BUGLOGOS 
Encontrei agora entre as minhas papeladas uns textos meus minimalistas. Estão numas poucas (se muito 6 ou 7) folhas de caderno e estão grampeadas numa capa muito mal feita por mim. Tem o título BUGLOGOS. Na verdade, não foge muito ao meu estereótipo de escrita. Começa com um texto bem prosaico e acaba num eterno e sempre vazio; porquanto ser essa uma marca minha. Encerro esse registro com o próprio texto inicial, dando-lhe a mesma e sempre circularidade que compõe a maioria dos meus textos. Eu gosto muito desse expediente de repetir o que já havia sido dito antes. Faço isso com contos, poemas, bosquejos de teatro etc. Uma outra característica de ´meus escritos, e é o que percebo, é a tendência ao esvaziamento da escrita, permanecendo tão somente o enredo e algumas palavras limítrofes entre o dizer e o não dizer. Sei que não sou original nesse modo de compor. Aliás, está aí o Sir Beckett para nos dizer(?). E é certo também que sofri toda essa influência de outrora. Ou seja, foi-me dado em algum momento o indulto. Mas o que tento escrever é mais uma necessidade de expressar e a não vontade da ação. Ou seja, por um lado, a volição da alma despedaçada em querer dizer; do outro o corpo, soma, numa prigitia jamais vista. Por isso todos os meus textos serem extremamente curtos e com uma ejaculação precoce jamais sentida. Certa vez, iniciei um romance, e quando fui perceber só estava soltando palavras ao léu. Voltando ao BUGLOGOS, eu chego a inserir modelos da lógica, expressões dedutivas e indutivas, axiomas, premissas, conlcusões, modelo barbara, fórmulas matemáticas etc. Quase no penúltimo capítulo, antes de repetir o texto do primeiro capítulo, reescrevo em alemão a famosa frase de Witt. Por fim, encerro com a palavra Silêncio. Essa é a minha literatura e ela assim sempre será. Jamais poderá haver plot para mim, quando for a minha alma etérea a escrever os meus livros e não a minha alma racional.´
Escrito por wilson luques costa às 12h19
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Curtas Escrever no blog, acaba por me dar, por vezes, algumas certezas indutivas: estive gripado e meio febril há um ano, estou tentando me safar neste exato momento de uma tosse incessante e uma gripe não febril. Mas como toda indução é falha: seguir adelante. A morte de qualquer pessoa deveria ser lamentada e chorada pelos quatro cantos do mundo. Mas algumas mortes são lamentadas sempre um pouco mais. É pena que nem toda morte é uma morte midiática. Há pessoas que vem, passam e vão em vão. Em vão? Vivemos, outrossim, sim, a vivíssima espetacularização da morte. Não estou com muita disposição para escrever. Lembra-me nun uma frase de Borges: ´Sou menos um escritor do que um ledor`. Se não for de Borges essa frase mais ou menos assim, credite o butim a mim.
Escrito por wilson luques costa às 12h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O tempo passa Passou-me despercebido. Mas fez um ano que fui indicado, não sei por quem, como blog legal. Não sei até que ponto isso é importante ou não. Mas vou escrevendo por desejo próprio. Depois não sei o que farei com essas ´escrituras´. Talvez delete tudo. Talvez salve um ou outro texto. Talvez transforme tudo isso num livro, onde eu serei o próprio personagem. Um tipo de alter ego. Creio que aqui faço literatura sem mesmo entender ou perceber todo esse processo. Eu creio que eu arrumei um modo. E o modo é esse. Apraz-me deveras uma frase que engendrei para mim mesmo: ´Tudo que escrevo é literatura, só não é literatura quando tento fazer literatura.´ Clica no logo Olá! Seu blog foi selecionado como um dos legais do UOL. Parabéns! Veja no link abaixo como colar o selo de Blogs Legais: http://04021c3560d0c90306.comunidade.uolk.uol.com.br/2008_06/topic2008_06-25_17_23_25-3929349.html
Escrito por wilson luques costa às 13h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O uísque de Palamás Kaváfis com seus 154 poemas quase que abalou Os alicerces de Alexandria. Quando se é grande Nem mesmo doses excessivas de Palamás Anuviarão o estro De um poeta-mor.
Escrito por wilson luques costa às 19h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]
A POMBA
Vai bicando a pomba
a calçada pisada pelo cromo sapato
do nababesbo dealer
Sua ação é o milho
posto junto à estátua de Goethe
na Praça
É no milho que a pomba investe
Enquanto vai defecando
sobre as cabeças dos homens bem-vestidos
de zuarte
Escrito por wilson luques costa às 13h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Invariavelmente, por mais que tentemos considerar o mundo como puro pragma - no stricto sensu heleno - ou seja: lídima realidade -- mas a vida é só o que efetivamente vivemos acordados ou pode ser uma coisa platônica também? Se tu sonhas com Vera Fischer, tu podes conceber como um factum ou não? A vida se biparte entre oneiros e realidade? Dividamos então as nossas idades pela metade ou o seu um terço? O que é vida, pois, afinal? O pesadelo que tive pode marcar-me para sempre? Saí com todas aquelas gatinhas de meus sonhos? Qual é a linha tênue entre vida/vida e vida/sonho? Muitos estudos filosóficos advogam rabulamente ou não a estesia da transcendência... Mas não quero enveredar por esse cipoal filosófico que nem é a minha oikia... Falo isso porque ainda revendo papéis in domo, deparei-me num mundo platônico-literário por mim habitado, mas que na verdade não compõe o meu mundo real. E esse mundo é o mundo da literatura. Vejam alguns exemplos platônico-literários: na revista coyote n.8 estou arrolado ao lado de: Caio Meira, Carlos Eduardo Zago (jovem poeta que se suicidou em nov. de 2003), Cecilia Vicuña, Charles Bukowski, Edmond Jabés, Flávia Rocha, Furio Lonza, Heriberto Yépes, Luci Collin, Marcelo Tápia, Márcia Denser, Rodrigo de Souza Leão, Rubens Pillegi, Sérgio Medeiros, Sérgio Monteiro de Almeida, Walter Nery, Yi Sang, Yun Jung In... Esses todos de várias etnias selecionados pelos editores da coyote formam um mundo à parte em épocas do aquém e do além que transcendem a nossa realidade - mas que nos faz conviver num outro plano talvez estético... É verdade que esse mundo foi criado de maneira arbitrária pelos editores da revista -- mas não seria um tipo de um mundo à parte? Cada qual com as suas indissolúveis idiossincrasias e escritas tão diferentes e tão iguais... Eu, por exemplo, fico com uma vontade louca de saber - e principalmente num mundo irreal - sobre Jabés, Heriberto Yépes (que é mexicano e dizem que uma força da nova literatura mexicana), Vicuña e os colegas brasileiros... De todos, só estive perto, mas longe, de Marcia Denser -- os demais pesquisei nas bibliotecas, internet, ou livrarias... E, às vezes, eu fico pensando comigo: será que um mexicano não menos curioso ou um vai saber lá o quê não vai ficar interessado em saber quem somos nós? Talvez sim; talvez não... E é esse lado arcano e misterioso que dá, na minha opinião, o seu sabor literário... Isso me faz lembrar do prazer protelado - algo como bem disse no seu blog o Marcelo Coelho - numa digressão meio benjaminiana do chocolate Lindt... Nem sempre é gostoso demais ser um chocolate (garoto) -- a delícia, às vezes, lind(t) a é mesmo a protelação...
Escrito por wilson luques costa às 15h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Cheguei a escrever alguns textos em outro blog, mas não consigo mais encontrá-los. Mas escontrei esse texto meio perdido. Monday, January 22, 2007 Livros são recortes. Registros mais ou menos importantes ou não de um autor- consagrados por ele mesmo, pela sua editora, ou pelos seus amigos ou nem consagrados por ninguém; mas não deixam de ser livros, porque estão numa essência que lhes denotam as características-essências (ousías) de um livro. Livro até agora ( porque também está mudando) é mormente constituído de papéis, páginas e textos. Muitos, depois da era Joyceana, nem isso. Houve também os palimpsestos, pergaminhos e outros. Um livro pode ter somente palavras sem nenhum significado (?), pode também ter um arrazoado de intenções ou poemas - pode ser uma coletânea de rascunhos que se adensam em forma de livros. Um livro de Arnaldo Antunes pode ser diferente de um livro de Ferreira Gullar ou Murilo Mendes, como um livro de Murilo Mendes mais diferente de um outro, e esse outro diferente de outro e outro, embora livros. Livro é às vezes menos literatura e mais artes plásticas. Os textos podem ser - e por que não - suportes, continentes, e não conteúdos. É preciso notar também que como o conceito invadiu as artes plásticas e a filosofia a literatura -- a literatura também sofreu esse tipo de entropia. Os textos sendo suportes de intenções estéticas. O que ocorre no entanto é que vemos e vimos o livro como auto-ajuda. É evidente também que toda proposta estética tem lá o seu télos. Mas isso não quer dizer que nos textos você poderá sempre e sempre encontrar o seu fármacon. Eu, por exemplo, tenho livros em casa como se fossem verdadeiros quadros. Deixo-os num lugar privilegiado em minha estante. Na verdade, não estou cultuando o que ali está escrito. Cultuo menos o autor epigrafado. Cultuo, outrossim, o ilustrador incógnito. O problema, a meu ver, é vermos, apesar de abominarmos essa conceituação, os livros como auto-ajuda, como algo panacéico. Algo que transmutará as nossas vidas nas primeiras dez linhas. Um livro pode ter infindas leituras. Infindas propostas. Nem sempre atrás de um escritor está um escritor verdadeiro. Um livro pode ser uma obra de arte. Pode ser um novo tipo de instalação. E esse museu pode ser sim a sua própria casa. Sempre me recordo de um frase minha, quando me perguntavam se um livro poderia mudar o mundo -- e eu sempre respondia: ´Claro que pode, é só você colocar uma bomba de nitroglicerina dentro.` Um livro antes de tentar mudar o leitor deveria se perguntar para que ele mesmo veio... Às vezes, veio mesmo para nada... É só você ler a maioria dos livros nas estantes de sua biblioteca ou dos seus alfarrábios... Não é mesmo?... E tenho dito...
Escrito por wilson luques costa às 12h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Eu sou eu e as minhas circunstâncias: uma visão periférica do conceito crise Venho de um encontro com companheiros. E como, há mais ou menos um mês, recebi um convite para dar uma palestra sobre qualquer assunto (no que não considero palestra) -- mas, outrossim, um diálogo -- resolvi escolher o tema Crise. Tentei explicitar qua o conceito crise não tem mais do que trezentos anos, se muito. Falei de sua possível etimologia grega: krísis -- que seria o ato de julgar. Abordei que o conceito crise surge mais precisamente com o advento da Revolução Industrial, a qual impõe certos tipos de controle à sociedade, transformando o tempo dos mosteiros em um mensurador de produtividade e por conseguinte num tipo de escopo a ser sempre e sempre e sempre superado. A razão a serviço dos controles? Passei muito brevemente pelas crises capitalistas, como as da era napoleônica, 1929, 1987 e a atual(?). Disse que as crises podem ser do tipo de escassez e superabundância e que a crise econômica superestrutura os outros mais variegados tipos de crises. Falei da crise como bode expiatório. Comentei que as crises passam e vem e passam, enquanto modelo capitalista etc. Havia quase sessenta companheiros. Procurei não ser muito prolixo, embora o tempo que me fora concedido fora demasiado lato. Fiz a leitura de um trecho da proposta de paz da Soka Gakkai para 2009. Na qual concordo ipsis litteris. Destaquei que não podemos ser maniqueístas, no sentido de antanho: destra/sinistra. Que seria mais necessário atentarmos para os modelos que consagrassem mais os valores éticos em nossa sociedade. Por fim, fiz a leitura do texto abaixo, com algumas retificações, porquanto o escrevi ontem currente calamo cum grano salis in blog. Espero não ter decepcionado. # O meu muito obrigado a todos os companheiros
Escrito por wilson luques costa às 12h30
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Eu sou eu e minhas circunstâncias" Ortega y Gasset
Uma visão circunstancial da crise Parece-me que a palavra crise seja-nos, deveras, contemporânea. O que eu pretendo dizer com isso? Pretendo dizer que nunca se falou tanto de crise como agora. Eu fui pesquisar a origem da palavra crise, e encontrei poucas referências à sua origem. Encontrei a palavra grafada em grego que pode siginificar `desequilíbrio´, ´julgamento´etc (sic). Ora, pensei: só há desequilíbrio, se já houve antes o seu oposto o equilíbrio, não é mesmo? Aristóteles no século IV a.C já defendia o equilíbrio ou o chamado caminho do meio, opondo-se a todo tipo de vício que ele julgava prejudicial ao ser humano. Sobre crise, é comum ouvirmos falar de crise conjugal, crise financeira, crise do futebol, crise das instituições, crise das relações pais e filhos, crise da educação, crise do namoro, crise da fé, crise do trabalho, crise pessoal etc. Ou seja: vemos que há crise para todos e para tudo. Não é incomum também, nos dias de hoje, sairmos duma crise, para adentrarmos imediatamente outra ainda mais profunda. É óbvio que, aos olhos dos historiadores e pesquisadores, poderá haver a crise da monarquia, a crise do império, a crise de Atenas, a crise de Roma, a crise de Napoleão etc. Mas tudo isso não nos parece ser uma crise para a população da época. O que quero dizer é que provavelmente Napoleão não dizia estar em crise ou os Romanos em crise frente aos Bárbaros. E quando digo isso, quero fazer uma leve distinção entre a chamada crise atual, comparada com as outras dificuldades de outros tempos. A crise parece que se tornou, nos dias de hoje, um tipo de bode expiatório para os nossos fracassos. Hoje, parece que somos tomados por um certo tipo de letargia, para não dizermos preguiça. E torna-se fácil culpar a crise por tudo. Se não dialogamos com os nossos filhos, a culpa é da crise. Se não dialogamos com as nossas esposas, a culpada mais uma vez é a crise. Se perdemos o emprego, a culpada é a crise. Como é culpada a crise, também, quando os patrões encontram motivos para demitir. A crise apesar desse lado maléfico, pode também nos servir como uma boa desculpa para as nossas não ações. Há um provérbio latino que nos diz assim: Abyssus abyssum invocat -- ´Abismo chama abismo`. E não seria de todo errado afirmar que uma crise, quando a alimentamos, chamará outra na certa. E isso significa dizer que a crise pode ser algo construído por aqueles que desejam a crise. E isso siginifica ainda dizer, que se para um lado a crise é ruim, para outro, na certa, será boa, porque pela lei da compensação, não há um perdedor sem um ganhador na outra ponta. É evidente que alguém poderá nos arrostar assim: mas vejam, eu estou desempregado, perdi o meu casamento, meu filho me abandonou, meu cachorro sumiu com o vizinho e por isso eu estou em crise. E então nós poderemos dessa forma arguir: Então quer dizer que o seu emprego era a sua felicidade e o seu equilíbrio? Então quer dizer que o seu casamento e o seu filho eram a sua felicidade? Então quer dizer que o seu cachorro macilento e cheio de sarna era o seu companheiro e a sua felicidade? E a culpada de tudo isso é a crise? A crise seria então algo externo e aleatório à qual não haveria remédio? Quer dizer então que não foi possível deter a sua demissão, não obstante ter faltado dez dias por causa das suas ressacas de segundas-feiras? Quer dizer então que a sua mulher lhe abandonou, só pelo simples motivo de você ficar com os seus amigos em 40 sábados do ano e pelo menos 38 outros domingos? Então quer dizer que o seu cachorro lhe abandonou só porque você jamais lhe deu um mínimo de ração, nem mesmo quando sobrava de suas grandes esbórnias? É como dissemos no início desse texto e dessa fala: se formos aos inúmeros dicionários, na certa, não encontraremos mais do que dez significados etimológicos para a palavra crise, mas que essa palavra crise tem tido um significado imenso, nos dias de hoje, para nós , disso temos absoluta certeza. Aliás, o que seria de nós mesmos, se não houvesse essa tal crise inventada ou não? Com o que explicaríamos essas nossas não vontades em querer enfentar uma crise, mínima, verdadeira, real - que seja - qualquer?
Escrito por wilson luques costa às 10h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Eu sei, tenho um defeito: superestimar em demasia a capacidade de compreensão das pessoas que não querem ou não podem compreender.
O PRINCÍPIO DA IDENTIDADE NEGATIVA 
O que denomino de princípo da identidade negativa, nada mais é do que justificar racionalmente a sua possibilidade; ou melhor dizendo: se a = a é posto; então -a = -a também é posto no mesmo status. Ou melhor: se a = a então a - a = 0 -- então -a = -a. E isso pode implicar o não-eu fichteano ou não. Mas o que é mais importante notar é que com o princípio da identidade negativa a dialética fichteana toma ares dialéticos na sua concepção mais lídima. Ou seja, o não-eu já não estaria numa possível irracionalidade (apenas subsumido) ante o princípio de identidade clássico. Ou seja, passa-se de não-eu paciente a não-eu reagente.
Escrito por wilson luques costa às 10h51
[]
[envie esta mensagem]
[link]
REFLEXÕES DE UM HOMEM DOENTE
Quando a cidade acorda O homem doente dorme
Mas quando a cidade dorme O homem doente também dorme.
Escrito por wilson luques costa às 19h40
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Blasé Andei relendo trechos de Perturbação de T.B.; alguma coisa de Bachelard e W. Benjamin e outros tantos fragmentos. Tudo pela metade. Tudo ficando pelo meio do caminho. Sou fragmento. Sou fragmentação. A minha vida é um sistema todo feito de mosaicos.
Escrito por wilson luques costa às 19h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Quem nomeia poeta (é poeta) Eu já comentei isso aqui no blog, mas isso me incita novamente a comentar. A ideia de nomeação, não raras vezes, está no olhar do outro. E isso é tanto no preconceito, como também no panegírico. É mesmo uma posição atinente à filosofia: idealista ou não idealista; a coisa em si no ser cognoscente ou no objeto. Portanto, nomeação não está no objeto que se autonomeia. Pode até estar. Mas, infortunadamente, não terá tanta relevância assim, e até parecerá aos outros um certo cabotinismo. É óbvio que eu posso me declarar um concertista, um maestro, um pintor, um músico; mas de bom tom sempre seria que a nomeação partisse sempre e invariavelmente, de preferência, do olhar alheio. Eu mesmo, por mais que isso possa parecer implausível, jamais me identifiquei e gostei de ser nomeado por ser isso e aquilo. Deveras, essa é um tipo de indumentária de que não gosto de vestir. Lembro-me da vez que lancei o meu primeiro livro de contos, ou muito antes, quando algumas pessoas me apresentavam como escritor ou poeta. E eu, para falar a verdade, ficava muito sem jeito. Eu ficava lá comigo pensando: oras, por que me cognominaram de escritor, se jamais escrevi um livro? ou de poeta, se jamais lancei um livro de poesia? ou mesmo me apresentei dessa forma? ou sequer mostrei-lhes sequer um tosco verso meu ? Como eu tive uma fase muito tímida e de retraimento, eu julgava que aquilo era um modo de dizer assim: o W. é um cara diferente -- ele tem atitudes um pouco diferentes das nossas, ele se apraz mais com os livros do que com as pessoas etc. Ou seja, a nomeação de poeta e escritor talvez tenha sido feita no fito menos do encômio, mas sim de passar uma coisa excludente: vejam: lá vai o poeta, o sonhador. De modo que eu não era o escritor ou o poeta naquilo que os poetas julgam ser um poeta. Como poderia ser eu um poeta sem poesia? Ou a poesia já habitava em mim e eu nem sabia? Quer dizer que poeta não é aquele que faz versos então? Até hoje, creiam, eu me sinto numa imensa saia justa quando me chamam de poeta ou coisa assim. Penso sempre que há no ar um ar de desfeita e de pusilanimidade. Um modo de escarnecer-me até as minhas mais recônditas vísceras. E quando isso ocorre, logo vou aos meus alpharrabios para saber se, de fato, tenho algum poema que possa justificar-me com esse apodo. E a verdade é que não obstante o meu esforço hercúleo e/ou titânico, eu ainda não o encontrei. Mas quem sabe se ainda eu algum dia o encontrarei para justificar essas nomeações tão atemporais. Isso tudo me faz lembrar de uma máxima que eu li há alguns dias lá em minha biblioteca: ´quando, meu amigo, lhe chamarem de asno, começa logo e imediatamente a ornejar´. Já no meu caso específico será que um simples verso não mo salvaria? E eu, para mais uma vez dizer a verdade, acredito que não! # O meu mais profundo agradecimento ao grande poeta uruguaio, esse sim, Alfredo Fressia 
Escrito por wilson luques costa às 10h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O meu inesquecível domingo de Proust 
Domingo, no dia 14 de junho, fui à casa de meus tios em Taboão da Serra. Fomos com quase toda a família: eu, Raquel, minha mãe, meu pai, minha irmã e meu cunhado. Foi um domingo muito legal e inesquecível. Pudemos felicitar a nossa tia, irmã de meu pai, pelo seu aniversário -- e estreitar contatos com primos de primeiro e segundo graus. Aliás, primos maravilhosos. Comemos uma belíssima feijoada e saboreamos um bolo irresistível. Tudo isso regado em meio às mais variegadas conversas. Lembro-me de minha infância, quando eu ia com meu pai até Taboão da Serra. Foram aqueles domingos, domingos inesquecíveis para mim. Recordo-me de uma fábrica que se me refletia com um tipo de material de aço, que embotava os meus olhos. Eu, lá do pináculo, do meu lado esquerdo, via também uma ambulância sempre à espreita. Taboão da Serra faz divisa com São Paulo, mas só o fato de ser um outro município, já lhe dá foros de migração. Todos os meus primos de segundo grau são músicos excelentes. Tocaram chorinhos em homenagem à avó. Todos, num certo sentido, com uma veia artística -- creio que herdada lá da chapada diamantina. Eu nunca tive um pendor para tocar qualquer instrumento. Já tentei aprender violão por duas vezes e desisti. É porque me é incômodo mesmo. Não obstante desejar tocar algum instrumento um dia. Julgo que eu me daria melhor com um tipo qualquer de teclado. Posto que gosto de digitar. Eu sou uma pessoa com laivos mais tendentes à abstração; ao pensamento; embora isso não signifique um tipo de música. Não obstante, pensar também que escrever requeira uma certa harmonia. As palavras para mim são como notas musicais; por isso que releio quase sempre o que escrevo. Escrever para mim é orquestrar uma grande sinfonia: clássica, dodecafônica ou desafinada. Tudo, obviamente, dependendo do meu dia: de Bach, Beethoven, Schönberg ou mesmo Ulysses --nesse quase que ensolarado Bloomsbloomsday´s...!
Escrito por wilson luques costa às 11h45
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Do grego poiesis ação de fazer algo arte de escrever em verso aquele que faz aquele que verte aquele que inverte aquele que volta aquele que vai aquele indivíduo que ali vai poeta tanto faz do grego poietes julho - 2000
Escrito por wilson luques costa às 10h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
As minhas elucubrações Ontem, à tarde, tentei mexer numas caixas com um monte de jornal velho e algumas anotações. Encontrei dois poemas. E dos dois gosto muito. Arre! Um é que fala dos shoppings e o outro que versa sobre a poesia. Fico com receio, não obstante a limpeza do salão por conta de minha irmã e minha mãe, de pegar nesses jornais velhos e papeiramas. Achei lá largado um folder de um simpósio da puc-sp sobre o pragmatismo, do qual (?) participei como ouvinte; encontrei um livro de poesia  - de uma poeta espanhola - Josefina Plá - radicada no Paraguai - com tradução de Alfredo Fressia, e dedicado a mim mais ou menos assim: ao poeta Wilson, e fazendo uma referência um pouco elogiosa aos Granizos -- ´esses granizos que ardem`. É legal quando encontramos referências assim -- mas sei da enorme cordialidade e educação do poeta uruguaio Alfredo Fressia. Eu mesmo, ontem, novamente, reli os meus dois livros, porquanto curtos, e não gostei de novo. À tarde, indo para a casa da minha noiva, enchi a minha mochila de livros. Aliás, esse é um defeito do qual não me desfaço. Vim com um texto em alemão sobre Davos entre Cassirer e Heidegger. Já trabalhei esse texto, mas não me interesso sobre a disputa de ambos, mas sim em compreender um pouco a sintaxe alemã. Li também alguns contos do Caio Porfírio - (livro também com a sua dedicatória) -  além dos Ricordi de Guicciardini. Eu percebo que eu fico muito ensimesmado quando leio muito, e isso não é bom nem para mim nem para ninguém. Parece que fico gravitando em outro mundo. E todo mundo me estranha. E eu acabo estranhando também todo mundo. E isso não é muito bom para mim nem para ninguém.
Escrito por wilson luques costa às 11h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Apara encontrada em meus bricabraques - 19/03/2003 Na certa, eu devia estar chateado com alguma coisa. Que coisa é essa eu não sei. Talvez a literatura brasileira, a música brasileira, a literatura mundial, a arte em geral. Algum motivo havia. E por que não dizer da própria filosofia? ´Só se pode venerar de verdade o grotesco Quem venera o grotesco acaba por venerar a própria vida´
Escrito por wilson luques costa às 20h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Postei no blog do Antonio Cicero
Antonio Cicero disse... Wilson, Pelo que entendo, o que você está dizendo é simplesmente que a relação de contemporaneidade é transitiva. É verdade, Se X é contemporâneo de Y e Y é contemporâneo de mim, então X é contemporâneo de mim: o que é verdade.
Abraço --- Quando você faz a argumentação acima, fica dúbio se é verdade o que digo, ou se é verdade, se penso dessa maneira, que o seu pensamento é verdadeiro -- sim, penso que nesse sentido o eu fica atrelado e que nesse sentido a ideia de contemporaneidade torna-se universal -- por exemplo: Sócrates é contemporâneo de Platão ou Sócrates é do mesmo tempo que eu de Platão. A saber, o Eu superestrutura a contemporaneidade - esse é um tipo de leitura e interpretação que se poderia fazer... Há muito mais coisas que penso até quando estou dormindo... é pena que não anoto tudo... Mas é um questionamento que por ora me ocorre--. Grato wilson Adendo: Enquanto eu, existe contemporaneidade. Ou seja, quando aludo ou nomeio qualquer contemporaneidade,enquanto eu, a contemporaneidade está em função ou em relação ao eu. Quando digo que Shakespeare é contemporâneo de Bacon, não seria a temporalidade de ambos que os faria contemporâneos, mas sim a minha superestruturação. grato. wilson
Escrito por wilson luques costa às 11h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
LUDUS 
É assim que gosto de passar os meus sábados: junto à minha noiva e dos meus familiares. Não gosto de sair e zanzar por aí. Prefiro ficar por aqui mesmo. Gosto de ter todos por perto. Fico folheando um livro aqui, outro acolá. Daqui a pouco vou tentar recordar alguma coisa do grego, que há algum tempo me afastei; vou também checar um pouco do hebraico -- estou com um livro de economia em alemão, só para caçar algumas palavras; trouxe também um dicionário de alemão -- mas no alemão não evoluo, como também ibidem nas demais línguas. Tenho imensa dificuldade em pronunciar em alemão qualquer palavra com `ch´-- por exemplo: ich, Fichte, Brecht -- outra dificuldade é a sintaxe alemã, com aquelas vírgulas intercaladas -- mas tudo isso é para me distrair -- não há um propósito de domínio -- ao contrário do que vemos hoje em dia na nossa sociedade. Eu prefiro o caminho ao objetivo final. E é esse, creiam ou não creiam os senhores, que é o sabor mais adocicado da minha vida, por mais que isso possa lhes parecer abjeto.
Escrito por wilson luques costa às 18h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
RESPOSTA DE ANTONIO CICERO Antonio Cicero disse... Wilson,
“Contemporâneo” quer dizer “do mesmo tempo” ou “do mesmo tempo que”. Trata-se, portanto, de um termo que exprime uma relação. Não tem sentido usar essa palavra a menos que estabeleça uma relação entre dois termos ou relata. Quando digo “Leonardo foi contemporâneo de Michelangelo”, os dois relata estão explicitados. Quando digo apenas “Leonardo foi contemporâneo”, essa proposição está incompleta. Ela não consegue dizer nada. Quando digo, porém, “Leonardo é contemporâneo”, supõe-se implícito que o segundo relatum seja eu mesmo. Qualquer outra suposição seria totalmente arbitrária.
Não há nada de estranho nisso. É exatamente como com a expressão “longe”. Eu posso dizer: “Pequim fica longe de São Paulo”. Se eu disser apenas “Pequim fica longe”, quero dizer que Pequim fica longe de mim, isto é, de onde eu me encontro.
Abraço
Prezado Antonio Cicero, Antes de tudo, grato pelo retorno. Mas vejamos: se contemporâneo = do mesmo tempo que eu -- isso não nos impediria de escrever x é do mesmo tempo que eu de y -- nesse sentido, podendo ocorrer um tipo de atrelamento às temporalidades entre ´x´ ´eu´ y --permitindo-nos supor uma linha de contemporaneidade que não se romperia. Mais uma vez muito obrigado. Antonio Cicero disse... Wilson, Pelo que entendo, o que você está dizendo é simplesmente que a relação de contemporaneidade é transitiva. É verdade, Se X é contemporâneo de Y e Y é contemporâneo de mim, então X é contemporâneo de mim: o que é verdade.
Abraço
Escrito por wilson luques costa às 18h45
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Acabo de colocar algumas dúvidas sobre a matéria de Antonio Cicero sobre O CONTEMPORÂNEO. Vou tentar desenvolver mais a minha crítica. Prezado ANTONIO CICERO, ´Ou dizemos “X é contemporâneo de Y”, isto é, “X é do mesmo tempo que Y” ou dizemos simplesmente “X é contemporâneo”, isto é, “X é do mesmo tempo que eu”. (sic) Sinceramente, não concordo, num primeiro momento, com “X é contemporâneo”, isto é, “X é do mesmo tempo que eu”. A meu ver, isso seria, a meu ver ainda, uma indeterminação. Veja: quando se afirma que x é contemporâneo -- por que ser contemporâneo de mim, só porque ocultei o y? Ou seja, não atribuí a y, portanto entende-se mim (z)? É assaz difícil apor a minha dúvida aqui no blog e tocado por um outro tempo que me acelera em sentido aula. Essa frase tem uma relação biunívoca -- não seria como x é imortal ou x não é mortal. Penso, mais uma vez, que é mister atribuir algo ao contemporâneo para uma maior clareza. Veja: você usa da frase x é contemporâneo de y -- mas na outra deixa subentendido que x é contemporâneo , portanto de mim; ou são frases distintas, ou poderei enunciar x é do mesmo tempo que eu de y... E por aí vai... Eu julgo que essas questões seriam melhor resolvidas num ambiente onde todos pudessesm externar as suas dúvidas -- pela oralidade... mas o que tenho a colocar é um pouco esse arrazoado -- que sei que nos embaraçou um pouco mais... Espero que não fique melindrado por eu colocar essas minhas dúvidas ... um abraço sincero do wilson--- desculpe-me pelos erros de digitações e outros que tais...
Escrito por wilson luques costa às 19h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
TUDO É QUESTÃO DE SUPORTAR E ANTES ENTENDER O CONTEÚDO E NÃO O SUPORTE OU TUDO AO MESMO TEMPO ONTEM HAYOM UND MORGENS Todo tipo de mudança na dinâmica da vida, sempre suscitou reações aprovadoras e reprovadoras. Mas quanto a essa dinâmica seria em vão lutar; e por ser dinâmica a própria vida, isso não significa dizer que tudo se estagnará. Falo isso, porque há os que aprovam e os que reprovam os escritos nos blogs ou outros tipos de suportes que não sejam no famigerado livro. Eu particularmente sou um apaixonado pelos livros. E não é à toa e não será à toa que continuarei a lê-los como também tê-los em minha pequena biblioteca. De fato, julgo o livro ainda o melhor amigo do homem, muito mais que um cachorro ou o próprio uísque de Vinicius de Moraes, uma porque nunca nos abanou o rabo e muito menos nos deixou ressacado no dia seguinte. E o que é melhor: vem blindado da psiqué de seu autor, com todas não virtudes que caberiam a todo escritor, porquanto humano demasiado humano. Entretanto, não dá para aceitar que nos blogs não haja coisas de valor. E quem diz isso, ou é incapaz de ter uma análise própria do assunto pautado ou não sei que tipo de nostalgia lhe cercaria. Nunca devemos esquecer que informação é tudo. Aprendemos e apreendemos o mundo de várias maneiras canhestras ou não. Felizmente, o mundo em sua dinâmica não para, só porque um tal leitor sofre de uma doença endêmica chamada: saudade de um suporte que já foi muito mais importante. 
Se, efetivamente, aspiramos ao acesso humano, mister seria a valoração do conteúdo e não do continente. Mas, de fato, é muito mais fácil termos um livro à mão do que um conhecimento mais pormenorizado, quaisquer que sejam os seus suportes. Não se esqueçam que um livro pode, às vezes, maquiar a inteligência apoucada de seu portador, bem como de seu autor, coisa que o blog - num mundo de falsas representações e falsas fantasias - ainda não faria -- ou faria? Mas esse, aqui, não seria o meu télos. I promised!
Escrito por wilson luques costa às 11h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
VALE A PENA NÃO LER DE NOVO Descartes comete alguns deslizes na sua explicitação no Discurso do Método, sobretudo no que se segue: ´...e, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava.` Agora vou lhes demonstrar o problema lógico de Descartes: ´E, ao perceber que nada há no eu penso, logo existo, que me dê a certeza de que digo a verdade, salvo que vejo claramente que, para pensar, é preciso existir, concluí que poderia tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras, havendo somente alguma dificuldade em notar bem quais são as que concebemos distintamente.` O problema de Descartes não é, a meu ver, a não certeza que afirma a posteriori, mas sim um problema atinente à lógica, se reduzirmos a conceituação de verdade a enunciados lógicos, onde teríamos um conjunto V de verdade com Clareza e Distinção e um conjunto particular em que só comporta a Clareza para a verdade cartesiana -- donde se concluí que o Penso, logo existo é claro, mas jamais verdadeiro, sob o estrito ponto de vista de verdade cartesiano. QUADRADO DOS OPOSTOS E A CONTRADIÇÃO CARTESIANA (A)Toda verdade é distinta (O)Alguma verdade não é distinta Isso, contudo, não significa dizer que não aprecio Descartes. Aliás, julgo o Discurso do Método um livro muito aprazível. Já o reli várias vezes. Mas eu não posso, com efeito, deixar pedra sobre pedra. 27/04/2008 Ainda Descartes
Todos sabemos que há inúmeras interpretações de Descartes; e eu, pelo meu lado, faço um recorte de seus textos e demonstro as contradições inerentes às suas palavras -- aliás é Descartes quem diz que julgaria como falso tudo aquilo que pudesse colocar qualquer suspeita. A minha leitura é uma leitura lógica quanto à conceituação de verdade em seu ato falho ou não em distinguir a distinção e a clareza de seu Cogito ergo sum. E quanto a uma outra possível análise no que tange a própria enunciação da frase, seria também correto asseverar que o Penso é uma particularidade do Existir cartesiano - o que não lhe daria também foros de universalidade -- mas pretendo para o momento a minha explicação e redução lógicas de seu fragmento proposto - muito menos atentar por ora também para a sua contradição em afirmar que o Eu penso é verdadeiro e depois se perder no engodo por ele mesmo criado por uma intenção ou não. E como vamos agora saber?
Escrito por wilson luques costa às 11h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O CEROL DE SAMEUA / 2001 / CONTOS DE ARRABALDE / 'Vocês podem tirar tudo de um homem, mas jamais tentem lhe tirar as suas próprias raízes'  Lembro-me vagamente de seu nome: Sameua... A linha era corrente vinte e quatro... Comprávamos no bazar da Maria Japonesa... Às vezes, conseguíamos emendar uma linha vinte e quatro com linha dez... Não havia preconceito... João ascendia de alemães e italianos... Eliseu de possíveis judeus... Carlinhos era um tipo cafuzo... Sinval um perfeito sarará... Eu... Brasileiros com espanhóis... Minha pipa era pênsil... Mas hesitava muitas vezes diante da bola pelé... Fazia algumas embaixadas, enquanto não soprava o vento do norte... A rabiola era multicolorida.... Sonhávamos, contemplando o céu salpicado de estrelas de papel... Lembro-me vagamente de seu nome... Sameua... Sua pipa era azul e vermelha com uma faixa branca no lado esquerdo... Seu cerol era lancinante... Feito de vidros moídos com cola de madeira... Quando ele vinha, nossas pipas flutuavam desatinadas... Atônitos, ouvíamos falar de seu nome... Sameua... Ainda me recordo de seu nome... Seu cerol cortou os nossos corações... E o céu salpicado de estrelas pra sempre nublou... # Texto republicado nesse blog com pequenas alterações. ex: havia colocado no livro: "pipa no masculino" - porque na vila ré sempre falamos (nossos pipas)...(meus pipas)...de modo que grafados estão no masc. e fem. agora.
Escrito por wilson luques costa às 13h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MUSA POLISSÊMICA - POEMA LIDO EM UM DOS SARAUS DO CLUBE CAIUBI. POEMA CONCEBIDO EM PLENA AULA DE JEANNE MARIE GAGNEBIN - A QUEM DEDICO DE CORAÇÃO.
A poesia Sei o que ela não é O que ela é É o que não sei O que ela não é É o que talvez seja A poesia é aquilo que não é E não sendo É o que é
Escrito por wilson luques costa às 10h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Eu suspeitaria de todo escritor ou pensador que me exigisse uma certa audiência.
Escrito por wilson luques costa às 11h52
[]
[envie esta mensagem]
[link]
TARDIA CONTRIÇÃO Vira e mexe, eu pego um dos meus dois livros publicados e faço uma leitura ligeira. E o balanço é sempre negativo. Começo a rabiscar, a inverter frases, a encontrar uma frase sem uma tonalidade correta, a corrigir uma palavra com um ´s´ a mais ou´m ´s ´ a menos, a discordar da sintaxe, a ver saltos grotescos. E aí coloco: ´livro para uma futura e possível revisão.` Mas não tem jeito: a frecha já foi lançada. Isso porque publiquei o meu primeiro livro aos 41 anos e o segundo aos 42. É verdade: nem me sempre pareceu certeira aquela frase genial de Borges: publicamos para nos livrarmos dos originais. No meu caso específico, penso que o rascunho teria que ter ir ido antes para o lixo e não para o prelo.
Escrito por wilson luques costa às 11h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|