e, por conseguinte, a mesma opinião: daí provém seu respeito habitual pelas ´pessoas da área´ e sua desconfiança em relação aos diletantes. Na verdade, para o diletante, ao contrário, o assunto é o fim, e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor, con amore. É sempre de tais pessoas, e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas.´    

SCHOPENHAUER

Missiva sobre o conceito PZ

A idéia de Paradoxo do Zero surgiu-me justamente quando eu também cursava mestrado em filosofia na PUC-SP. 
É verdade, eu escrevi um texto muito célere no intuito de um registro na Biblioteca Nacional. 
Pretendo ainda escrever um opúsculo sobre o assunto -- mas sem as divagações filosóficas.
Resumindo, eu posso dizer o seguinte: derivei uma fórmula de verdade para os números  --
sobretudo números naturais - nos quais insere-se o zero. A fórmula é a seguinte:
A x B = C  SSE  C: B = A
A partir desse ovo de colombo encetei o trabalho com qualquer número natural, a saber:
A = 2
B= 3
aplicando a fórmula: 
A x B = C  
sse  C: B = A 
 ---------  
2 x 3 = 6  
sse   6: 3 = 2  
 
Note-se que não há a chamada contradição e nesse sentido poderemos trabalhar
com todos os chamados números naturais.
 
Agora para não nos estendermos demasiadamente, aplicarei a mesma fórmula para o zero:
 
A = 1 
B= 0
 
1 x 0 = 0 
sse 0 : 0 = 1  
 
Note que haveria uma contradição aí diante dessa fórmula.
E a partir daí faríamos inúmeras perguntas à propria matemática e à própria filosofia da linguagem.
Na realidade, isso de PZ dá pano para manga.
Mas resumindo um pouco mais: a matemática informa que não podemos dividir por zero.
Então o que fiz?
Fui no princípio da identidade e fiz uma ressalva no PI , tirando assim a sua universalidade.
O que fiz foi o seguinte: O PI diz que   A = A mas note que é uma relação de igualdade --
e isso me impediria de trazer o A posposto à igualdade,
porque incidiria no que se segue: A/A = 1 
no caso de 
para A = 0.
Prezado P., eu infelizmente não tenho tido o espaço no Brasil. 
Muitos professores da USP ignoraram e na PUC-SP um professor indicou-me
para o doutorado - mas um outro professor ignorou-me.  
 
Daqui a pouco encaminho um outro e-mail sobre o princípio da identidade negativa.
 
Eu vou elucidando aos poucos esse meu pensamento... 
Muito obrigado e um abraço sincero do wilson luques costa      


Escrito por wilson luques costa às 10h37
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